O Vale Nerd: O coletivo #VoteLGBT, e as nossas escolhas

Olá todo mundo, bem vindos ao vale! Eu sou Everton Nucci e como vocês já devem saber, eu sou um elfo caótico. Ainda não sabiam? Então confira aqui:

https://superninguem.com.br/2020/04/29/o-vale-nerd-bruxos-elfos-e-feministas/.

Estou descaradamente fazendo propaganda das minhas próprias matérias? Sim, sou elfo caótico e cara de pau! Ser caótico é uma característica muito importante para personagens de RPG, mas também é algo com o qual eu me identifico muito. Se você quiser conhecer o verdadeiro significado de caos basta olhar a playlist do meu celular, eu poderia dizer que tem desde Edith Piaf a Dua Lipa, de Tobias Sammet’s Avantasia a Seu Jorge, mas é pior do que isso. Eu não tenho o menor critério na hora de adicionar as músicas aos favoritos, ou melhor, eu tenho: gostei da música eu adiciono.

É esse caos que faz com que eu me defina como Queer em vez de Gay, que faz com que eu assista, ouça e leia coisas completamente discrepantes entre si, e eu gosto disso. Você sabia que o clássico “Admirável Mundo Novo” fala sobre homossexualidade em um trecho da obra? Pois é! E eu adoro citar essas coisas porque assim fica parecendo que eu sou muito intelectual e que só consumo coisas cultas, quando na verdade sou o cara que gasta o tempo no Youtube assistindo tanto a “Meteoro Brasil”, “Henry Bugalho” e “Gabriela Prioli” quanto a “Coisa de Nerd”, “Matando Matheus a Grito” e “Pai Troll”.

Essa imagem de “Admirável Mundo Novo” é tão estranha quanto o início deste texto

Não dá para me julgar, vocês já assistiram a um gameplay de “Super Mario Maker 2” no nível Super Expert? É viciante (99% da satisfação vem do fato de não ser eu o cara que está chorando lágrimas de sangue para zerar aquelas fases). O caos que me cerca é tão grande que se reflete em meus textos, note que eu comecei o parágrafo falando de identidade LGBTQIA+, passei por clássicos da literatura e agora estou em gameplays no youtube.

Isso até me lembra a um episódio de “Os Simpsons”, qual episódio? Qualquer um, todos eles tem a mesma narrativa caótica. Tem um episódio que começa com todos almoçando normalmente, logo então Lisa Simpson aparece protestando contra uma churrascaria que promove espetáculos de crueldade animal, quando você menos percebe, Homer Simpson se tornou caminhoneiro. Como isso aconteceu? Caos, puro e simples. E o que tudo isso tem a ver com esta coluna? Isso não vai fazer o menor sentido, mas a questão é que eu estou tentando falar de escolhas.

Vou voltar ao RPG e aos “Simpsons” para ilustrar a questão. Se eu fosse um Elfo Leal e meu companheiro me chamasse para uma Quest (por mais FDP que fosse) eu seria obrigado a aceitar, pois minha lealdade me obrigaria.

Entretanto, como um Elfo Caótico que sou, eu tenho liberdade de escolha. Pois é, mas parece que vivemos em um mundo cheio de Elfos Leais que adoram reclamar de Quests FDPs. Lembram-se do episódio dos “Simpsons” no Brasil? Houve uma enorme comoção pública, aqueles programas de fofoca das tardes da TV aberta subiram em suas tamancas. Tudo isso porque fizemos uma escolha, a escolha de reservar uma enorme fatia da programação da TV brasileira para exibir programas importados. Séries, Filmes, Desenhos animados, Clipes, e nessa onda também vão Livros, HQs, Games, Músicas, citando Renato Russo “nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis”.

Homer Caminhoneiro, não me pergunte o que tem a ver com essa coluna.

Nós temos escolhas, não somos obrigados a consumir coisas importadas se elas nos desagradam.

