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Dicas do que Assistir (ou não) durante a Quarentena.

Por Everton Nucci

Olá todo mundo, bem vindos ao vale! Eu sou Everton Nucci e este é o meu diário de bordo, data estelar -302620.7237907306 (Easter egg). Como vão vocês? Eu estou aqui no meu isolamento social aguardando a data estelar aproximada de -302333.33333333326, quando dizem que poderemos estar de volta às ruas (pelo andar da espaçonave eu diria que isso é puro otimismo, espero muito estar errado).

Com todo esse tempo trancado em casa estou praticamente preso ao universo do Streaming. Alterno meus dias entre Youtube, Netflix e Amazon Prime. Por isso vou aproveitar esse momento para passar algumas dicas de coisas que andei vendo.

Sim, eu sei que deveria estar aproveitando esse tempo para fazer algo mais útil tipo aprender japonês, estudar física quântica, praticar meditação transcendental e etc. Mas não fiz nada disso por um motivo muito simples e justo: Estou com preguiça! Primeiramente quero dizer que assisti à 5ª, e possível última temporada, de “She-Ra e as princesas do poder” que estreou nessa data estelar -302658.014571949. Já fiz uma análise da série até a 4º temporada, e se você não leu pode conferir clicando no link a seguir: O Vale Nerd: Pela Honra de Grayskull

She-Ra, Princesas do Poder, Quinta e Última Temporada.

Devo dizer que a quinta temporada está fantástica, e consagra a série como um dos melhores reboots de todos os tempos (na minha humilde opinião).

As princesas estão incrivelmente poderosas nessa reta final, as reviravoltas na história são surpreendentes, o Mestre da Horda revela-se o maior vilão da série – fazendo parte da escola Thanos de vilania – o desenvolvimento das personagens é sublime, Cintilante atingiu o ápice de sua maturidade, arcos de redenção e novos personagens surgem de forma orgânica e She-Ra ganha uma sequência de transformação digna da série original.

O romance também vem com muita força e disso não vou dizer mais nada pois sou 100% anti spoilers. Em termos de representatividade a série também não decepciona, duas princesas cujo relacionamento apenas ficou implícito nas temporadas anteriores agora se beijam e referem-se uma à outra como “minha esposa”, além de outros relacionamentos que fazem com que o desenho ganhe o selo de “Amigue do Vale” (Amigue é igual a Amigo ou Amiga em linguagem neutra / não binária).

Dá para resumir tudo da seguinte forma: no mesmo dia em que comecei a assistir eu terminei, meu marido e eu maratonamos a série sem parar para respirar.

Apenas assistam!

Ontem também começamos a assistir “White Lines” a nova série da Netflix dos mesmos criadores de “La casa de papel”, ainda não terminei mas já posso ter certeza de uma coisa: não há como você passar inerte à ela.

Não sei se gosto ou desgosto, mas, que a obra provoca uma série de reações/emoções em quem assiste é inegável. 

White Lines, dos mesmos criadores de “La Casa de Papel”.

A premissa inicial é bastante detetivesca: uma irmã descobre que irmão desaparecido há vinte anos está morto e decide investigar o ocorrido por conta própria. Entretanto, a coisa fica muito louca, muito rápido (para dizer o mínimo). Tudo se passa em Ibiza e se você for levar “White lines”  ao pé da letra, vai ter a impressão de que o local é uma terra sem lei, praticamente um universo paralelo onde todo mundo transa com todo mundo e usa todo o tipo de drogas com a mesma facilidade com que se come um pão com manteiga no café da manhã.

Quanto mais a irmã investiga, mais ela descobre o lado obscuro do irmão e menos a história se torna uma investigação sobre assassinato.

Na verdade ainda não sei dizer sobre o que é a história, talvez seja uma jornada de autodescoberta, ou sobre como idealizamos pessoas/lembranças em nossas mentes e como a realidade pode ser devastadora.

