Cosplay Motoqueiro Fantasma

Cosplayer: Fábio Occhiuzzo

Ele já encarnou nos eventos o espírito da vingança, mas hoje em dia está temporariamente afastado. Na entrevista a seguir conversamos com Fábio Occhiuzzo sobre o cosplay do Motoqueiro Fantasma, Nicolas Cage e o demônio genérico da Marvel Comics.

Super Ninguém: Ok, vimos o seu cosplay e estamos decepcionados! Como assim a cabeça não pega fogo?

Fábio: Ouvi muito isso, desde 2009 quando o vesti pela primeira vez, mas as pessoas ao meu redor acabaram se acostumando e eu deixei sem fogo mesmo hahaha.

Super Ninguém: Ok, é óbvio que você não vai jogar gasolina e atear fogo na sua cabeça. Bom, esperamos sinceramente que seja óbvio, mas você chegou a pensar em uma solução alternativa para as chamas? Pintura ou algo do gênero?

Fábio: Sim, com certeza pensei em diversas possibilidades, inclusive já utilizei um fogo feito por um amigo certa vez. Era feito com cola quente, papelão e verniz vitral. Brincávamos que eu ficava parecendo o Vegeta, aí acabei deixando de lado. Já pensei em papel, EVA, mas nada ficaria 100% e acabei por aceitar ficar sem fogo mesmo.

Cosplay Motoqueiro Fantasma / Cosplayer Fábio Occhiuzzo

Super Ninguém: Embora seja muito maneiro (é um motoqueiro esqueleto em chamas que se vinga de pecadores), o Motoqueiro Fantasma não é exatamente um dos personagens que está no topo da popularidade da Marvel Comics. Como você teve contato com o personagem pela primeira vez e quando surgiu a ideia de fazer o seu cosplay?

Fábio: Eu tive contato pela primeira vez nas HQs, gostava muito, mas foi o primeiro filme com o Nicolas Cage que, apesar de tudo, me fez enxergar a possibilidade de fazer cosplay deste personagem.

O Motoqueiro Fantasma foi o meu segundo cosplay, antes dele eu havia feito outro personagem um pouco desconhecido, que não estava na graça do povo, o Aranha Escarlate, clone do Homem Aranha.

Super Ninguém: Já que estamos falando em popularidade, e você mencionou o filme com o Cage, eu tenho que dizer, rapaz, ele é um ator que vai do 08 ou 80, entrega grandes atuações, mas também filmes que parece ter feito para pagar o aluguel. Gostou dele como Motoqueiro Fantasma?

Fábio: Foi o primeiro filme que me deu o estalo para fazer o cosplay e na época sim, eu gostei bastante, tanto que eu cheguei a alugar o DVD do filme mais de 5 vezes durante um tempo.

Nunca fui um fã do Nicolas Cage mas vi muitos filmes dele que gostei. O segundo filme do Motoqueiro Fantasma só tinha me ganhado pelo visual, pois a história achei bem fraca, de modo geral, achei bem ruim.

Super Ninguém: Deixa te perguntar uma coisa, eu fico meio em dúvida com relação à origem do herói. Ele faz um pacto com o satanás, o capeta, o capiroto, que na Marvel chamam de Mephisto, provavelmente para não pagar direitos autorais para a igreja católica; vende a alma e ganha os poderes que lhe permitem caçar pecadores.

Agora, falando sério, me explica, qual o interesse do Mephisto em ferrar com pecadores?

Cosplay Motoqueiro Fantasma / Cosplayer Fábio Occhiuzzo

Fábio: Nas primeiras HQs era tratado como aparentemente o próprio diabo a fazer o pacto, aí ao longo dos anos foram refazendo as origens e colocando o demônio Mephisto como a causa de todos os problemas do Johnny Blaze.

Aparentemente o papel do Mephisto nas HQs é o de fazer pactos com os mortais.

Super Ninguém: Entendi, pelo jeito o Mephisto é o diabo genérico da Marvel.

Voltando ao seu cosplay, mesmo sem a cabeça pegando fogo, é um tanto quanto assustador, jaqueta de couro preto, corrente, crânio, olhar ameaçador. Nos eventos, como é a reação do público?

Fábio: As reações são diversas, pois eu costumo não entrar muito no personagem.

Sou bastante brincalhão usando a máscara de caveira, para deixar mais leve e descontraído. Acho muito divertido ver as pessoas se assustando e fico impressionado quando crianças olham e não se assustam.

Super Ninguém: É amigo, não está fácil assustar a garotada hoje em dia. Adulto é mais simples, tu mostra um boleto e ele já sai correndo.

Aliás, é bom lembrar, duas semanas atrás entrevistamos a senhora sua noiva, cujo cosplay era Alastor, o demônio do rádio. E agora, você está aparecendo nessa coluna com um condenado ao inferno, cuja alma está unida ao demônio Zarathos e outro de seus cosplays é Beetlejuice, outro condenado. Na Netflix, a série Lúcifer faz um tremendo sucesso, com uma legião de fãs. Por que você acha que o inferno, espíritos malignos e as representações de demônios fascinam tanto o público?

Fábio: Acredito que seja mais pela influência da cultura Pop, eu por exemplo sei separar bem a religião da ficção.

Super Ninguém: Você disse em um bate papo antes da entrevista que não está mais tão ativo no universo cosplay. É por conta da pandemia ou há algum outro fator que fez você se afastar? Pretende retornar?

Fábio: Eu frequento eventos de anime desde 2006 e como cosplayer desde 2007, já vi muita coisa e não foi por conta da pandemia, é saturação mesmo. Eu amo eventos de anime e a CCXP que sempre dão espaço para os cosplayers, mas as vezes esgota um pouco.

Super Ninguém: Para finalizar, qual a importância do Universo Cosplay na sua vida? E antes de você responder, deixa eu colocar um trecho da resposta da sua noiva para a mesma pergunta aqui: “Também agradeço pelo mundo cosplay ter me apresentado ao amor da minha vida…”.

Fábio: Obviamente eu agradeço a este pequeno mundinho de cosplay por ter encontrado a mulher que passarei o resto da minha vida junto. Mas foi graças aos eventos e ao cosplay que eu aprendi a me expressar, aprendi a conversar com as pessoas e até formei um pequeno grupo  de Teatro Cosplay chamado Piriri, onde fazíamos diversas apresentações nos palcos dos eventos.

Cena de Motoqueiro Fantasma

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