Por Fernando Fontana

Em 2019, o filme Hellboy, dirigido por Neil Marshall e com David Harbour no papel principal, resultou em um grande fracasso de crítica, longe de agradar o público como os filmes de 2004 e 2008, ambos escritos e dirigidos por Guilhermo del Toro (em Hellboy 2 – O Exército Dourado, del Toro contou com a ajuda do criador do personagem, Mike Mignola, para escrever o roteiro).

O filme de Marshall não é apenas inferior aos dois filmes de del Toro, após assistir a animação Hellboy – Blood and Iron, é fácil perceber que também perde para ela, ainda que esteja longe de ser perfeita.

Com roteiro do próprio Mignola e de Tad Stones, “Blood and Iron” estreou em 2007 na Cartoon Network, um ano depois de outra animação com o garoto demônio, “Hellboy: Sword of Storms”.

Os Membros da Agência de Investigação e Defesa Paranormal

Na trama, como um favor ao senador responsável por destinar as verbas para a Agência de Investigação e Defesa Paranormal, o diretor decide enviar uma equipe para investigar uma suposta casa mal assombrada, pertencente a um amigo do político (onde foi que a gente viu isso antes?).

Apesar de parecer um trabalho simples, com forte possibilidade da suposta assombração ser apenas um golpe publicitário, o professor Broom insiste para que a equipe enviada conte com os melhores agentes da Organização, incluindo Hellboy, Abe Sapien, Liz Sherman e o próprio professor, que insiste em participar da missão após um longo tempo fora de ação.

O professor acredita que possa haver ligação entre os eventos que ocorrem na casa, com uma antiga vampira e sacerdotisa da deusa Hécate, a quem ele derrotou no passado.

O roteiro alterna entre o presente, com a equipe da agência investigando a casa mal assombrada, e o passado, com o professor Broom e um grupo de pessoas caçando a Vampira em uma vila da Transilvânia.

Erzsebet Ondrushko, vampira que se banha em sangue para permanecer jovem.

No presente a narrativa é linear, tradicional, já no passado, os eventos são mostrados de trás para frente, partindo do confronto com a vampira, e recuando até a razão que levou o professor Broom e seus companheiros a invadir a sua morada.

A atmosfera é muito diferente nos dois momentos da animação; o suspense é muito maior no passado do que no presente, o que se explica facilmente pela mudança nos membros das duas equipes. Enquanto no agora, o professor Broom está acompanhado por Hellboy, Sapien e Liz, todos com grandes poderes, no passado, ele invade o covil de Erzsebet Ondrushko, vampira que se banha no sangue de belas mulheres para permanecer jovem, protegida por lobos ferozes, contando apenas com dois policiais, um padre e o noivo de uma mulher que foi sequestrada.

A sensação de perigo aumenta quando se enfrenta forças das trevas que estão muito além de suas forças, contando apenas com sua fé, seu conhecimento, água benta e estacas.

A curta duração é um fator negativo, contando com apenas 1h15min, não sobra muito tempo para o roteiro de Mignola e Stones trabalhar o suspense, fazendo o medo do desconhecido aumentar gradativamente; os fantasmas não demoram a aparecer, e surgem em grande quantidade, sem assustar ou causar impacto, apesar das tentativas envolvendo sangue.

Fantasmas que não assustam

Sangue não falta na animação. No quesito confronto físico, há bons momentos, com Hellboy trocando socos com adversários muito maiores em pelo menos três momentos diferentes. Ele parece ter nascido para ser arremessado através de paredes.

O professor Broom, que divide as atenções com Hellboy nesta animação, mostra porque ainda é valioso para a organização; Liz e Abe também tem seus momentos, embora com menos destaque.

O traço da animação não se preocupa com detalhes e há pelo menos um momento em que fica claro que houve desleixo ou pressa em acabar, pois vemos inúmeros fantasmas das vítimas de Erzsebet, e no meio, várias cópias, como se houvessem diversas gêmeas idênticas, com a mesma roupa e a mesma pose.

Ctrl C + Ctrl V na cara dura!

Blood and Iron não é ruim, mas com um pouco mais de tempo para desenvolver a trama e os personagens, e mais cuidado no traço, poderia ser bem melhor.

Avaliação: Regular

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

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