Simplesmente sei lá, só sei que tem muita gente se pegando o tempo todo sem a menor distinção de sexo, tantas drogas que até o cachorro tem overdose (é sério), tem tanta coisa dando errado por episódio que parece que estão tentando bater algum tipo de record de decisões ruins (nem Jesse Pinkman e Walter White faziam tanta cagada por minuto). 

Tem muito humor ácido, e de início até parecia ser mais pé no chão do que as outras séries de Álex Pina, pura ilusão não há limites para o produtor e aqui o dramalhão excede todos os limites possíveis, e imagináveis. Se acha que está preparado assista, é loucura pura.

E por falar em Álex Pina eu também assisti “Vis a Vis”, meio que de forma passiva. Meu marido estava tão viciado nessa série que passou o feriado todo de -302669.39890710387 (também conhecido pelos terráqueos como “dia do trabalho”) e o fim de semana consecutivo assistindo a um episódio atrás do outro enquanto eu tentava a todo custo subir no ranking de “Mario Kart Tour” (sem sucesso, diga-se de passagem).

Vis a Vis, série da Netflix

Eu não conseguia desgrudar do celular, mas era impossível não ouvir os suspiros de sustos que o faziam perder o fôlego a cada minuto, era choque atrás de choque e a cada episódio ele reafirmava como a série era boa.

Peguei um pouco da história, pois a curiosidade falou mais alto, e a premissa é bem simples. A protagonista vai parar na prisão por desviar dinheiro da empresa na qual trabalhava por influência do patrão/amante.

Uma vez na prisão ela se depara com um novo universo, muito sofrimento, muita violência, muita opressão, muito drama, muitas viradas de roteiro e muitas mulheres fazendo sexo umas com as outras.

Aí você pode dizer, “já vi muitos filmes e séries de prisão”, bom te garanto que nada como isso. Tem mais mortes de protagonistas aqui do que em “Game of Thrones” e “Gray’s Anatomy” juntas (ok, talvez eu tenha exagerado), mas o fato é que em um minuto uma personagem está se casando e no minuto seguinte está tomando um tiro nos miolos, num episódio a personagem é uma policial e no episódio seguinte ela está passando com um ônibus por cima do parceiro, não há homem, mulher,  criança ou bebê que escape à foice de Alex Pina.

Mais uma vez não sei como definir a série, e o fato de não ter assistido todos os episódios também não ajuda em nada, só o que sei dizer é que a protagonista que era a imagem da pureza e inocência no início da série, aos poucos, torna-se uma vilã digna de James Bond, fora o fato de que ela entra na prisão 100% certa de que é hétero e quando vamos ver, está namorando firmemente outra mulher (sexualidade fluida é como eu defino). Mas nada me chocou mais do que ver uma presidiária montando um lança-chamas com peças traficadas como quem monta um NERF para logo em seguida tocar fogo em todo mundo.

Os vilões da série não são apenas maus, eles são hediondos, capazes de cometer as maiores atrocidades sem o menor remorso ou pudor e mesmo acompanhando apenas uns 30% da série me fizeram pegar ódio (principalmente do médico e da traficante). É tanta coisa acontecendo na série, cada uma mais absurda e surpreendente do que a outra. É simplesmente maravilhoso, eu amo quando a criatividade é colocada acima da lógica e a obra assume isso de forma plena. É ficção pura, é um dramalhão gigantesco, é surpresa em cima de surpresa, é simplesmente ótimo.

“This is Us”, disponível na Amazon Prime

Saindo um pouco da Netflix e indo pro Amazon Prime, comecei a assistir a uma série um pouco mais velhinha, “This is Us”, fui pego de jeito logo no primeiro episódio ao ver a bunda do Milo Ventimiglia, não! Espera, não era exatamente isso que eu iria dizer, foi a narrativa! A narrativa me pegou de jeito no primeiro episódio, foi isso! Essa é mais uma série que ainda não terminei mas da qual estou gostando bastante, até onde eu vi não apareceram personagens do vale mas ainda assim é bastante representativa pois mostra a vida de famílias com pessoas completamente diferentes entre si. Temos os filhos, dois biológicos e um adotivo, sendo que entre os biológicos temos um homem loiro do tipo galã e uma mulher obesa cheia de complexos.

