Quadrinhos: O Que Aconteceu com o Capitão Stone?

Por Fernando Fontana

Contém Spoilers

Já aconteceu de você ir no cinema e entrar para ver um filme que nem trailer você tinha visto, sem expectativa alguma, e acabar curtindo muito o filme?

Basicamente foi o que aconteceu com “O Que Aconteceu com o Capitão Stone”, da Mythos Editora, um quadrinho independente com roteiro de Liam Sharp e de Christina McCormack (que são casados) e arte de Liam Sharp; comprei por curiosidade e acabei tendo uma grata surpresa.

A história mostra o desaparecimento do Capitão Stone, primeiro e único super-herói da Terra, um sujeito enorme, vestindo um colante roxo ridículo, e que teve o seu auge durante a década de 90, quando sua popularidade era tão alta, que se transformou em desenho animado, filme, álbum de figurinhas, entre outras formas de atrair a atenção dos fãs.

E ele não era apenas uma criação midiática, era eficiente também:

O Capitão foi maior que Michael Jackson, Elvis, Madonna, meu Deus, até os liberais foram obrigados a reconhecer que o cara fazia a diferença. Era uma força do bem, amado pelos conservadores enquanto os barões das drogas e os traficantes de armas tremiam ao ouvir seu nome.

O Capitão Stone, amado pelo público, eficiente no combate ao narcotráfico.

A derrocada do super-herói teve início com os eventos relacionados ao atentado terrorista de 11 de setembro no World Trade Center, quando ele foi acusado de ser incapaz de impedir o ocorrido, para logo depois apoiar a invasão do Iraque, tendo sido, inclusive, responsável direto pela prisão do ditador Saddam Hussein.

A revelação de sua identidade secreta seria, no entanto, a principal responsável pela queda de sua popularidade.

Aqui temos uma questão interessante levantada pelo roteiro. Vocês já se perguntaram como Bruce Wayne seria visto caso fosse real? Wayne, visando evitar que descubram que é o Batman, criou uma personalidade fútil, viajando, bebendo, sempre cercado por lindas mulheres, usufruindo da fortuna herdada de seus pais.

Imagine agora sua identidade exposta como um milionário mimado, que durante a noite se veste de morcego para espancar criminosos?

O tribunal popular não perdoa e quem ontem era ídolo, hoje é cancelado.

Outra personagem que tem grande importância na trama é a modelo Charlotte Chance, ou Charlie Chance, identidade secreta da “Mascote”, uma eco terrorista que combate a indústria da carne.

A conexão existente entre ela e o Capitão é o que move a trama adiante, já que, apesar de sermos informados sobre a carreira de Stone, ele está ausente, desaparecido, é um mito que agora faz parte do passado.

Além disso, o roteiro ainda brinca com alienígenas e realidades alternativas, em uma mistura, que, vejam só vocês, funciona.

A Impressionante arte de “Capitão Stone”

As ilustrações de Liam Sharp são um show a parte; por ser sua criação, longe do eixo Marvel/DC, ele teve liberdade para desenhá-la como bem entendesse, e o resultado é incrível. Sem se ater a um único estilo, cada página é uma pintura, uma obra de arte, que te faz parar para observar os detalhes.

Essa é a essência das histórias em quadrinhos, não é? A mistura de história e ilustrações, você pode valorizar mais uma ou outra, dependendo de seu gosto pessoal, mas quando apenas uma delas funciona, a obra fica capenga.

Trata-se de uma obra que você dificilmente irá se arrepender de ter em sua coleção, e que normalmente é encontrada por um preço bastante razoável.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

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