Cosplay: Jaspion

Cosplayer: André Rigueto

Ficha Técnica:

Cosplay Jaspion e Anri

Quanto tempo demorou para terminar o cosplay: Esse cosplay do Jaspion levei o dobro do tempo que previ por que a vida me pregou uma peça e tive de literalmente trazer a força interna do personagem de Nunca Desistir das batalhas e de nossos sonhos!

Comecei a confecciona-lo do zero em 2017, mas em fevereiro de 2018 fui diagnosticado com câncer e tive de parar com todas minhas atividades para o tratamento da doença fazendo quimioterapia por 7 meses. Então, após o término do tratamento levei mais 3 meses para voltar às minhas atividades normais, ou seja, o cosplay que estimei fabricar em 1 ano, acabou levando 2. Mas o importante que o Herói está aí, concluído para relembrar a todos os saudosistas e nostálgicos que sim, podemos ser heróis na imaginação e na vida real enfrentando os golpes que a vida nos prega!

Principais materiais utilizados: Esse cosplay do Jaspion em especial foi feito todo em fibra de vidro, massa de polyester, e pintura automotiva.

Preço do Cosplay: Antigamente eu fazia cosplays do Jaspion pra venda em EVA, ficavam lindos, quase tanto como o de fibra, mas hoje não faço mais nada de Tokusatsu para venda, para evitar problemas de direitos autorais, mas posso garantir que uma armadura completa nesse naipe não fica nada barato rsrsrsrs, o material é muito caro e a mão de obra é colossal.

O que mais deu trabalho para fazer: Não tive realmente dificuldade, embora esteja começando a trabalhar com fibra de vidro há pouco tempo e este seja meu segundo trabalho apenas. Mas o que levou mais tempo sem dúvida foi o colete por se tratar da peça que contém mais detalhes e de maior tamanho. Também tive de alterar ( depois que já fora encaminhado para a pintura ) o tamanho do colete na profundidade pois como havia dito, fiz quimioterapia, e durante o tratamento engordei um pouco, por isso ficou apertado tendo que refazer os ajustes!

Dica para quem quiser fazer este cosplay: Dedicação, transpiração (literalmente), amor ao personagem e a tudo que se propõe a fazer na vida, estude as técnicas de confecção assistindo tutoriais ( lembrem-se que todos vocês possuem um professor em casa chamado: YouTube e Google ) perguntem para quem já está no ramo por dicas, não são todos mas existem muitos cosmakers que compartilham seus conhecimentos, foi assim que eu aprendi e aprendo mais a cada dia.

Super Ninguém: Certo, pra começar, vimos que sua esposa interpreta a androide Anri, companheira inseparável do herói. Ela já fazia parte do universo cosplay ou você que a convenceu?

Cosplay Jaspion e Anri

André: Rsrsrsrsrsr…. Na verdade, ela já é cosplayer há 12 anos e eu somente a 6. Nos conhecemos pelo Face Book em um papo que surgiu do nada e também nada a ver com cosplay rsrsrs… comentando sobre uma reportagem de um humorista que ambos gostamos muito; e detalhe que eu nem tinha ela como amiga no face. Daí começamos a conversar pelo Messenger e enviei uma solicitação para ela, daí papo vai, papo vem e vimos que tínhamos mais em comum do que imaginávamos e em julho de 2020 completamos 1 ano juntos. Então, como unimos o útil ao agradável, a paixão pelo Jaspion é de ambos, assim, não há “Jaspion sem sua querida e inseparável androide Anri”.

Super Ninguém: Essa sua paixão pelo Jaspion também começou nos tempos da extinta TV Manchete? Aliás, saudades dela.

André: Verdade, quanta saudade….sim, como todos os que viveram intensamente a década de 80 (só temos que agradecer por ter vivido a melhor década ) foi chegando da escola e me deparando com a imagem de Jaspion e CIA que minha cabeça rodou e pirei no mesmo momento. Daí então minha vida nunca mais foi a mesma!!!

Super Ninguém: É difícil mesmo não gostar de heróis com armadura, espadas brilhantes e robôs gigantes, mas é verdade que Jaspion não fez tanto sucesso no Japão quanto fez aqui?

André: O visual é marcante, o design das armaduras impactantes, e quando se trata de espadas e pistolas a laser, robôs e monstros gigantes, uma ótima trama que nos envolve profundamente, sem contar as trilhas sonoras de tirar o fôlego junto com suas BGMs; tudo é atemporal o resultado é este! Paixão atravessando décadas e gerações!

No Japão não é que não tenha feito sucesso. Tendo em vista que já haviam passado a 3 anos consecutivos, e seguindo a mesma fórmula de policiais do espaço com detetive espacial Gavan em 1982, detetive espacial Sharivan em 1983, detetive espacial Shaider em 1984, o gênero metal hero parece que para eles já estava um pouco saturado entrando em uma mesmice. A Toei tentou modificar a trama trazendo Jaspion em 1985 e não deu a mesma audiência (embora tenha apresentado um bom número no IBOPE japonês) a série não teve um retorno esperado como seus antecessores como em vendas de brinquedo que afinal, é para isso que as séries de live action são feitas! 

O gênero Metal Hero já se encontrava saturado quando Jaspion estreou no Japão em 1985, já no Brasil, o herói se tornou um imenso sucesso.