Eu assisto a “Os Vingadores” porque escolhi, meu critério é simplório? Sim! Eu gosto e assisto, e se em algum momento a Marvel me desagradar eu tenho a escolha de deixar de assistir, se você ainda espera um super herói do vale nos filmes da Marvel, você tem a escolha de assistir a “Agents of Shield”, lá tem um Inumano gay, não me lembro em qual temporada, então vocês vão ter que assistir tudo.

O que eu estou querendo dizer é que, em alguns momentos, muito mais útil do que reclamar é escolher a mudança.

Mais útil do que reclamar de políticos homofóbicos é votar em políticos do vale, e fora Jean Wyllys, quantos você conhece? Algum Trans? Algum não binário? Não digo que eles não existam, mas quantos realmente ganham notoriedade?

Levantando uma questão pouco científica eu pergunto: Se o Brasil tem, digamos, 30% de LGBTQIA+, não deveríamos ter 30% de politicos LGBTQIA+?

O mesmo vale para a cultura que consumimos. De que adianta reclamar do episódio xenofóbico de “Os Simpsons” se você nunca assistiu a um desenho animado nacional? Sim, eles existem, e são ainda menos valorizados do que o cinema nacional, lembram do retumbante fracasso de “Super Drags”? Eu particularmente adorei o desenho, infelizmente a baixa audiência levou ao fim do programa.

Ele citou Simpsons novamente, então talvez a coluna dessa semana seja sobre isso.

Talvez eu esteja simplificando a situação um pouco, eu admito. Não é assim tão simples para alguém do Vale entrar para a política ou produzir um programa como “Super Drags”, há um caminho a ser percorrido muito mais penoso do que o normal, não por acaso a maioria dos protagonistas da TV, Cinema, e da Política são homens brancos heterossexuais.

E é por isso que moradores do vale que querem mudar a situação precisam se esforçar ainda mais para procurar trazer a representatividade à tona e mudar o status quo da sociedade. Em abril, por exemplo, eu soube de uma iniciativa que estava sendo chamada de a versão LGBTQIA+ da Netflix, interessado no assunto eu fui pesquisar e encontrei uma plataforma com diversas produções alternativas, nada de pirataria, trazendo a tona uma série de obras que poderiam ser sumariamente ignorados pela maioria das pessoas mas que agora você tem a oportunidade de conhecer.

Também fiquei muito curioso a respeito da plataforma e resolvi entrar em contato.  Sabendo que não sou nenhum tipo de repórter conhecido e que talvez nunca obtivesse uma resposta não solicitei uma entrevista, basicamente me apresentei e pedi para que eles se apresentassem dizendo quem são, como nasceu o site e qual era o seu objetivo. Para minha surpresa eles foram super atenciosos, super rápidos e mandaram uma enorme explicação sobre a iniciativa. Confiram:

Oi Everton, obrigadão por seu interesse. Vamos lá.

#VoteLGBT

Formado por profissionais de várias áreas como artes visuais, jornalismo, demografia, direito, entre outras, o #VoteLGBT é um coletivo que busca aumentar a representatividade das pessoas LGBT+ em todos os espaços da sociedade, principalmente na política. Para nós, a diversidade é um valor fundamental para a democracia e, por isso, também enxergamos a representatividade de forma interseccional às pautas de gênero e racial.

Ah, escolhas, agora eu entendi sobre o que estamos falando.

Além de campanhas realizadas em épocas de eleições municipais, estaduais e nacionais – que visam dar visibilidade a candidaturas pró-LGBT e lutar pelo respeito à diversidade sexual e de gênero -, os membros do coletivo também promovem pesquisas durante as paradas LGBTs de BH, Rio de Janeiro e São Paulo para gerar dados sobre essa parte da população.

Do release do LGBTflix a gente tem esses parágrafos aqui, que podem te interessar.

Durante isolamento social, plataforma LGBTflix disponibiliza gratuitamente filmes sobre diversidade sexual.

Promovida pelo #VoteLGBT, iniciativa visa atenuar impacto da quarentena para população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros.

