Segunda Animada: Esquadrão Suicida – Acerto de Contas.

Por Fernando Fontana

Semana passada, nesta mesma coluna, falamos sobre “Vingadores Confidencial”, uma animação da Marvel Comics repleta de violência, mas que evitava mostrar sangue; este não é o caso de “Esquadrão Suicida – Acerto de Contas”, aqui o sangue jorra em grande quantidade e personagens importantes morrem! O que faz sentido ao olharmos para o nome da equipe.

A premissa é bastante interessante, Amanda Waller, chefe da Força Tarefa X, também conhecida como Esquadrão Suicida, está morrendo de Câncer Terminal, com apenas alguns meses de vida. Sabendo que durante toda sua existência suas ações lhe garantiram um lugar no inferno, ela decide burlar as regras para salvar a sua já condenada alma.

Para isso, ela reúne em uma missão por baixo dos panos, uma equipe formada por Pistoleiro, Tigre de Bronze, Nevasca, Cobra Venenosa, Capitão Bumerangue e Arlequina, para que localizem Maxum Steel, codinome de um stripper, e roubem um cartão místico que, supostamente, dá passe livre para o céu, em caso de morte do seu portador.

Sim, Amanda Waller está morrendo e não quer pagar os seus pecados no fogo e enxofre, junto do tinhoso.

Como sempre, para garantir a cooperação dos criminosos sob seu comando, um pequeno explosivo é instalado no crânio de cada um, acionado a qualquer momento por Waller, no caso de um deles sair do controle.

Amanda Waller e quatro membros do seu Esquadrão Suicida, Bumerangue, Arlequina, Pistoleiro e Nevasca.

Logo de cara, temos um problema com relação a um dos membros . Arlequina é uma personagem divertida, e que já mostrou potencial em sua própria série “Harley Quinn”, já na sua segunda temporada, ou em seu filme “Arlequina e sua emancipação Fantabulosa”, mas ela simplesmente não se encaixa na proposta do Esquadrão Suicida, e sempre me parece uma forçação de barra mante-la na equipe.

Estamos falando de missões que precisam de ações coordenadas e onde um erro pode ser fatal, e manter uma personagem sem qualquer poder e capaz de atitudes insanas a todo momento, colocando a equipe em risco, simplesmente não faz sentido. Waller jamais aprovaria.

Fato é que ela está na equipe, e acaba proporcionando boas risadas. Essa é uma marca dessa animação, apesar da violência e do sangue, há uma boa dose de humor presente.

Pistoleiro, o líder da equipe em campo.

Uma das melhores coisas nas missões do Esquadrão Suicida é justamente a interação entre seus membros, que só se aturam e não fogem, porque suas cabeças podem explodir caso Amanda Waller aperte um botão.

No caso da formação de “Acerto de Contas”, além da loucura de Arlequina que parece estar em um passeio de férias, a interação entre o Pistoleiro e o Tigre de Bronze acaba proporcionando bons momentos.

Floyd Lawton, nome verdadeiro do Pistoleiro, é um assassino frio, que dificilmente erra um tiro e que já matou inúmeras pessoas por um preço, e por isso acabou atrás das grades.

Já o Tigre de Bronze é um dos melhores, senão o melhor artista marcial do universo da DC Comics, e único membro do Esquadrão que pode ser considerado um dos mocinhos, tendo sido preso por se vingar dos assassinos de sua noiva.

Ele se recusa a matar, retirando uma vida somente quando não há outra alternativa.

As personalidades do Tigre e do Pistoleiro, por razões obvias, acabam se chocando durante a missão, e até mesmo a liderança do grupo acaba sendo modificada por Waller.

Interessante também é que, apesar de Lawton ser um assassino, ele não é retratado como um monstro sem sentimentos unidimensional e nem tão pouco como alguém que não teve escolha, o personagem ganha destaque e é melhor explorado do que outros membros da equipe como o “Cobra Venenosa” ou o “Capitão Bumerangue”.

Tigre de Bronze e Pistoleiro, personalidades que inevitavelmente entrariam em confronto.

Entre os vilões que os vilões do Esquadrão precisam enfrentar estão Arrasa Quarteirão, Banshee Prateada e Professor Zoom, também conhecido como Flash Reverso.

Este último também seria um problema para a animação, por razões diferentes da Arlequina, ele planeja muito bem suas ações e seus poderes permitiriam que ele, sozinho, eliminasse todos os membros do Esquadrão Suicida, já que nenhum deles é páreo para sua super velocidade.

O roteiro, no entanto, encontra uma solução surpreendente para limitar os poderes do Flash Reverso, que, ao mesmo tempo liga esta animação à “Liga da Justiça – Ponto de Ignição”, também pertencente ao universo animado da DC Comics, e já criticada aqui nesta coluna (para ler a crítica é só clicar aqui).

Flash Reverso com seus poderes limitados presente em “Esquadrão Suicida”

Zoom, assim como outros vilões também querem o cartão místico procurado por Waller pelas mesmas razões, se céu e inferno existem, então, a única maneira de cantar com os anjos, é burlar o sistema, ou se arrepender dos pecados, o que para a maioria deles, simplesmente não é uma opção.

O que torna tudo ainda mais interessante, é que roubar o cartão de seu portador, normalmente uma operação simples, é bem mais complicado do que parece, isso porque, meter um tiro na cabeça do alvo não é uma opção, pois o poder do artefato seria ativado e o propósito da missão iria para o espaço, com a alma do falecido indo bater nos portões do paraíso.

Veja que se um dos membros do Esquadrão decidir roubar o cartão e fugir, a própria Amanda Waller não poderia acionar o seu mecanismo de controle, explodindo a cabeça do fujão, pelas razões explicadas acima.

E o final, que poderia se encaminhar para algo meramente piegas, acaba sendo uma grata surpresa, já que faz sentido com o histórico dos personagens.

Contando ainda com a presença do imortal Vandal Savage, das vilãs “Nocaute” e “Escândalo”, e do herói Senhor Destino (o confronto entre as duas vilãs e o herói é incrível), “Esquadrão Suicida – Acerto de Contas” consegue o que o filme do diretor David Ayer não conseguiu, mostrar um roteiro com um mínimo de coerência e capaz de nos fazer acreditar que os personagens realmente estão em uma missão suicida.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

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