Cosplay: Pinguim

Cosplayer: Alexandre Cavalcante

Oswald Cobblepot, o Pinguim, é um personagem clássico do universo de vilões do Batman e já foi interpretado de forma diferente por vários atores, desde Burges Meredith na cômica série dos anos 60, passando por Danny DeVito em uma atuação bem mais sombria no Batman de Tim Burton, até chegarmos em Robin Lord Taylor na série Gotham. O Cosplayer Alexandre Cavalcante já atuou como o personagem em suas mais diferentes versões, a seguir, a entrevista que fizemos com ele com dicas para interpretar o personagem:

Qual sua versão preferida do personagem e por que?

R: Não tenho uma preferida. Gosto de todos pois eles têm diferentes facetas que se encaixam em suas respectivas épocas. O primeiro deles, interpretado pelo Burges Meredith, era baseado nos quadrinhos da época, que era uma fase mais caricata, mais simples, onde o Pinguim tinha foco em artefatos ligados à temática das aves, e guarda chuvas como um ladrão, enquanto o Danny DeVito  teve uma pegada mais sombria, e não foi à toa que chamaram o Tim Burton para dirigir o filme, visto que os quadrinhos estavam em seu início de fase sombria e também mais adulta, que começou com o Cavaleiro das Trevas e Ano Um de Frank Miller, e que durou um bom tempo com histórias mais complexas e elaboradas para adultos de forma mais realista. Quanto a versão do Pinguim do seriado Gotham, focaram em contar a história dele, de mero ajudante até chegar a ser o mafioso que conhecemos atualmente, e ali era um terreno em branco, pois quase nunca havia sido explorado o passado do Pinguim. Durante as temporadas mostraram como ele chegou até lá, desenvolvendo tudo o que o tornaria um grande personagem.

O Pinguim mais caricato dos anos 60 (Cosplayer: Alexandre Cavalcante)

Recentemente o filme “Coringa”, do diretor Todd Phillips, foi um grande sucesso de bilheteria e crítica, inclusive rendendo um Oscar para Joaquin Phoenix por sua elogiada atuação. Trata-se de um Coringa com uma pegada bem mais realista do que algumas versões anteriores. Você acha que é possível fazer o mesmo com o Pinguim, dar ao personagem uma versão mais realista em um filme solo? Acha que faria sucesso?

R: Eu acredito que sim! Mesmo que o Pinguim nem sempre seja o favorito de muitos fãs por ser um simples mafioso, ele poderia render um ótimo filme de origem, só depende de quais temas seriam abordados na história dele. Creio que poderia haver uma adaptação da famosa história Pinguim – Dor e Preconceito. São temas que atualmente também afetam as pessoas do mundo todo, com o preconceito, racismo, diferenças e outros fatores que poderiam ser estudados. Talvez possa até mesmo se pensar em uma nova origem para ele, totalmente diferente, como aconteceu com o filme Coringa. Poderia ser bem interessante essa abordagem.

Existe algum ator que você acha que se encaixaria bem no papel do personagem?

R: Atualmente eu estava torcendo para o Josh Gad ou Jack Black por terem o físico ideal para interpretarem o Pinguim. Confesso que há um tempo atrás, teria até mesmo convidado o Peter Dinklage para ser o Pinguim, que com certos efeitos poderia ser bastante satisfatório. Peter Dinklage tem 1,32 metros de altura contra 1,47 de Danny DeVito, uma diferença de quinze centímetros. Com alguns truques de filmagem para parecer um pouco mais alto e usar enchimentos perfeitos que já vimos em outros filmes como O Professor Aloprado com Eddie Murphy, Hairspray com John Travolta e Spawn com John Leguizamo. Além de que o Peter Dinklage é um grande ator, que já ganhou muitos prêmios! Eu acredito que ele teria detonado na atuação! Mas agora veremos o Colin Farrel como Pinguim no The Batman e não sei o que esperar dali.

Você faz cosplay de quais versões do Pinguim? Ao atuar como o personagem, se baseia nos atores que o interpretaram anteriormente? Quais são as principais diferenças entre uma versão e outra?

