Entrevista Vanessa Caldas: Autora do Livro “Made in Terra”

Vanessa Caldas é uma autora carioca importada dos Estados Unidos ainda criança.
Neta de avó poetiza, Vanessa foi criada no mar das artes em meio ao teatro, música, pintura e milhares de livros.
Almejou ser atriz ou artista plástica, contudo começou a cronicar a vida e suas aventuras  ainda adolescente, tendo encontrado na literatura sua maior paixão.
Contribuiu em diversos blogs até que concluiu sua primeira antologia intitulada “Crônicas Modernas e Um Conto que Não Virou Filme“. O livro de curta tiragem teve lançamento na Bienal do Rio de 2017 e centenas de downloads na versão digital.
No ano seguinte a autora criou o portal Nudez Mental onde conquistou seu público de uma vez por todas e publicou o e-book grátis LEIA! – O manifesto pró-leitura do Nudez Mental que tem milhares de acessos e downloads.
Além de escritora e artista, Vanessa é também uma dos sócias-fundadoras da Black Sheep Editorial e lança em 2020 o primeiro título do selo, “MADE IN TERRA”, livro sobre o qual falaremos na entrevista a seguir: 

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Super Ninguém: Vanessa, seja bem vinda ao menor e menos acessado site de entretenimento da internet, é um prazer poder conversar contigo. Seu livro, “Made in Terra”, fala sobre a chegada de alienígenas, e baseado no que tem sido este ano de 2020, acho que não seria uma má ideia uma intervenção extraterrestre por aqui. Pelo jeito, você apoiaria uma, certo?

Vanessa: Opa! Primeiramente obrigada pelo convite! Estou muito contente em estar falando ao grande pequeno público da Super Ninguém. Com relação à “intervenção” alienígena, até o termo me deixa cabreira! Não acho que seria uma coisa boa. Sou pessimista em relação a precisarmos de outra espécie para “ensinar” a gente a viver, sabe? Ou pior, reduzir a nossa espécie a algum tipo de experimento…

A humanidade ainda não alcançou seu ápice e podemos melhorar por conta própria!

Super Ninguém: Neta de Poetiza, criada no mar das artes em meio ao teatro, música, pintura e milhares de livros. Com tudo isso, você já se imaginou fazendo outra coisa que não algo ligado ao universo das artes?

Vanessa: Sim! Certa vez, me deram um livreto com profissionais para colorir e eu me lembro de achar que médica era a melhor profissão de todas e colori mais bonita que as outras, no auge dos meus cinco anos. rsrs

Super Ninguém: Antes de falar sobre o seu livro, acho interessante comentarmos sobre os seus outros trabalhos, você não é nova nesse vício que é escrever. Tem inclusive um portal, o “Nudez Mental”, com críticas de livros, poesias e crônicas. Quando você teve a ideia de criar o “Nudez Mental”, e qual a razão deste nome?

Nudez Mental, onde as palavras não tem pudor

Vanessa: O Nudez Mental nasceu em 2018. Ele surgiu da necessidade de ter um lugar para chamar de meu. Eu já havia escrito para alguns blogs e sites de notícias entre 2010 e 2015, mas não conseguia considerar textos “encomendados” como portfólio. Após lançar o meu primeiro livro em 2017, fiquei com a sensação de que precisava de algo mais livre onde pudesse colocar o que eu quisesse. E daí veio o conceito do site: um lugar onde as palavras não têm pudor e as artes são livres para correr, despidas de preconceitos, pela floresta do imaginário, como vieram ao mundo. Nudez Mental é a filosofia de despir-se daquilo que o mundo colocou em nós (doutrinas, conceitos, regras e condutas) e encontrar nosso cerne, nossa natureza por trás da cultura, que muitas vezes se manifesta através da arte.