O irmão adotivo é negro e isso, sem querer, afeta a dinâmica da família branca, a mãe tenta fazer com que ele não se sinta diferente mas isso faz com que o filho biológico se sinta rejeitado, é um enorme ciclo de vivências e aprendizados. Mas o grande trunfo do programa é realmente a bund… digo, a narrativa, foi o que eu disse, narrativa! A história se desenvolve de forma não linear e foi  realmente chocante quando isso é revelado ao final do primeiro episódio, minha mente explodiu quando as conexões surgiram e notei que fulano era filho de sicrana que era irmã de beltrano. No geral é uma série bastante gostosa de se assistir com boas doses de humor e de drama num texto primoroso. E agora eu gostaria de tirar um tempinho para falar de nós, pessoas como um todo. Às vezes me pergunto se o que estou fazendo nesse momento falando de ficção na internet tentando trazer o publico LGBTQIA+ ao foco é realmente importante.

Talvez eu devesse estar mais preocupado com minha vida e com a vida das pessoas que amo, mas foi nesse momento de isolamento social que vi o quanto a arte é importante (e aposto que não sou o único). Sim, para mim a internet sempre foi uma excelente opção para não ter que sair de casa, mas neste momento em que sair de casa não é uma opção, coisas como Netflix, Youtube e Amazon Prime ganharam um novo significado.

Ganharam o poder de ajudar o tempo a passar, ganharam o poder de aliviar a tensão e ganharam o poder de nos fazer companhia. Por isso tento me convencer de que, embora eu não esteja ajudando salvar vidas produzindo esse texto, eu tenho dado o meu melhor ao valorizar a arte e apresentar opções de companhia para quem está em casa nesse momento esperando o pior passar.

E se você quiser conversar comigo nesse momento de solidão, mandar suas dicas de filmes, séries, hqs para a quarentena, descobrir como calcular a data estelar de “Star Trek”. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E a dica do dia é a narrativa, fiquem sempre atentos à narrativa. A narrativa aparece aos 36 segundos do episódio piloto de “This is Us”. E além da narrativa, a dica do dia é o filme “Alex Strangelove” que está disponível na Netflix, é uma comédia romântica adolescente bem no estilo besteirol, com produção de Ben Stiller, direção e roteiro de Craig Johnson que conta a história de Alex, um jovem que é posto na berlinda pelos amigos quando sua namorada revela que ainda não fizeram sexo, não demora a descobrirem que ele ainda é virgem e virar o alvo das atenções (e das piadas) dos amigos.

Como se isso já não bastasse ele também começa e questionar a própria sexualidade, tudo isso é contado de um modo bem humorado e leve e com certeza é uma ótima opção para aliviar a tensão nesse momento atual.

Por hoje é só, obrigado acessar o site e fiquem em paz.

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, continua sem subir no ranking de Mario Kart Tour, quase incendiou a casa tentando fabricar um lança chamas com material caseiro e não vê o Sol há tanto tempo que já começa a achar que é um vampiro.

2 Comments

  1. Julie disse:

    Everton, eu já terminei de assistir Vis a Vis, quanto a Macarena ter namorado uma mulher, ela não estava sendo quem ela é, mas nos momentos mais difíceis é que a gente filtra quem realmente nos ama, e acabou que era a amiga lésbica dela! É realmente uma série de vilões sangue frio, outra que é demais é a Zulema 🙃 Sua reflexão quanto a situação atual do planeta, concordo com o que disse, a TV é uns dos meios mais fáceis de estar perto da arte, que pra mim sem dúvida é uma maneira de esquecer dos problemas e melhor “desenvolver a criatividade”, pra mim é tudo isso ❤️E por fim admiro seu gosto inteligente, assisti o filme Alex Strangelove e simplesmente me apaixonei, sem contar que é hilário! Bjs!

  2. Everton Nucci disse:

    Nossa Julie, você não sabe como eu fico feliz de ler isso. Saber que alguém realmente gostou de uma dica que eu dei faz tudo isso valer a pena.
    Continue acessando o site e obrigado!

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