O Vale Nerd: CLAMP, a Magia do Vale.

Olá todo mundo, bem vindos ao vale! Eu sou Everton Nucci e hoje irei invadir o território da Spectro Girl para comentar um pouco sobre alguns de meus animes preferidos, desculpa ai Girl! Quero comentar sobre a CLAMP e de quão representativos são seus animes para a comunidade LGBTQIA+.

Mas quem é a CLAMP afinal? A CLAMP é um quarteto de mangakás japonesas composto só por mulheres que começou nos anos, 80 escrevendo e desenhando fanfics de mangás famosos (por lá chamado de doujinshi), os mangás fizeram tanto sucesso que tornou possível a elas lançar suas próprias criações originais. Desde sua primeira obra já haviam personagens andróginos e LGBTQIA+.

O selo faz um enorme sucesso tanto no Japão quanto aqui no Brasil, e por mais que sejam histórias do tipo shoujo (histórias voltadas ao público feminino japonês), ele também agrada aos meninos. Eu, particularmente, amo ler shoujo porque a arte é espetacular, os traços são limpos, detalhados, delicados e as personagens são sempre incrivelmente belas. Cabelos longos e esvoaçantes, quimonos com motivos minuciosos e quilômetros de tecido, rapazes gentis de rosto andrógino são comuns. Tudo isso para agradar às exigentes leitoras japonesas. A temática das histórias sempre envolve mais romance ou a vida cotidiana do que a ação desenfreada e cheia de testosterona dos mangás shounen (histórias voltadas ao público masculino japonês).

O universo da CLAMP é realmente um universo, ou melhor, um multiverso no qual todas as histórias se passam, e se você quiser saber como essas dimensões paralelas funcionam, basta ler os mangás “xxxHOLIC” e “Tsubasa Reservoir Chronicle”. Eles foram lançados ao mesmo tempo no japão pois as histórias corriam em paralelo e foi um deleite para o fãs da marca, contava com a participação de diversos personagens de outras obras do quarteto. Se você é fã pode conferir o site comemorativo de 30° aniversário da CLAMP que está totalmente em português acessando https://clamp-fans.com/pt/.

Tsubasa Reservoir Chronicle

Você pode até não estar por dentro do cenário japonês de mangás, e não fazer ideia de quais são as obras delas mas, tenho certeza de que você conhece alguma, pois fizeram um enorme sucesso na TV aberta nacional. Vou começar pela primeira delas: as “Guerreiras Mágicas de Rayearth”.

Até onde eu sei, é o primeiro anime de sucesso do grupo a ser exibido no Brasil. É do tipo mahou shoujo (subgênero do shoujo focado em garotas mágicas), mas além disso, a narrativa segue ao estilo RPG.

Guerreiras Mágicas de Rayearth

A história fala de três colegiais Lucy Shidou, Marine Ryuzaki, Anne Hooji (Hikaru Shidō, Umi Ryūzaki, Fuu Hō-ōji na versão original) que de forma abrupta são teletransportadas ao reino mágico de Cefiro para cumprir a profecia de salvar o reino da destruição.

Elas são recebidas pelo o Mago Clef (que seria o “mestre do jogo” determinando as Quests a serem cumpridas), elas também ganham um companheiro que mais tarde se tornaria o mascote da CLAMP o fofíssimo Mokona, uma criaturinha semelhante a um coelho, dotada de poderes mágicos que auxiliava as meninas sempre que necessário (Mokona também está em “Holic” e “Tsubasa”).

De início elas são obrigadas a aprender a lutar, descobrir como usar suas magias e a cada missão cumprida as guerreiras “ganhavam mais XP” ficando mais poderosas, sua armadura evoluía até chegar ao ápice: o uso dos Mechas, pois apesar da estética medieval, “Guerreiras Mágicas” tinha lutas de robôs gigantes (Gênios como eram chamados na história).

Até aí, eu realmente não havia visto nada demais no anime, mas o plot twist final foi o que me chocou para sempre e me fez notar que a CLAMP era única. O reino de Cefiro era governado pela princesa Esmeralda que foi sequestrada pelo seu sumo-sacerdote Zagard (Zagato no original), a dinâmica de vítima e vilão parecia muito clara desde o início.