O Pinguim de Tim Burton, mais sombrio e com o uso de prótese de látex. (Cosplayer: Alexandre Cavalcante)

R: O primeiro, quando comecei, foi baseado nos jogos Arkham City e Origins. A dificuldade era achar o monóculo na época, e como no jogo Arkham Origins ele não usava, acabei descartando. Com o tempo fui fazendo outras versões como a do seriado Batman ’66, outro foi o clássico Pinguim usando um fraque, um outro usando a vestimenta atual e uma versão do filme Batman O Retorno. Cada desenhista sempre faz algum Pinguim diferente do outro e fica difícil acompanhar, e o mesmo vale para mim, tanto que nem falo mais qual versão estou usando pois posso estar misturando isso com aquilo. As únicas que se diferem é o Pinguim ’66 e o Pinguim Batman Returns. Recentemente soube da versão do Pinguim onde mostrava ele totalmente careca do desenhista Mikel Janin, e como havia raspado meu cabelo para um outro cosplay, acabei fazendo essa versão e fui encontrar ele no CCXP 2019 junto com o Coringa e Charada do mesmo desenhista! Uma versão que ainda não fiz até hoje é o Pinguim de fraque azul baseado na arte do Ivan Reis e pretendo fazer ele assim que possível!

Você mesmo faz seus Cosplays? Se sim, qual das versões do Pinguim lhe tomou mais tempo para ficar pronta? O que você usou no figurino? Qual o custo?

R: Não. Quem faz os trajes é a minha costureira perfeita que capricha nas confecções dos visuais. E nenhum deles demorou tanto assim, em geral leva um mês, pois os visuais do Pinguim não são difíceis, visto que ou ele usa terno ou usa fraque e até mesmo um sobretudo. Eu costumo usar tecidos que sirvam para qualquer estação do ano exceto aqueles que tem pelúcia nos trajes, que raramente uso no calor! Na versão do Pinguim de Tim Burton, tive que providenciar uma prótese idêntica, procurar apliques e contratar um excelente maquiador. E os custos variam muito, mas nunca é caro, pois como disse antes, são visuais simples e que podem ser usados em diversas versões, mas não deve ser mais que duzentos reais, dependendo da peça.

Além do Pinguim, quais outros Cosplays você já fez? Há algum que você queira fazer, mas ainda não conseguiu?

R: Muitos, mas muitos mesmo. Sei que já foram mais de 20 Cosplays. Alguns já nem uso mais e outros foram usados apenas uma vez e ainda não tive oportunidade de usar novamente. Entre os mais conhecidos são: Rei do Crime, Rainha de Copas, Wario, Bowser, Professor Porko e Dr. Robotnik. Tem outros que usei pouco, mas que também são bastante reconhecidos quando em grupo ou dupla como o Detona Ralph e KND A Turma do Bairro por exemplo. Tem muitos que eu quero fazer, mas que me falta cosmaker que consiga criar: Gorila Grodd e Doutor Octopus! Esses dois seriam meus projetos Cosplays mais ambiciosos na minha carreira! Quem sabe, um dia?

Dentro da sua vida, qual a importância do universo cosplay?

Para mim, além de grande integração social, é uma forma de trazer a fantasia para a nossa realidade, de esquecer um pouco da correria da nossa rotina, curtir os personagens na sua frente, conversar com essas pessoas, recriar momentos icônicos de alguma mídia em geral, praticamente interagir muito e tirar fotos! Por que uma coisa é você assistir, ler ou ouvir algo que só existe na sua imaginação, mas a experiência é totalmente diferente ao ver o personagem bem na sua frente. Além do mais, como cosplayers, ao vestirmos os nossos personagens, nos sentimos poderosos, fortes, com auto estima em alta, sem nenhuma timidez! Já vi uma amiga minha que era tímida demais fazer seu primeiro cosplay e com o tempo, ela foi ficando mais confiante, mais determinada e hoje ela está totalmente diferente da pessoa que foi no passado. O meio cosplay tem muitas histórias de superações de todos os tipos. E isso é bastante gratificante e por isso mesmo eu digo que COSPLAY NÃO TEM IDADE, NEM GÊNERO, NEM FÍSICO E NEM COR DE PELE! COSPLAY É PARA TODOS!

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