Segunda Animada: Lanternas Verdes – Cavaleiros Esmeraldas

Por Fernando Fontana

Nos primeiros minutos da animação “Lanternas Verdes – Cavaleiros Esmeraldas” , lançada em 2011, descobrimos que no Sol em que orbita o planeta Oa, lar dos Guardiões do Universo e da Tropa dos Lanternas, um terrível mal está prestes a emergir; Seu nome é Krona, julgado e punido bilhões de anos atrás por ousar obter conhecimento proibido sobre o nascimento do universo, desencadeando imensa destruição e criando um universo de anti-matéria, ele agora o habita e comanda uma legião de demônios sombrios.

Caso Krona consiga passar por uma fenda entre os universos, toda a criação corre sério risco.

Esta trama épica envolvendo o fim dos tempos, no entanto, serve apenas de pano de fundo para que Hal Jordan, Lanterna Verde da Terra, conte histórias para a recruta Arisia, recém incorporada na Tropa, ocupando pouco espaço no decorrer da animação.

Lanterna Verde Arisia, recruta de Hal Jordan em Cavaleiros Esmeralda

Enquanto Oa é evacuado às pressas, os Lanternas Verdes vigiam o Sol, aguardando o surgimento de Krona ou de seus demônios, enquanto isso, Hal começa a contar histórias para a recruta; são cinco no total, narrando os feitos dos Lanternas Verdes, tanto aqueles que já se foram, quanto os que ainda permanecem na Tropa.

É um grande acerto, pois somos apresentados à características e conceitos pertencentes ao universo dos Lanternas Verdes.

Na primeira história, vemos o surgimento dos quatro primeiros Lanternas Verdes, entre eles, Avra, um mero escriba dos Guardiões, escolhido como digno pelo anel. É Avra que irá perceber o real potencial da arma que lhe foi entregue, compreendendo que quanto maior a força de vontade de seu portador, maior o seu poder. Ele também fará o primeiro construto, ao invés de simplesmente disparar rajadas energéticas.

Além da habilidade de formar construtos, e do poder vinculado à força de vontade, aprendemos que um Lanterna Verde deve ser digno. Não são os maiores guerreiros que são escolhidos, mas os mais valorosos (com exceção talvez de Gnort e Guy Gardner, mas falamos sobre isso em outra oportunidade).

Avra, o primeiro Lanterna Verde a utilizar construtos

Na segunda, temos Kilowog sendo treinado pelo sargento Deegan, instrutor da Tropa.

É divertido ver Deegan treinando seus recrutas, no melhor estilo Sargento Hartman de “Nascido para Matar”, aos berros e com ofensas seguidas (embora, é bom que se diga, pegando muito mais leve do que Hartman), tentando extrair o máximo deles.

O conceito de tropa fica bem evidente aqui, os Lanternas Verdes são um exército comandado pelos Guardiões, com a finalidade de manter a paz e o equilíbrio no universo através do uso da força, quando necessário.

Deixaremos passar a liberdade poética de atribuir a patente de sargento para o instrutor Deegan.

Na próxima somos apresentados à Lanterna Laira, que é enviada para confrontar seu próprio pai em seu mundo natal. Trata-se de uma história sobre a lealdade para com a tropa dos Lanternas Verdes, que deve superar inclusive a lealdade para com seus familiares.

Não é por acaso que o visual, as armas e os costumes do Planeta Natal de Laira sejam tão parecidos com o Japão Feudal, onde a honra é o maior dos valores. Um Lanterna Verde ao adentrar a tropa faz um juramento que deve guiar sua existência dali por diante e que é conhecido pelos fãs:

“No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença. Todo aquele que venerá o mal há de penar, quando o poder do Lanterna Verde enfrentar”.

Lanterna Verde Laira em Cavaleiros Esmeraldas

Os fãs que acompanham os quadrinhos, sabem que o futuro dessa Lanterna Verde é sombrio, envolvendo sua expulsão da Tropa e a ligação com os Lanternas Vermelhos, liderados por Atrocitus.

Essa fase não aparece na animação, mas na história seguinte, Sinestro e o Lanterna Abin Sur (cujo anel, após sua morte, escolheria Hal Jordan), enfrentam Atrocitus, muito antes de se tornar um Lanterna Vermelho, mas já odiando a Tropa dos Lanternas Verdes.

A característica abordada agora é o destino, sua existência ou não. Atrocitus e Abin Sur acreditam que o destino já esteja traçado, enquanto Sinestro discorda. Os Guardiões do Universo partilham da opinião de Abin Sur, uma vez que seu livro sagrado possui profecias sobre seu futuro, dos Lanternas e do Universo.

Por último, uma história onde percebemos que, apesar da maioria dos Lanternas possuírem características humanoides, todo e qualquer ser vivo e pensante pode receber um anel e integrar a Tropa, desde um minúsculo esquilo, até Mogo, o Planeta Vivo.

Mogo entra para a galeria de Lanternas Verdes mais estranhos, e é o protagonista dessa história onde um guerreiro disposto a se tornar o maior de todos, busca pelo famoso Lanterna Verde, sem, de fato, saber quem ele é.

Lanternas Verdes atacando Krona em Cavaleiros Esmeralda, Sinestro em primeiro plano

São cinco histórias, cada uma dando conta de aspectos diferentes e importantes da Tropa dos Lanternas Verdes, o que é muito bom, mas por terem pouquíssimo tempo, não permitem que as tramas e os personagens sejam devidamente desenvolvidos.

Um exemplo disso, é a trama que dá inicio à animação, envolvendo Krona e que está presente enquanto Jordan conta as histórias para Arisia. Ela termina de forma tão rápida e abrupta, que mal sentimos receio ou medo diante de uma ameaça que colocava o universo em risco.

Quando você percebe, tudo já acabou. E nesse caso, talvez fosse melhor colocar Jordan contando histórias para recrutas ao redor de uma fogueira.

Por último, como já citado neste texto, o poder dos Lanternas está ligado à sua força de vontade, algo tão abstrato que sua imprevisibilidade pode ser comparada com o uso de magia em uma trama. A liberdade é tanta que, em um momento, um Lanterna é capaz de destruir uma frota de naves alienígenas sozinho, enquanto em outro é derrotado por armas de mão.

Munidos do conceito da força de vontade, os roteiristas podem reduzir ou aumentar o poder dos anéis ao seu bel prazer, fazendo com que um Lanterna experiente seja derrotado e um novato destrua a ameaça logo em seguida, o que acaba sendo um pouco frustrante para quem assiste.

Apesar destes problemas, no geral, “Lanternas Verdes – Cavaleiros Esmeraldas” tem mais altos do que baixos, é divertido para quem gosta da mitologia da Tropa e uma espécie de tutorial para quem quer conhece-la.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, e mantém o recorde de 679 projetos iniciados e não concluídos.

Também escreve para o Canal Metalinguagem, onde fala sobre quadrinhos e filmes antigos.

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