Thor: O Carniceiro dos Deuses

Quando deuses se tornam tão frágeis quanto humanos

Deuses são imortais, travam batalhas épicas que fazem os céus estremecerem, estão acima dos reles mortais, e raramente são ameaçados por outra criatura que não outro deus.

São adorados, venerados e temidos, pois aqueles que desafiam suas vontades, certamente hão de pagar um preço alto. Sim, porque apesar de viverem por eras, e assistirem civilizações inteiras florescerem e sucumbirem, eles são acometidos por sentimentos, por assim dizer, bastante humanos, como inveja, ira, orgulho, paixão, amor e ódio.

E poucos negarão que, entre todos os deuses, um dos mais poderosos e corajosos é Thor de Asgard, filho de Odin e senhor do trovão, e em “O Carniceiro dos Deuses”, história escrita por Jason Aaron (autor de Escalpo, um dos melhores quadrinhos, senão o melhor da última década) em 2013, e ilustrada por Esad T. Ribic, o Asgardiano encontra um desafio digno de sua estirpe.

Um deus morto

Na trama, algo ou alguém está assassinando deuses de diversos panteões nos mais variados planetas.

Sim, deuses existem aos montes, pois como diz o próprio Thor: “em todas as minhas jornadas jamais conheci um mundo sem deuses”.

Faz sentido, muitos deuses para muitos adoradores; homens lutam lado a lado com seus deuses, e quando oram por chuva, ela vem, não sozinha, mas acompanhada de um homem portando um martelo mágico, que convoca relâmpagos com uma única palavra, ser ateu não é muito inteligente.

Imagine para um mortal saber que algo é capaz não apenas de matar, mas de aterrorizar divindades.

É contra este inimigo que Thor travará um combate épico que atravessará os séculos. Não apenas um, mas três deuses do Trovão, do passado, do presente e do futuro, lutarão para derrubar um mal que se perpetua.

Questão levantada embora não explorada neste encadernado com os cinco primeiros números de “Thor: God of Thunder”, seriam os deuses realmente bons para aqueles que os veneram ou na maior parte do tempo apenas observam os tormentos e a miséria típica da mortalidade?

Não vá pensar que é uma história com profundos questionamentos filosóficos, não é! É Thor, é sobre cerveja, orgulho, guerra e consequências de atos impensados.

O Thor do passado, do presente e do futuro.

Jason Aaron nos mostra deuses assustados, se escondendo em cavernas, aterrorizados com a possibilidade de serem os próximos a perderem a vida, ou pior.

Quando falamos de imortais, a tortura pode durar indefinidamente, dependendo apenas do desejo e da habilidade de quem tortura.

Se o Justiceiro caiu como uma luva para Garth Ennis, o Demolidor para Frank Miller e o Monstro do Pântano para Alan Moore, talvez Thor seja o personagem perfeito para Aaron, que parece ter achado o ritmo certo para suas histórias.

Aaron tem seus fiéis, e começa a se tornar parte de um panteão repleto de divindades dos quadrinhos.

Eu acredito nele!

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

Para saber mais acesse a página no Facebook: @fernandofontanaescritor

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