Super Ninguém: Uma rápida olhada nas críticas literárias de seu portal e encontramos: “Teoria King Kong”, “Mulheres e Poder – Um Manifesto”, “Mulheres e Deusas”, “Sejamos todos Feministas”. Impossível não perceber a sua forte ligação com o movimento feminista. Essa ligação influencia a sua escrita, tanto no “Made in Terra”, livro sobre o qual já vamos falar, quanto na antologia “Crônicas Modernas e um Conto que não Virou Filme”, lançada em 2017?

Vanessa: Li uma frase recentemente:

Eu sempre vi coisas erradas e achei que alguém podia fazer algo para mudar aquilo. E então me dei conta de que eu era alguém.

Eu não sei porque essa pessoa demorou tanto para se tocar que era alguém, e que podia tentar melhorar as coisas, mas eu já nasci com isso. É esse senso de justiça que sempre acaba influenciando em tudo na minha vida e exala no que escrevo.

O feminismo foi algo que entrou na minha vida de uma forma devagar, quase imperceptível, enquanto eu me aprofundava em estudar filosofia. Muito antes disso, o sentimento de querer resolver as injustiças do mundo já habitava em mim. Me tornar feminista apenas intensificou aquilo que eu já praticava antes, que era ser contra o que eu achava errado.

Made In Terra, O que você mudaria no Mundo?

Super Ninguém: “Made in Terra” é sua primeira incursão no terreno da ficção científica? Naquele mar de artes no qual estava mergulhada desde pequena, quais obras foram responsáveis por despertar seu interesse nesse gênero?

Vanessa: Eu escrevi alguns contos do gênero ao longo dos anos, mas nenhum trabalho tão extensivo que demandasse pesquisas acadêmicas ou nada do tipo. A experiência de escrever Made in Terra foi mais profunda e tive que estudar muito para alcançar o que minha imaginação visualizava. A primeira obra que me despertou para esse gênero foi Ludi na Revolta da Vacina. Onde a personagem viaja no tempo, andando pelo Rio de Janeiro, e eu queria fazer o mesmo!

Pouco depois me apaixonei pelas obras de Júlio Verne, que me influenciam até hoje.

Super Ninguém: Você poderia nos dizer quais são os protagonistas e do que se trata a história do livro? É um futuro próximo ou distante? Há uma diferença gritante entre a nossa tecnologia e a presente no seu universo literário?

Vanessa: Com essa eu vou ter que tomar cuidado, pois se deixar eu conto tudo! rs

A história se inicia em 2019, é dividida em duas partes e é narrada por Alba Johnson, que logo vai morar na Lua com sua família. Alba narra a história desde o nosso presente, relatando suas memórias e memórias de outros personagens até chegar no futuro, onde ela está, com mais ou menos 32 anos. Dessa forma o leitor acompanha a evolução da tecnologia, junto com a evolução da Alba.

O livro busca questionar o que nos torna humanos, o que somos capazes de realizar, e a nossa autossabotagem diária. É uma grande teoria filosófica e trata das transformações necessárias no mundo para que a humanidade seja superior à outras espécies inteligentes, e que possamos defender nosso planeta em caso de um ataque. Coisa que se acontecesse hoje estaríamos ferrados!

Entre lutas, invenções, descobertas e tragédias, cada personagem evolui de uma maneira, ao passo que a humanidade alcança seu ápice tecnológico em meio à uma ferrenha crise política.

Tracy Fields é uma das pessoas às quais Alba pôde assistir as memórias. Tracy é uma antropóloga famosa na internet, ela é a pessoa que faz o “primeiro contato” com os alienígenas e acaba se tornando uma líder do novo governo.

A alienígena Jeannie ainda é um bebê em 2019, mas à medida que cresce, vai se tornando mais presente na história e figura a segunda parte e o grande final ao lado de Alba e também de Lizzie, que é uma personagem mais ativa na segunda parte.

Lizzie é uma das minhas personagens favoritas e peça chave na evolução da tecnologia desde o começo do livro, mas vocês vão precisar lê-lo para entender o porquê.

