Entrevista com Robert Kronos, autor de “O Cavaleiro da Maldição”

O mineiro Robert Kronos apaixonou-se por fantasia medieval ao conhecer “A Guerra dos Tronos”, e agora, após dez anos desenvolvendo o seu próprio universo fantástico, lança “O Cavaleiro da Maldição”, primeiro livro da Saga “Os Sete Mares da Antiguidade”, reunindo viagem no tempo, magia, mitologia grega e egípcia e protagonistas emaranhados em uma teia de conspirações.

Confira tudo isso na entrevista a seguir:

Super Ninguém: Robert Kronos, o pseudônimo foi inspirado no deus grego?

Kronos: Sim. Sou tão apaixonado por viagem no tempo (e sim, sou um dos viajantes de 2050 mencionado por vocês) e por mitologia grega que busquei inspiração em Chronos, um dos deuses primordiais e reconhecido deus do tempo. Termos como crônicas e cronologia derivam de “Chronos” e tem tudo a ver com literatura fantástica. A letra K está ali mais para uma função visual dentro do pseudônimo.

Super Ninguém: E já que estamos falando no deus Cronos, o seu livro “O Cavaleiro da Maldição”, envolve viagem no tempo, tema que provavelmente mantém o título de maior campeão de paradoxos e furos no roteiro. A viagem no tempo e as transformações causadas por ela exercem um papel essencial na trama?

Kronos: Sim, essencial, para não dizer FUNDAMENTAL. Estou bem ciente do quanto viagem no tempo pode ser problemática dentro de um enredo. Exatamente por este motivo desenvolvi toda a trama envolvendo viagem no tempo anteriormente à reescrita final do livro, o que me garante controle sobre esses probleminhas. Tive a felicidade de acompanhar Dark durante parte da jornada de minha escrita. Sigo a linha do determinismo causal muito bem abordado na série, onde as coisas sempre acontecerão conforme foram no passado e não há como mudar nada, indiferente às tentativas.

Super Ninguém: O equipamento que permite a viagem no tempo, chamado de “A Vingança de Kronos”, é descrito como “um maquinário místico que transcende os tecidos imagináveis da existência”. Evidente então, que a magia faz parte do cenário, mas em que nível? Temos magos e usuários de magia por toda parte ou ela é mais restrita?

Kronos: Gosto de trabalhar com “sistemas de magia restritos”. Vejo a magia como um líquido, deste modo, ela não tem forma. Quando botamos o líquido num copo ele toma forma, ele se contém. Isso significa dizer que a magia existe, mas ela não pode ser manipulada por qualquer um. Há toda uma ideia de consanguinidade (peguei emprestado de Naruto), onde os poderes são passados de geração em geração. E claro, há os elementos difíceis de “serem catalogados” como magia negra, feitiços de sangue, intuição aguçada e “regras não ditas”, mas que estão lá para o leitor mais atento. É uma magia mais crua, mais sisuda, mas que está lá em algum lugar.

Livro O Cavaleiro da Maldição

Super Ninguém: A mitologia grega está bastante presente na sua história, o que, por si só, já é um diferencial para muitos livros de fantasia medieval, que acabam utilizando a Europa Feudal como base, certo? O que te levou a utiliza-la?

Kronos: Queria desviar um pouco do padrão tolkiano de escrita, portanto optei por falar de algo que sempre gostei (mitologia grega e egípcia). Isto me deu a liberdade de explorar uma vasta gama mitológica bastante conhecida pelo público, além de me permitir trazer nomenclaturas e conceitos mais aproximados do português, ou seja, através do latim. Queria colocar um filete de brasilidade na coisa e este foi o melhor caminho. Ainda assim há muitos elementos da Europa medieval tradicional, mas eu as adaptei pensando: “e se, no lugar da influência cristã, a religiosidade greco-romana tivesse dominado a Europa”?

Super Ninguém: No Book Trailer do livro, disponível em seu site, “O Cavaleiro da Maldição” é descrito como uma fantasia nos mesmos moldes de “Senhor dos Anéis”, “Crônicas de Gelo e Fogo” e “Harry Potter”. Foram estas as principais inspirações ao escrever sua obra?

