Via Canal Metalinguagem

Já que estamos brincando de lembrar, que tal lembrarmos de um seriado Brasileiro?

Esta semana, o Lembra disso vai falar sobre o seriado brasileiro Armação Ilimitada, exibido na Globo entre 1985 e 1988.

Por mais que a ditadura militar só tenha acabado definitivamente em 1985, a primeira metade dos anos 80 já mostrava que esta seria uma década diferente. O Rock de bermudas começava a despontar, a moda adotou tanto a New Wave quanto o Dark alguns anos depois, e novos autores testavam os limites da liberdade que aos poucos estavam adquirindo.

Em 1982, surgia o filme Menino do Rio, um retrato dos adolescentes da Zona Sul que frequentavam a praia do Arpoador e praticavam surfe ou asa delta. Menino do Rio e sua sequência Garota Dourada eram uma espécie de elo perdido entre a década anterior a geração 80.

Os anos 80 foram únicos. Tivemos o brega do New Wave americano e o preto da segunda onda do Rock Inglês, a volta do Op Art e a criação de experimentalismos entre estéticas e linguagens. Como o mundo poderia acabar graças aos botões vermelhos dos americanos e dos soviéticos, os jovens pareciam querer experimentar tudo ao mesmo tempo.

LP Trilha Sonora do Seriado Armação Ilimitada

Armação Ilimitada foi exatamente isso. Criada a partir de uma ideia de Kadu Moliterno e André De Biase, a série mostrava as aventuras dos dubles Juba (Moliterno) e Lula (De Biase) que tinham uma empresa chamada Armação Ilimitada. A Dupla de moradores da Zona Sul Carioca sempre estava envolvida com filmagens, esportes, surfe etc. Eram os heróis de ação da geração 80. Além deles, o seriado contava com a jornalista Zelda Scott (Andréa Beltrão), filha de um ex-exilado que retornou ao Brasil após a abertura e foi trabalhar para o Chefe (Francisco Milani) no jornal o Correio do Crepúsculo, Bacana, (Jonas Torres) um órfão que é adotado pelos heróis e por Ronalda Cristina (Catarina Abdala), a melhor amiga de Zelda.

Ah, claro… Zelda e os dois protagonistas formavam um triangulo amoroso e eles a chamam de “A nossa namorada”. Sim, era 1985 e eles quebraram a moral e os bons costumes ao assumir este relacionamento inusitado, e esta não foi a única coisa que eles quebraram.

A estética do seriado misturava linguagem de videoclipe, desenho animado e filme experimental com a trilha sonora e as referencias que faziam sucesso entre os jovens da época. Usando outros nomes e burlando direitos autorais, eles citavam Rocky, o lutador, O Iluminado, falavam de Ets (um deles acabou sendo o pai do bebê da Ronalda), de lugares esotéricos como São Tomé das Letras, citavam o Crepúsculo de Cubatão (famosa danceteria da era Dark) …

Juba e Lula e suas inseparáveis pranchas de Surf

O programa brincava demais com a metalinguagem. Um bom exemplo era o Chefe, que sempre se transformava no que a Zelda falava, o uso de balões da fala, de pensamento e outros ícones tanto de HQs como de outros elementos da cultura pop contemporânea.

Como se isso não fosse o bastante, tínhamos o locutor Black Boy (Nara Gil) que era uma garota. A personagem, que jamais cruzou cenas com os outros, narrava o começo e os encerramentos dos episódios. Diferente de todo o resto, ela tinha uma levada mais soul music e, muitas vezes, tinha um grupo de instrumento de sopro para ajuda-la. Seu cenário supostamente foi inspirado numa cena do filme Warriors: Selvagens da Noite.

Se você não sabe ou não lembra, a abertura da série é na verdade, um riff de guitarra da musica Say What You Will, da banda Fastway, só que em 1985, quando lançaram o disco, disseram que era do Ari Mendes. Na trilha nacional, tinha Engenheiros do Hawaii, Leo Jaime, Legião Urbana e Capital Inicial e outras perolas do rock da época.

Após o fim do programa, até tentaram fazer um programa da dupla Juba e Lula, mas sozinhos e sem a linguagem do programa anterior, os personagens não eram tão interessantes.

Música de Abertura Armação Ilimitada

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Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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