Super Ninguém: Apesar de serem séries que visavam o público mais jovem, lembro de momentos icônicos e bem adultos, tanto no Jaspion quanto em Changeman. A bruxa Kilza ressuscitando MacGaren era de dar calafrios, e a batalha entre o Change Dragon e o Pirata Espacial Booba ao por do Sol ficou marcada em minha mente. Você se lembra de outros momentos marcantes em Jaspion?

André: Como as mencionadas acima, são trechos épicos que jamais sairão da memória de todos nós tokufãs; eu tenho também meus momentos marcantes em Jaspion como o episodio 26, “o contra ataque de Daileon” onde Jaspion luta sozinho contra o monstro sem a ajuda de Daileon, que estava avariado, quando de repente ao chamado de Jaspion ele se recupera e vai de encontro ao herói para ajuda-lo. Como não se emocionar com o menino Koko e o seu monstrinho guardião Namaguederaz no episódio 3. O monstro Sion no episódio “o monstro do século”, o qual nos mostra o poder do amor. São tantos momentos marcantes que fica difícil mencionar todos.

Super Ninguém: Na esteira de Jaspion e Esquadrão Relâmpago Changeman tivemos diversos outros heróis japoneses desembarcando no Brasil, como Jiraya, Kamen Rider, Jiban, Cybercops, entre outros. Você também faz cosplay de algum deles? Tenho que perguntar também, você já fez ou pensa em fazer cosplay do Daileon? Eu não via a hora do gigante guerreiro aparecer e descer o braço nos monstros.

Cosplay Gigante Guerreiro Daileon

André: Sim como não rsrsrs… fiz o Ninja Jiraya, mas como meu filho de 15 veio morar este ano comigo (e eu já não estou tão em forma para usar determinados cosplays rsrsrsr) passei o manto de Jiraya a ele; fiz adaptações na armadura para caber nele, então, ele é o novo “sucessor de Togakure” daqui pra frente! Rsrsrs…Tenho projetos futuros de fazer o Black, o Mac Garen para meu filho que ele tem o corpo ideal para vestir os personagens e o Sharivan e quem sabe o Jiban pra mim mas não agora pois se trata de um projeto complexo e audacioso que requer tempo.

Agora já que você tocou no nome do Daileon, vou deixar as fotos responderem pra ti rsrsrsr… Não tem Daileon sem Satan Goss!  

Super Ninguém: Recentemente Jaspion, Changeman e Jiraya começaram a ser exibidos aos domingos pela rede Bandeirantes, obtendo uma boa audiência. Você diria que isso se deve exclusivamente à nostalgia dos antigos fãs ou estes heróis tem capacidade para atrair novos telespectadores?

André: Com toda a certeza, o tokusatsu tem força no Brasil e nós tokufãs levamos a paixão a sério e digo com toda a certeza, os fãs de toku são mais apaixonados pelas séries que os fãs da Marvel e DC são por elas! Nós tivemos a força e fizemos barulho na tokunet, a qual o Sr. Nelson Sato ouviu e conseguiu levar para retransmissão em TV aberta para o delírio  de nós nostálgicos e pra nova geração que são nossos filhos. Não tem como expressar a sensação de novamente acordar aos domingos na manhã, preparar a mesa pro café com um pão quentinho, queijo café com leite assistir nossos heróis do passado HOJE!

Cosplay Jaspion versus Satan Goss

Super Ninguém: O seu cosplay é uma espécie de termômetro do sucesso do Jaspion, não é? Quando você vai em eventos como é a reação dos mais velhos e dos mais novos?

André: Uma coisa é você chegar em um evento com um cosplay tradicional, outra é você sair da área cosplay trajado com uma Metaltex…. meu amigo…. como dizem, “lacrou” no evento rsrsrsrsrs… até os standistas saem para tirar fotos com você. Já teve diversas vezes que fãs choraram compulsivamente, até os mais novos que não conhecem, que infelizmente não tiveram nossa felicidade de viver a época rsrsr.. se deslumbram com o brilho e design da armadura, pois o Jaspion não é um mero herói, ele é O HERÓI que todos amam!

Cosplay Jaspion e Anri

Super Ninguém: Pensando nisso, a Sato Company vem prometendo algo que seria no mínimo surreal, um filme do Jaspion filmado aqui no Brasil, local onde ele fez mais sucesso. O que acha da ideia?

André: De fato seria algo surreal, quando o Sr. Sato soltou a bomba, ao mesmo tempo eu explodi de emoção e fiquei muito preocupado.

Nunca houve na história da cinematografia brasileira um filme de live action no nível que Jaspion merece, o que me leva a ter medo e ao mesmo tempo ainda ficar otimista.

Super Ninguém: Qual a importância do universo Cosplay para você?

André: Hoje, o cosplay está em meu DNA, mudei de vida por ele, fui até radical, já que até meu emprego eu larguei pra viver levando sorrisos às pessoas em geral.

Agradeço a Deus em primeiro lugar por me dar mais um tempo aqui neste plano para fazer o que mais amo e cumprir minha missão.

Agradeço a meus pais pelo apoio e compreensão pois esse “Hobby trabalhístico” não é valorizado (como toda a verdadeira arte) no nosso país, mas luto contra tudo para nunca deixar  nossos heróis caírem no esquecimento e que as novas gerações sintam e carreguem em seu seio o amor pelo tokusatsu que nós carregamos. 

Batalha entre Daileon e Satan Goss

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