Por Fernando Fontana

Não se engane pelo título, “Batman: Assalto ao Arkham” é muito mais uma história sobre o Esquadrão Suicida do que do Homem Morcego. Lançada em 2014, direto para vídeo, narra uma tentativa de invasão do Asilo Arkham por parte da Força Tarefa X, que segundo a descrição de Amanda Waller:

É uma equipe não oficial do governo, composta por prisioneiros sem chance de liberdade, servindo como agentes descartáveis em missões impossíveis”

Apesar de ter gostado de “Esquadrão Suicida – Acerto de Contas”, achando-o muito melhor do que o filme, é possível, logo de cara, apontar dois pontos em que “Assalto ao Arkham” o supera. Primeiro na qualidade do traço, inegavelmente melhor, e segundo, no objetivo da missão. O elemento sobrenatural, presente em “Acerto de Contas” é abandonado; o Esquadrão deve entrar e sair de um prédio de segurança máxima (ou pelo menos deveria ser), localizado dentro do território do Batman.

É o tipo de missão que dá o nome para a equipe!

Capitão Bumerangue, Nevasca, Tubarão Rei, Pistoleiro, Aranha Negra e Arlequina formam a equipe do Esquadrão Suicida escalada para invadir o Arkham.

Pouco antes de ser preso pelo Batman e trancafiado no Arkham, o Charada, anteriormente um dos membros do Esquadrão, roubou os dados referentes à Força Tarefa X, incluindo todos os criminosos que fizeram, fazem ou poderão fazer parte dela um dia. Estes dados foram guardados em um dispositivo dentro de sua bengala, que agora está guardada junto com os pertences de todos os outros internos.

Amanda Waller envia uma equipe formada por Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Tubarão Rei, Nevasca, Aranha Negra e Arlequina, com a missão de recuperar o dispositivo, ou, pelo menos, é o que ele dá a entender no princípio.

Eu já falei antes e repito, Arlequina é uma personagem instável demais e sem poderes ou habilidades que justifiquem o seu envio para uma missão onde um pequeno erro pode significar a morte. Aqui, isto não acontece, e o roteiro encontra uma justificativa bastante plausível para enviá-la; antes de se transformar na insana namorada do Coringa, a Dra. Harley Quinn trabalhou como psiquiatra no Asilo Arkham, conhecendo detalhes importantes do prédio e de sua administração.

Arlequina e Pistoleiro em “Assalto ao Arkham”

É claro que o fato do Coringa estar preso no Arkham é um problema a ser levado em consideração, mas Arlequina diz que eles romperam o namoro e que já o esqueceu, então, vida que segue.

E já que estamos falando de personagens problemáticos, vamos perder um tempo batendo um papo sobre o Capitão Bumerangue.

É difícil de entender como alguém com a habilidade de atirar bumerangues consiga ser um membro da galeria de vilões do Flash. Sério, quanto tempo o velocista precisa para acabar com ele?

Sim, há momentos em que ele demonstra o quão bom é com seus bumerangues, mas também há uma cena onde fica nítido que um personagem bom o suficiente com armas de fogo seria muito mais eficiente.

Creio que a única razão para que Amanda Waller insista em enviá-lo nas missões seja o fato dela desejar secretamente que o vilão seja abatido e não retorne.

Ah, sim, tem o nome do Batman no título, então é justo que ele esteja presente, até porque Gotham City é seu território, e, por razões óbvias, ele possui forte interesse em tudo que acontece no Asilo Arkham.

Provavelmente metade dos seus internos foi enviada para lá pelo Homem Morcego.

Batman em “Assalto ao Arkham”

O herói está em uma missão onde falhar não é uma opção. O Coringa colocou as mãos em uma bomba nuclear, e sendo ele provavelmente o mais insano dos inimigos do Batman, parece bem evidente que ele teria coragem suficiente para utilizá-la e dizimar instantaneamente metade de Gotham City.

Com todos este elementos presentes foi impossível não criar grande expectativa no começo da história, mas ela perde força no seu desenvolvimento.

No primeiro ato, parece que estamos diante de uma missão onde o Esquadrão irá se infiltrar no Arkham, no melhor estilo Missão Impossível, com cada elemento agindo no momento certo em uma ação meticulosamente coordenada, tentando a todo custo não chamar a atenção do Batman, mas não é o que acontece, e o roteiro acaba abandonando a sutileza e descambando para a violência pura e simples, o que é mais a praia de personagens como o Tubarão Rei.

Chamam atenção também as decisões tomadas por Amanda Waller.

Amanda Waller em Assalto ao Arkham

Nos primeiros minutos da animação, Waller faz um discurso para os membros do Esquadrão e demonstra, de forma bastante dramática, que não irá admitir que suas ordens sejam contrariadas, ou que tentem faze-la de idiota.

Demorem para me responder ou tentem fugir e eu explodirei suas cabeças.

Praticamente durante todo o segundo ato é o que o Esquadrão tenta fazer, ludibria-la, de forma bastante evidente até, e o discurso inicial fica na conversa.

Finalmente, outro ponto questionável, é a fuga de prisioneiros do Arkham, sendo que, somente para citar o exemplo mais evidente do absurdo, Bane estava preso com seu traje e seu equipamento para injetar veneno (uma espécie de super anabolizante).

Bem, resumindo, a história tinha potencial para ser uma das melhores coisas já produzidas pela DC, levando-se em conta a premissa, os personagens envolvidos e o cenário, mas o roteiro acaba indo por um caminho mais simples e este potencial não é alcançado.

Não é ruim, bem longe disso, é muito bom ver o Esquadrão Suicida em uma missão com a cara do grupo, mas podia ser melhor.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o Diabo e os Super-Heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

1 Comment

  1. Lorena Soeiro disse:

    Essa história teria funcionado bem no cinema

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