The Boys – Segunda Temporada, Ep. 02: “Armando a Arapuca”

Por Fernando Fontana

Há uma dose moderada de spoilers no texto.

O segundo episódio de “The Boys” é menos empolgante do que o primeiro, mas nem por isso deixa de ser interessante ou mover a história adiante. Começamos com a explicação sobre o que aconteceu com Butcher após ter encontrado sua esposa viva no final da primeira temporada, e acontece que a explicação, bom, ela não explica muita coisa.

Sabemos que foi o Capitão Pátria que salvou Butcher da explosão e que foi ele que o levou desacordado até a casa onde morava sua esposa, mas não sabemos o porquê, assim como não sabemos o porquê dele ter sido levado, mais uma vez desacordado, para longe dali, a ponto de não saber a exata localização da casa.

O Capitão Pátria é de uma crueldade ímpar, disso ninguém duvida, o que talvez nos leve a crer que ele está mantendo Butcher vivo por puro sadismo e por não considerá-lo uma ameaça real. O líder dos Sete enxerga a si mesmo como um deus, e deuses não temem mortais, mas podem brincar com eles, da mesma maneira que uma criança brinca com uma formiga.

Billy Butcher sendo observado pelo Capitão Pátria após salva-lo de uma explosão

O Capitão começa a tentar se aproximar de seu filho, e obriga a mãe do menino a recebe-lo em casa, em um arremedo de família; sua figura, no entanto, não se encaixa nem fisicamente (ele jamais remove o seu uniforme e usa roupas civis), nem mentalmente, já que ele nitidamente não tem a menor ideia do que é conviver ou conversar com outras pessoas que não sejam super-heróis, e mesmo entre estes, desconhece qualquer tipo de contrariedade.

O medo de que ele vá perder a paciência e machucar alguém é constante e depois do que ele fez na primeira temporada, nada é impossível.

A dupla Arqueiro Águia e Profundo demonstra que não há limites para a zoeira; a cena em que Profundo começa a conversar com as próprias guelras após tomar um chá de cogumelos é extremamente bizarra, embora, inseridas neste surreal diálogo estejam muitas informações sobre o psicológico do personagem.

Profundo conversa com suas guelras em um diálogo surreal

Tempesta, a nova integrante dos Sete começa a mostrar a que veio, e não parece ser o tipo de pessoa que pode ser manipulada com facilidade pela Vought; a maneira como lida com as entrevistas e como fala com Luz-Estrela mostra que tem baixa tolerância com o circo midiático promovido, tem personalidade forte e objetivos próprios ainda não revelados.

Falando em Luz-Estrela, o retorno de Trem Bala coloca o herói e ela frente a frente pela primeira vez após o infarto sofrido no final do último episódio da primeira temporada. Ambos parecem estar se estudando para saber o que podem esperar do outro, lembrando que Trem Bala estaria morto se não fosse a intervenção de Hughie e Luz-Estrela, o que pode ou não significar uma trégua, já que não se pode esperar muita compaixão de um homem que mata a própria namorada para se proteger.

Com Luz-Estrela seguindo o seu plano de obter o Composto V para denunciar a Vought, o confronto com Trem Bala pode se mostrar inevitável, ainda que não com os punhos, mas com as cartas que cada um tem na manga.

Trem Bala e Luz-Estrela, se reencontram após o infarto do herói no final da primeira temporada

Para encerrar, vamos voltar nossa atenção para a equipe que acaba de receber de volta Billy Butcher, ainda que contra a vontade de Hughie, que parece odiá-lo cada vez mais.

Enquanto Hughie quer se manter humano e com escrúpulos, Butcher, sabendo que sua mulher está viva, fará qualquer coisa para encontra-la, não importando quem terá que ferir.

Sem recursos e procurados por todo o país, não há alternativa senão aceitar a liderança de Butcher e o seu plano de entregar um super terrorista para Grace Mallory, sua ex chefe e que possui contatos na CIA e no governo.

Em troca, Grace os ajudará a sair do buraco onde se meteram.

Agora, vejam só, um grupo de humanos prender um super terrorista não é fácil, sem chamar a atenção dos super-heróis é mais difícil ainda, e quando ele tem uma forte conexão com um membro de seu grupo, é muito, mas muito pior.

“Montando a Arapuca” é um bom episódio e nos mantém querendo mais da série. A parte boa é que o terceiro episódio já está disponível, a parte ruim é que os próximos serão liberados um por semana, todas as sextas-feiras.

Talvez seja bom, mais tempo para digerir as cenas insanas que certamente virão.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra-homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

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