Questões de gênero, abordagens sobre a diversidade dos afetos e debates sobre a vasta gama das vivências sexuais não-hegemônicas. Esses são os ingredientes do cardápio de produções audiovisuais que constam na plataforma LGBTflix (www.votelgbt.org/flix) uma plataforma totalmente gratuita, sem nenhuma relação com qualquer plataforma de streaming.

A LGBTflix  reúne curtas e longas-metragens que retratam a existência de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros.

Usuários podem selecionar entre os mais de 180 filmes brasileiros que integram a plataforma os títulos que tratam de sua temática predileta. Basta clicar em cada uma das letras da sigla LGBT, para em seguida ser direcionado à lista específica dos filmes.

A LGBTflix é uma iniciativa do coletivo #VoteLGBT pensada para atenuar o impacto do isolamento social causado pelo novo coronavírus. De documentários sobre relevantes questões sociais, passando por sátiras, olhares poéticos e obras ficcionais, a seleção de filmes reúne uma poderosa vastidão de olhares.

VoteLGBT, uma campanha para aumentar a presença de pessoas LGBTs na política.

“Esse período de isolamento social pega mais pesado nas pessoas LGBTs, porque muitas de nós não encontram na família um sistema de apoio. Imagina ficar isolado num lar opressor com pessoas que não respeitam seu nome e sua identidade!”, provoca o artista Gui Mohallem, um dos integrantes do #VoteLGBT. “Nesses tempos de quarentena, ficar longe de outras pessoas LGBT pode ser ainda mais penoso. Por isso, estamos organizando uma série de iniciativas para ajudar nesse momento, o LGBTflix é a primeira delas”, completa Mohallem.

A iniciativa também serve de janela para divulgação da extensa produção audiovisual brasileira, que encontra poucos espaços de exibição nacional. “De um lado você tem pessoas querendo se ver representadas, e de outro você tem uma produção cultural potente que enfrenta uma série de obstáculos para chegar ao seu público. Nossa galeria de filmes se propõe a ajudar nesse encontro”, explica Mohallem.

Se daí surgir alguma outra dúvida ou questão que você queira se aprofundar, conta com a gente.

tmj

gui mohallem

& coletivo #votelgbt

facebook.com/votelgbt

@votelgbt ( twitter e instagram)

www.votelgbt.org

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E se você quiser conversar comigo mandar suas dicas alternativas para pessoas caóticas como eu. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E as dicas do dia são os filmes “TAMAGOTCHI” (sobre uma jovem lésbica que decide desligar a internet e viver a vida real), “Adeus Estrada de Tijolos Amarelos” (um drama sobre um jovem gay, inspirado numa canção de Elton John),  “Depois do Almoço” (sobre a descoberta da bissexualidade no que parecia ser um típico almoço de domingo), “1º de julho” (sobre Vitória, uma mulher trans que decide mostrar ao mundo quem ela realmente é), “Entre os Ombros” (sobre a relação entre ume {linguagem neutra} jovem Intersexual e sua mãe). Esses filmes você pode conferir gratuitamente na LGBTflix. Por hoje é só, obrigado acessar o site e fiquem em paz.

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e tem a incrível habilidade de falar sobre “Admirável Mundo Novo”, “Simpsons”, “RPG”, e “Receita de Nuggets Caseiro” em uma coluna sobre escolhas.

3 Comments

  1. Everton Nucci disse:

    Os nuggets ficam muito bons. Podem fazer!

  2. Julie Any Garbin Frizarin disse:

    Gostei que você mencionou dos Simpsons e bem lembrado sobre os desenhos brasileiros (eu nem sequer sabia que existia 😒).

    • Everton Nucci disse:

      Tem sim Julie. Eu realmente gosto muito de “Superdrags” e recomendo. Mas fora esse temos também alguns muito conhecidos como os desenhos da “Turma da Mônica”, “Peixonauta”, “Irmão do Jorel”, “Fudencio e seus amigos”.

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