E agora eu faço um aparte, continuo sendo 100% contra spoiler, mas quando a obra tem mais de 20 anos eu realmente acho que isso não faz o menor sentido e para comentar o anime eu irei falar sobre o final da primeira fase, portanto se não quiser saber pule o próximo parágrafo.

[spoiler]

Como disse, a dinâmica de vítima e vilã era clara, bem como a Quest típica de RPG, depois de muitos inimigos derrotados, muito XP obtido, as Guerreiras finalmente enfrentam Zagard. Elas o derrotam e quando pensam que irão salvar a princesa é que vem a grande surpresa: a profecia dizia que as guerreiras viriam de outro mundo para salvar Cefiro, não a princesa!

Na verdade a princesa era a grande responsável pela corrupção do reino pois seu poder, que sustentava aquele mundo, estava esgotando e ela precisava morrer para que a nova princesa surgisse revitalizando o reino. No fim das contas, Zagard a sequestrou por ser apaixonado por ela e não querer sua morte. As colegiais tiveram que cumprir a triste missão de assassinar Esmeralda que nesse momento já havia assumido a forma de um monstro.

[/fim do spoiler]

Eu sei que “Puella Magi Madoka Magica” é conhecido como o anime que subverteu o conceito de mahou shoujo mas, para mim, o final da primeira fase de “Guerreiras Mágicas de Rayearth” já havia feito isso há muito tempo.

Eu não achei a segunda fase tão interessante, ela funciona mais como uma redenção para as garotas que voltam ao reino de Cefiro para salvá lo de uma invasão interplanetária e voltarem de lá sem o trauma de terem de tomar uma decisão tão difícil quanto na primeira.

Nessa temporada conhecemos Geo Metro e seu Capitão Eagle Vision; Geo é o braço direito do Capitão e nitidamente apaixonado por ele, dando fortes demonstrações de ciúmes em vários momentos.

Sakura Card Captor, só vamos falar dela em outra coluna, mas mesmo assim vamos colocar a imagem aqui.

Vale lembrar que estamos falando de outra cultura e essa paixão não precisa necessariamente ser física ou mesmo retribuída. Amores platônicos parecem ser muito admirados em animes Shoujo, e não há como falar em amor platônico sem lembrar da Tomoyo, personagem daquele que talvez seja o título da CLAMP mais amado e mais conhecido no Brasil, estou falando de “Sakura Card Captor”, o anime que todo menino dos anos 2000 via e fingia que não.

É simplesmente lindo e eu não vou falar dele nessa matéria pois “Sakura” é especial demais para mim e merece uma coluna só dele e eu a farei assim que assistir à saga “Clear Cards”.

Em vez disso eu irei falar de outro mangá muito famoso entre os otakus e principalmente entre os fãs da CLAMP. Eu preciso falar de “X” (sim, o nome é só esse mesmo mas também é conhecido por X-1999, X-TV e X-Movie dependendo da versão). Se você nunca assistiu, leu e nem ao menos ouviu falar, eu posso descrever assim: Sabe aquele anime cheio de aventuras, romances, ação, humor, conquistas espetaculares, heróis cheios de vida e de animação, em que cada episódio é um novo deleite para a alma?

Pois é, “X” é o oposto! Ele é uma desgraceira só, assista se você quiser se recolher em posição fetal e chorar lágrimas de sangue por por semanas a fio.

Não tem como eu falar dessa coisa sem soltar spoiler, porque a batalha termina por W.O., a história acaba por que todos os personagens morreram (ok estou exagerando um pouco). Vamos fazer assim, eu vou propor o jogo do spoiler de schrodinger. A afirmação é: todos os personagens que se apaixonam na série morrem de uma forma trágica, exceto um casal. Agora cabe a vocês decidirem se isso é ou não um spoiler e se querem ou não assistir.

