Entrevista: Pietro Silva, autor de “Através da Janela, Contos de Horror e Angústia”

Entrevista Por Fernando Fontana

Super Ninguém: Você está sozinho com sua namorada dentro de uma casa, ouve um barulho lá fora, sabe que há um assassino serial a espreita, você sai da casa para descobrir o que foi o barulho ou chama a polícia e fica em segurança?

Pietro: Sou absolutamente curioso e certamente seria o primeiro a morrer em uma narrativa de terror. Verificaria o que estava acontecendo, bem discretamente. Caso fosse mesmo o tal do assassino, buscaria ajuda e me armaria com o que tivesse na casa. Na dúvida, sacrifique a parceira. No meu caso, parceiro.

Super Ninguém: Na dúvida, sacrifique o parceiro ou parceira, deixa só eu anotar essa dica aqui, pode ser útil no futuro. Enquanto isso, para você, Pietro, o que é o horror?

Pietro: O incômodo, o arrepio, a angústia. Horror para mim é um conjunto de sentimentos que quase nunca exploramos, quase nunca temos contato. Daí, quando temos, acaba sendo de puro malefício. Não acredito que seja bem assim. Sentir horror é ruim, mas tem seu lado bom também, sobretudo nas obras artísticas, como a literatura e o cinema. Sem contar que é bom para o coração dar umas aceleradas de vez em quando.

Trecho do Conto “Meu Querido Aldo” escrito por Pietro Silva

Super Ninguém: Você começou a escrever cedo, aos doze anos, mas quando foi que o gênero do horror lhe chamou a atenção, quando foi que você pensou: “Ok, quero assustar as pessoas, quero fazer com que elas tenham dificuldade para dormir”?

Pietro: Desde muito cedo estive envolto em formas relativas ao horror. Era apaixonado por filmes do gênero quando criança e tinha muitos pesadelos. Imagine, eu não aguentava assistir certas cenas de Chucky, o boneco assassino, e mesmo assim persistia. Gostava mesmo. Quando comecei a escrever, e isso foi um processo natural, refleti aquilo que tinha conhecimento, aquilo que minha criatividade impunha: muito material de terror, horror e suspense preso na minha cabeça, pronto para ser colocado para fora.

Super Ninguém: O desconhecido para ser um dos grandes aliados do gênero, não é? O desconhecido e o medo dele? A maioria das pessoas não sabe lidar com isso.

Pietro: O desconhecido… quem usava muito do desconhecido era o Lovecraft. E tá aí, as pessoas realmente gostaram. Vejo o desconhecido com grande curiosidade e a maioria vê também. Ninguém vai à uma sessão espírita por puro entretenimento, distração ou “apenas para conhecer”. As pessoas querem ver, ouvir, sentir coisas que elas não têm contato, que elas não conhecem. Querem entender a morte e, com isso, suprir suas próprias necessidades acerca dela. No terror, vejo o desconhecido como um pilar. Não dá para falar sobre terror sem abordar o desconhecido. E isso faz parte da criatividade também. Um dos deveres do escritor é saciar curiosidades que as pessoas têm ou que elas nem imaginam que têm. Como a aparência de um ser demoníaco, por exemplo. E, sobre lidar, a gente não sabe lidar com o desconhecido mesmo, sabe lidar muito mal com a ideia dele. Até porque se soubéssemos lidar, não seria assim tão desconhecido.

Super Ninguém: Eu também não sei se é só comigo, mas eu sempre me assusto mais com obras com pé mais no chão. Quero dizer, uma porta que se move sozinha, uma voz sussurrada, uma sombra que passa pelo corredor, essas coisas sempre me assustaram mais do que um demônio com toneladas de efeitos especiais. Menos é mais, no caso, ou não?

Trecho do Conto “O Direito de Perdoar” escrito por Pietro Silva

Pietro: O melhor terror está na realidade. Se uma obra demonstra, fala sobre algo que pode acontecer com a gente a qualquer momento, que você próprio poderia estar vivenciando, traz mais medo, um pavor mais tangível. As coisas fantasiosas dão medo, mas não é algo que perdura. É a imagem, talvez, nesse caso. A forma e a probabilidade não existem. Ou, se existem, muito raramente alguém verá.

Super Ninguém: Quais são os autores ou cineastas que mais influenciaram a sua obra?

Pietro: Vira e mexe comparam minha obra com Allan Poe e Kafka. Devo dizer, embora tenho lido alguma coisa de Poe, Kafka é um total desconhecido para mim – ainda. Minhas bases de leitura foram Caio F de Abreu, por incrível que pareça, Dan Brown e Stephen King.