Kronos: A Song of Ice and Fire e Harry Potter com toda certeza, embora seja difícil negar a influência de Senhor dos Anéis em qualquer obra de fantasia épica moderna. Sempre gostei muito de animes também, então também busquei referências em Naruto, Cavaleiros do Zodíaco e Avatar. Obras como Lost e um pouco de Dan Brown (em termos de ritmo) também me influenciaram.

O Autor Robert Kronos e “O Cavaleiro da Maldição” em versão digital.

Em se tratando de literatura, as três obras mencionadas tiveram muita influência, em especial devido a escala épica e das construções narrativas menos convencionais (Lord of The Rings e A Song of Ice and Fire).

Super Ninguém: Eu sempre pergunto isso para escritores de fantasia; você jogou ou joga RPG?

Kronos: Não jogo RPG. Na verdade nunca consegui entender direito como funcionavam os sistemas daqueles jogos, mas fato é que em termos de construção de mundo eu possa ter seguido um caminho bem parecido sem saber.

Super Ninguém: Foram necessários 10 anos para construir o enredo e o universo onde se passa a história. Por que tanto tempo? O que foi mais trabalhoso durante o processo?

Kronos: George R. R. Martin conta que demorou 6 anos para lançar A Game of Thrones. Isso se deve à dificuldade de criar sistemas, genealogia e nomenclaturas coerentes dentro da cronologia de um enredo fantástico mais elaborado. Escrevi em 3 anos a primeira versão e levei outros quatro para ter algo próximo do que tenho hoje.

Sentei em 2014 para fazer todos os mapas envolvendo nomes dos reinos, espécies nativas de cada região, vegetação, famílias nobres, castelos e covis de clãs (com um viés quase indígena).  O mais trabalhoso foi criar a cronologia completa, envolvendo nascimento e morte dos personagens, guerras e outros eventos importantes, especial por conter viagem no tempo na história.

Super Ninguém: O livro é apenas a primeira parte de uma saga chamada “Os Sete Mares da Antiguidade”, ou seja, estamos falando de muitas páginas, cenários, personagens, e até tempos diferentes. Eu sempre me perguntei como R. R. Martin fazia para não se perder em uma história tão extensa e cheia de tramas e subtramas como “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Você tem algum truque para não se perder no universo que criou?

Robert Kronos e “O Cavaleiro da Maldição” com suas 566 páginas.

Super Ninguém: Você nos contar um pouco sobre a história e os seus protagonistas?

Kronos: A história começa com Susana, Guilherme e Leonardo se descobrindo num “universo novo” depois de viajarem ao passado. Um pouco adiante temos o ingresso de Cedrico e Ariane na história. Considero-os como jovens comuns que se descobrem numa teia de conspirações, onde o menor dos descuidos pode leva-los à morte. Isto os obriga a crescer e se tornar fortes, a liderar, a enfrentar os problemas e lidar com perdas. O meu grande objetivo é fazer meu leitor comprar essa briga junto deles, ainda que não se possa confiar totalmente neles, afinal, são “humanos”.

Super Ninguém: O segundo livro já está sendo escrito? Há previsão de lançamento?

Kronos: Ainda estou escrevendo e não há previsão de lançamento. Certamente não irei demorar tanto quanto o primeiro para lança-lo, mas a boa notícia é que poderei ir angariando novos leitores ao longo do processo.

Super Ninguém: Onde os leitores podem encontrar o seu livro para comprar?

Kronos: Tem o meu site com as informações principais do livro:

www.cavaleirodamaldicao.com.br

O livro está disponível em versão física na Uiclap:

E em versão digital na Amazon por um preço especial:

Muito obrigado pela entrevista, pessoal do Super Ninguém. Foi um prazer participar. Eu adorei as perguntas.

Trailer Livro “O Cavaleiro da Maldição”

2 Comments

  1. Robert disse:

    Robert Kronos aqui. Eu simplesmente adorei a entrevista. Não consigo descrever em palavras como ficou legal aqui no site. Parabéns pelo trabalho de vocês. Ficou sensacional!!!

    • superninguem disse:

      Senhor Kronos, o tempo dirá que o seu livro será um sucesso…ou foi um sucesso…e nós é que agradecemos sua presença em nosso humilde site.

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