Anime “X” da CLAMP

Eu realmente não lembro dos detalhes, pois assisti enquanto ainda estava na faculdade, e não há nada no mundo que me convença a passar por aquele trauma novamente, portanto, vou falar só do que eu lembro, aceitem!

“X” conta a história de Kamui Shirou, um rapaz que volta a Tóquio depois de anos para rever sua amiga de infância Kotori Monou e seu irmão Fuuma Monou. Se bem me lembro, Kamui e Kotori sempre foram apaixonados (já falei que não vou assistir novamente), mas isso não importa muito, porque essa visita para matar as saudades não iria longe. Logo Kamui descobriria que fazia parte de uma batalha entre o Céu e a Terra e deveria escolher se iria integrar o grupo dos Sete Selos (ou Dragões do Céu) ou o grupo dos Sete Anjos (ou Dragões da Terra), o que obviamente é uma pegadinha que só pode resultar em desgraceira, já que esse anime não tem limites para tragédia.

Resumidamente, Kamui tem o poder da escolha: ser um Dragão do Céu, que significa lutar pela sobrevivência da humanidade (que está destruindo a natureza e os recursos da terra e inevitavelmente causará seu próprio fim), ou ser um Dragão da Terra, que significa lutar pela recuperação da natureza e do planeta (mas para isso a humanidade tem que morrer).

Olha que divertido! Excelente maneira de passar um fim de semana! Ah, mas tem a pegadinha por trás da pegadinha, no exato instante em que Kamui escolhe de que lado vai lutar, o outro lado também irá ganhar seu próprio Kamui para tornar a luta equilibrada. Esse outro Kamui vai ser uma pessoa detestável que merece morrer a qualquer custo? Não porque se fosse assim não seria “X”, seria “Dragon Ball Z”. Claro que a contraparte do protagonista só pode ser alguém de quem ele gosta muito, que é para tornar tudo ainda mais difícil.

Kamui Shirou do Anime “X”

“X” tem um visual deslumbrante, cada personagem é mais lindo do que o outro, tem muitas cenas de violência e algumas cenas de nudez, então não assista com seus filhos (ou com seus pais).

O mangá sofreu nos bastidores por tratar de um tema pesado e ser lançado na época em que o japão passava por desastres naturais, o que acabou encurtando a vida da obra.

O Anime tem 24 episódios e um filme que reconta tudo de uma outra forma (mais trágica). Fuuma tem uma dedicação enorme pela irmã e uma admiração tão grande quanto por Kamui, para mim fica claro que ele ama Kamui de forma platônica e nunca se declararia por não querer magoar a irmã.

Há muitas paixões, LGBTQIA+ na história, tem uma mulher que não sei quem é mas que é apaixonada pela Princesa Hinoto, tem o outro cara do qual eu não me lembro mas que ama tanto o Kamui da Terra que até se sacrifica para que seu amado viva. E muitas outras coisas que eu adoraria contar se o meu cérebro não tivesse bloqueado para evitar sofrimentos.

Brincadeiras aparte, “X” é realmente uma obra linda e merece todo o carinho que os fãs tem por ela. Não é uma obra alegre e, portanto, não é para qualquer um, mas eu digo que vale cada aperto no coração.

E se você quiser conversar comigo, falar qual seu mangá ou anime preferido da CLAMP. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E a dica do dia é o canal do Youtube “Bunka Pop”, um canal cheio de descontração no qual os apresentadores falam de animes e mangás usando cosplay. E se o assunto é CLAMP você pode conhecer o canal assistindo ao especial deles sobre o quarteto (disponível no final desta matéria): uma curiosidade é que os apresentadores o Jack Freitas e a Moo-Chan também são do vale, então bora prestigiar.

Por hoje é só, obrigado ler esse texto, continue a acessar o site e fiquem em paz!

Bunka Pop, Especial sobre CLAMP

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e teve que gastar uma fortuna com terapia por conta do anime “X”!

2 Comments

  1. Julie Any Garbin Frizarin disse:

    Everton, mesmo que a gente não entenda do assunto, você escreve de uma maneira que a gente passa a entender tudo do assunto. Está de parabéns como sempre!!!!!

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