O Grito – Origens: A ficção de terror provoca medo real

Por Everton Nucci

Nos anos 2000, as telas dos cinemas foram invadidas por um novo subgênero: os filmes de “Terror Japonês”. Impulsionadas pelos dois maiores sucessos do gênero “O chamado” e “O grito”, refilmagens americanas de produções orientais como “Água negra” e “Chamada Perdida” foram largamente exploradas e não demorou até que as produções originais desembarcassem no ocidente trazendo novos sucessos como “Espíritos – A Morte está ao Seu Lado”.

A onda passou e nem as sequências dos dois precursores dessa fase americana do cinema de terror (“O chamado 2” e “O grito 2”) chegaram a repetir o sucesso dos originais.

Agora em 2020 a Netflix tenta mais uma vez investir na construção de uma franquia trazendo não um filme mas uma série baseada em “O grito”.

Como o subtítulo já denuncia, “Origens” é um prelúdio do filme se passando entre os anos 80 e 90. Para fugir do desgaste da fórmula os produtores tomam uma decisão acertada, se afastam dos clichês que consagraram o subgênero, deixam os “jumpscares” um pouco de lado e investem em um terror mais físico repleto de horror e gore.

O Grito – Origens, disponível na Netflix

Os fantasmas ainda estão lá. Não seria um “terror japonês” sem as garotas de pele pálida e putrefata com seus vestidos brancos e longos cabelos desarrumados cobrindo o rosto. Afinal evitar o clichê é diferente de descaracterizar o gênero, entretanto, suas aparições estão muito mais econômicas.

A série também surpreende ao apresentar temas muito pesados e muito reais, como violência doméstica, violência infantil, estupro, crime passional, suicídio, uso de drogas.

Outra decisão acertada foi a de não cair na tentação de utilizar o famoso “white washing”, a história se passa toda no Japão e os atores são todos orientais. Infelizmente o elenco enorme, as passagens de tempo e a narrativa não linear podem te deixar um tanto quanto perdido, se perguntando quem é quem na cena.

O Grito – Origens, meninas de pele pálida e putrefata ainda estão lá

Algo que eu, particularmente, gosto, é a duração da série. São seis episódios de aproximadamente trinta minutos cada um, o que deixa o programa mais fácil de maratonar. Desde que você tenha estômago para isso, pois a produção não economiza no terror gráfico – se a “cena do parto” te chocou, aguarde a “cena da prisão” – tudo isso impulsionado pela fotografia sublime que mostra só o necessário para de deixar com aflição, sem cair na nojeira e no mal gosto.

“O grito – Origens” é uma óbvia tentativa de reavivar a franquia e o gancho para uma nova temporada fica ainda mais claro quando o detetive pergunta como a outra personagem “sabia do telefone”.

Mas ao se assumir como uma produção quase que totalmente diferente, traz um refresco para os fãs do gênero ao mesmo tempo que consegue realmente causar medo (ou pelo menos um grande desconforto) até em quem não acredita em fantasmas.

Trailer “O Grito – Origens” na Netflix

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e tem fobia de meninas japonesas com cabelos longos e pele pálida.

2 Comments

  1. Julie Any Garbin Frizarin disse:

    Pelo trailer parece ser bem legal!

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