Um Mundo Melhor ou Pior?

Super Ninguém: Aqui vai um trecho retirado da sua sinopse: “o sistema capitalista é destruído dando lugar à uma nova forma de se viver que inicia a colonização da Lua e de Marte”. Qual sistema os alienígenas (estou aqui supondo que foram eles que derrubaram o sistema capitalista, pode me corrigir se eu estiver errado) implementaram no lugar?

Vanessa: Ahhh, mas essa pergunta está capciosa demais! Rs

Eu vou me reduzir a dizer que os alienígenas são o menor dos nossos problemas! O novo sistema é uma das reflexões filosóficas que há no livro e que cada leitor irá interpretar de uma maneira. Estou ansiosa por essa discussão politica, inclusive! 

Super Ninguém: Você diria que a humanidade em seu livro vive uma utopia, uma distopia ou nenhum dos dois? Os seres humanos vivem melhor após a chegada dos alienígenas?

Vanessa: A ideia inicial é bastante utópica, mas matematicamente falando é impossível criar um mundo perfeito para todos, então sempre haverá alguém que pensa diferente e não acha aquilo perfeito. Sendo assim, ao invés de criar algo lúdico eu preferi colocar as tensões políticas que rodeiam o ideal utópico tornando essa ambientação mais realista e aguçante.

Super Ninguém: Você se identifica com algum dos personagens de seu livro, com seus sonhos ou aspirações?

Vanessa: Eu me identifico bastante com a Tracy no sentido de tomar para si responsabilidades que não são suas e achar que pode resolver tudo, mas não foi algo proposital. O que foi proposital, é que, assim como a Alba, eu também nasci e morei no sul dos estados unidos quando criança e fui morar em “outro mundo”, o Brasil.

Super Ninguém: No Book Trailer de seu livro (assista a seguir), somos questionados: “e você, o que você mudaria no mundo”? E você, Vanessa, o que você mudaria no mundo?

Vanessa: Tudo que eu queria mudar no mundo, o abismo social, as pessoas que são esquecidas, as nossas limitações físicas, doenças… Enfim, tudo que eu achei que seria possível de alcançarmos enquanto eu estiver viva, está lá. É o meu voto de esperança para a humanidade. É a semente que eu estou plantando para o futuro.  

Super Ninguém: Há planos para uma continuação do livro ou a história se encerra nele?

Vanessa: O livro tem uma história independente e não precisa de sequência, mas eu adoraria! A protagonista surgiu de um adesivo comemorativo que vi em uma parede e dizia “Alba 60 anos”. Eu gostaria de levar essa história até os 60 anos da Alba, e deixei espaço para uma continuação, mas isso vai depender do desejo do público.

Super Ninguém: A pré-venda já está disponível, para quando está previsto o lançamento de “Made in Terra” e onde o leitor pode encontra-lo?

Vanessa: O leitor pode se cadastrar para participar da pré-venda que terá quantidade limitada a um preço promocional. Este cadastro vai se encerrar dia 30/06 e o lançamento está previsto para o dia 4 Julho. 

Após o lançamento, a versão digital estará disponível nas principais plataformas (Amazon, Google Play e Ibooks) mas terá um valor reduzido na plataforma Hotmart onde a Black Sheep Editorial tem parceria e recomendamos que comprem por lá. Quem comprar a versão digital ganhará um desconto na compra do físico e quem preferir o físico também pode se cadastrar no site pois faremos a produção sobre demanda, chegando à casa dos leitores no início de Agosto!. Todos os links estão disponíveis no meu site, perfis de redes sociais e diversos bookstagrams de parceiros. 

O Cadastro pode ser feito pelo link a seguir:

Cadastro Pré Venda “Made in Terra”

1 Comment

  1. Rafael Oliveira disse:

    Parabéns ! Entrevista ficou ótima !! Doido para ler Made In Terra

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