Super Ninguém: O livro e o filme que te provocam ou mais provocaram calafrios?

Pietro: Sou apaixonado pela franquia Sobrenatural, aquela da velha e do demônio vermelho. Acho muito bem produzido e o mais próximo do terror perfeito. Dá calafrios só de lembrar. Também gosto dos filmes com menor orçamento, por incrível que pareça, e de filmes com um ar maior de mistérios, ambiente obscuro. Você sente a coisa, mas não vê a coisa, como em Hereditário. Nunca cheguei a ler uma obra de terror completa. Sou cagão e prefiro romances policiais.

Super Ninguém: Aqui no Brasil, existem duas revistas que são clássicos do gênero do horror, a “Mestres do Terror” e a “Calafrio”. O Daniel Saks, responsável por ambas, já foi entrevistado por nós. Você já as leu, acompanha o trabalho?

Pietro: Ainda não. Mas fiquei bastante interessado.

Trecho do Conto “A Amante” escrito por Pietro Silva

Super Ninguém: Para quem, assim como o Pietro, estiver interessado, aqui vai o link da entrevista com o Daniel Saks, das revistas Calafrio e Mestres do Terror:

Entrevista Daniel Saks

Agora, vamos falar um pouco sobre o seu livro. Contos de Terror e Angústia é o seu primeiro livro publicado? Alguma razão em especial para escolher os contos ao invés de um romance?

Pietro: Através da Janela é o primeiro filho. Não escolhi, foi ele quem me escolheu. Todo o processo aconteceu muito naturalmente e até o título surgiu do nada. Acontece que já tinha bastante material, contos e crônicas, e estive tentando descobrir o que fazer com eles. Resolvi compilar e tornou-se uma opção lançar. Ta aí.

Super Ninguém: Você acrescentou a palavra angústia além de terror no título. Você diria que este sentimento é predominante em seus contos?

Pietro: Meus contos, nesse livro, em maioria causam essa sensação. Isso porque, segundo os leitores, descrevo as situações em detalhes e mesmo assim consigo ter uma escrita corrida. A sensação deve ser de pânico, imagino. Eu raramente me leio, só quando estou revisando, então não posso dizer com tanta propriedade.

Super Ninguém: São quantos contos no total? Você tem um ou mais de um que sejam os seus preferidos?

Pietro: No livro, são vinte contos. Desse, quero destacar os que fazem parte do segundo capítulo, que são tenebrosos. “A amante” e “Simpatia” são meus favoritos. Também tenho grande apreço por “O homem”, texto que encerra o livro. É o mais antigo também.

Super Ninguém: Existe algum conto cujo universo ou personagens você pretenda revisitar no futuro?

Pietro: Os leitores me perturbam por quererem uma continuação ou um outro conto no universo de “A casa das memórias”, querem saber porque Amanda fez aquilo. Vou dar o que querem. Há continuações prontas de alguns contos do livro. Não vou revelar quais. Que me sigam para saber e acompanhem os próximos livros. Só posso dizer que adoro a Charlotte de “Violência”.

Super Ninguém: Já está escrevendo um novo livro?

Pietro: Tenho um livro novo pronto. Já foi enviado para os processos necessários antes de lançamento. Chama-se “Tenra Eternidade” e será lançado em Agosto. É outro compilado de contos, “os contos da juventude”. Para dezembro, tenho um romance que estou escrevendo desde o inicio da quarentena, uma história de amor, intensidade e tragédia.

Super Ninguém: Finalmente, caso o leitor tenha ficado curioso, onde ele pode adquirir a obra?

Pietro: O leitor pode adquirir minha obra em uma porrada de sites. Amazon, Kobo, Apple Books e outros para cópia digital; Americanas, MercadoLivre, ShopTime e comigo mesmo a física. No meu instagram (autorpietrosilva) tem destacado uma árvore com os links principais de compra, além de muita coisa legal sobre o livro e autor também.

Leitura de Trecho do conto “O Direito de Perdoar”, presente no livro “Através da Janela”

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Sobre o Autor

Pietro Silva nasceu no Rio de Janeiro, 1996, teve uma infância pobre, porém alimentada pela arte e entretenimento das histórias dos quadrinhos, livros e animações. Aos doze anos, passou a escrever poemas e narrativas bem elaborados, conquistando professores e alunos com seu material ao longo dos anos escolares. Sempre cultivou a ideia de ter nascido para a criação e, formado no ensino médio, tornou-se um sonhador. Adulto, passou a produzir todas as esferas as esferas de narrativa, usando em destaque o grande apreço pelo terror e horror. “Através da Janela” é seu primeiro livro lançado.

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