Espectro Girl: No.6, humanos que caçam animais, e humanos que caçam humanos.

Um mundo futurista, dentro de muralhas onde tudo é perfeito. Após uma devastadora guerra, seis cidades-estados foram formadas com fins de recuperação total da parte boa da civilização formada pelas aparências, No.6 molda seus habitantes em sujeitos obedientes e submissos, a locomoção é restrita e qualquer desvio pode resultar em punições severas. Crianças, consideradas pilares do futuro, prometem lealdade e trabalhar duro por uma vida e uma nação, instruídas a nunca expressarem suspeitas sobre qualquer coisa que a cidade faça.

Shion, o rapaz que desde o começo se mostrou um admirador da natureza, em como ela era surpreendente e inesperada, assim como o tufão que passa pela cidade logo no primeiro episódio. Com uma educação rígida e sistema imaculado, o rapaz com o mesmo nome que uma flor abre suas janelas no meio da tempestade para aproveitar da natureza que tanto admirava, ao retornar é surpreendido por uma pessoa com o braço sangrando que imediatamente o ataca.

Nezumi, rato, no mesmo instante foi anunciado que esse rapaz era um fugitivo e todo o governo está a sua procura, Shion cuida de seus ferimentos e esconde o rapaz até mesmo de sua mãe. Aquilo era estranho para o rapaz, estava tão habituado a ser perfeito e ter tudo perfeito, estranhamente tinha uma imagem em seu quarto que quebrava esse estereótipo e ainda o explicou que seu ferimento foi de uma bala, não da patrulha de caça a animais, e sim de uma patrulha que caça humanos. A curiosidade é o primeiro passo para muitas coisas, ainda mais quando a perfeição se torna tediosa.

Capa do 1º Volume do Mangá, Nezumi e Shion respectivamente.

Assim como qualquer pessoa, Shion cresce e segue seu caminho que foi forçadamente alterado por ser descoberto escondendo um fugitivo, não se deixa abalar por tal acontecimento e começa um novo trajeto, sua mãe com uma pequena panificadora enquanto ele trabalha como vigia em um parque junto de outro rapaz. Determinado dia de trabalho, um cadáver surgiu na praça, mas a imprensa nada divulgou e o governo omitiu todas as informações do caso, e por ousar suspeitar dos superiores, Shion é preso. Por algum motivo, Nezumi resolve sua dívida com Shion e o salva, mas com a polícia na cola não podem ficar pela cidade ou em qualquer distrito dentro das muralhas.

“Bem-vindo ao mundo real”.

Pessoas vivendo na miséria, desgraça, violência e hierarquias absurdas, coisas que nunca existiram dentro daquelas muralhas para o jovem rapaz com nome de flor, enquanto para o rato já era algo comum.

O anime de 2011 trouxe consigo inúmeras criticas que abrangem até os dias atuais, discriminação entre as classes sociais e até como as mulheres diversas vezes usam de seus corpos para conseguirem sobreviver em ambientes hostis, um mundo onde dizer que todos somos iguais é extremamente fácil, mas a realidade e a prática fazem desse pensamento quase impossível de se realizar.

Alguns personagens carregam nomes que expressam diretamente a personalidade de cada um, Shion é o nome de uma flor, que assim como o rapaz, é inofensivo e belo, livre de maldades e cativante; Nezumi significa literalmente rato, o personagem é alguém que vive na espreita, nos lugares sujos e se aproveitando do que consegue, um ladrão experiente e um sobrevivente nato; e Inukashi que significa Guarda Cão, garota que foi criada por cães, e desde então cuida deles como se fossem sua família, agressiva e sempre alerta, hostil com desconhecidos e as vezes até com quem tem intimidade.

Inukashi e Shion, a garota usa seus cães como infiltrados para conseguir informações, assim como Nezumi usa seus ratos.

Dois contrastes femininos que podem ser apresentados são a Safu e a Inukashi. A primeira citada vive dentro das muralhas da história, na cidade utópica onde todos são bons e corretos, determinado momento da trama nos apresenta a garota em sua sala de aula, onde diz que todos os humanos possuem alma e vivem na natureza, fazendo assim todos iguais; já a Inukashi discorda explicitamente com tal discurso, em uma conversa com Shion a própria diz “Está dizendo que sou igual ao Nezumi? Igual a você? Igual a pessoas que vivem na No.6? Me poupe”. Para quem está no alto é fácil dizer que todos são iguais e felizes, quem está no fundo, percebe que jamais será igual a outro. Uma tem o objetivo de conquistar o coração de seu amigo de infância e ter um relacionamento com ele, a outra deseja viver e conseguir dinheiro para comprar seu pão no dia seguinte.

Fanáticos que seguem cegamente quem está no poder, tampam os olhos e os ouvidos para qualquer falha ou problema, afinal quem está no poder sabe o que faz e não tem o porquê se preocupar, isso está mais do que claro no anime. Alguém morreu e a imprensa escondeu? Não devia ser nada demais! A polícia imobilizou alguém e levou a força? Merecido, deveria estar aprontando! Acompanhando personagens dentro e fora das muralhas podemos ver como essas pessoas interferem diretamente na melhora de um sistema quebrado e utópico.

No.6, a Cidade Estado

Os personagens apresentam uma evolução explícita, na reta final, Shion apresenta como lidou com todo o seu passado, sendo uma vida de mentira e como ele lida com tudo agora sabendo como é o mundo real, como as pessoas são e como as coisas são divididas de fato, a existência de humanos que caçam humanos para manter sua posição e seus benefícios, o que para alguns foi um desenvolvimento exagerado, para outros é uma evolução condizente e da forma mais pura e cristalina possível.

Com uma pitada de fantasia e misticismo apresentados ao decorrer da história bem sutil, o anime tendo um final corrido e meio aberto pelo limite de onze episódios com vinte e três minutos cada, o mangá trabalha com mais calma o final e a conclusão, mesmo sendo apenas 9 volumes, consegue cativar na mesma intensidade.

Um grande problema para encontrar pessoas que conversem sobre esse anime é o fato de que grande parte assiste pelo casal presente na história; caso você encontre uma pessoa que assistiu apenas por essa razão, faça ela se sentar, ofereça uma água, como não apoiamos a violência por aqui, sugiro que você a faça assistir o anime novamente focando na história. Muitos detalhes passam despercebidos pelos olhares que estão curiosos apenas pelo casal, a primeira vez que vi esse anime eles me pegaram de surpresa, mas deixei passar e segui focando na história; jamais assista uma história de teor crítico e pesado procurando amores e fofuras.

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Espectro Girl não é fofa!

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