O Vale Nerd – Mais Três filmes LGBTQIA+ aleatórios muito bons!

Olá todo mundo, bem vindes ao vale! Eu sou Everton Nucci e hoje estou um pouco cansado para levantar grandes discussões e por isso resolvi dar algumas dicas de cinema para vocês relaxarem (ou se debulharem em lágrimas, depende muito).

Espere um pouco, acho que eu já disse isso não? Puxa vida, é verdade, eu já disse sim e foi nessa matéria aqui: https://superninguem.com.br/2020/07/22/o-vale-nerd-tres-filmes-lgbtq-aleatorios-muito-bons/ (digam que esse não foi o link de auto merchan mais natural que vocês já leram?).

Como na última matéria, são filmes sem nenhuma relação entre si, completamente aleatórios cuja única semelhança é a temática, só que dessa vez, em vez de temática Gay irei indicar filmes de temática Trans.

Mas antes de iniciar, quero fazer uma rápida explicação sobre os termos a serem utilizados na matéria, isso porque a identidade de gênero ainda pode causar certa confusão em algumas pessoas, então é preciso deixar alguns conceitos claros para evitar sermos ofensivos com pessoas Trans. Mais uma vez digo que não estou no meu lugar de fala visto que sou Queer e não Trans e que portanto se eu disser algo errado, por favor, me corrijam.

Primeiramente, o termo Trans é a letra T da sigla LGBTQIA+ e engloba as definições Transgênero, Transsexual e Travesti, elas se aplicam à pessoa do vale que não se identifica com o sexo biológico (ou gênero). Há sim diferenças entre cada uma delas mas o que eu quero demonstrar aqui é a necessidade do respeito pois se você não é Trans, mais importante do que saber a diferença entre Transgênero e Travesti, é saber que a pessoa pertence ao gênero com o qual ela se identifica independente de definições biológicas, isto posto, vamos às definições:

Homem Trans é o indivíduo que biologicamente foi identificado como pertencente ao gênero feminino, mas que de fato, pertence ao gênero masculino.

Mulher Trans é o indivíduo que biologicamente foi identificado como pertencente ao gênero masculino, mas que de fato, pertence ao gênero feminino.

Cirurgia de Resignação (ou redesignação) é o nome que se dá atualmente à cirurgia que antigamente era chamada de mudança de sexo. O nome agora foi reformulado pois chegou-se à conclusão de que o indivíduo em questão não está efetivamente “mudando” de sexo, mas sim adequando o corpo ao sexo ao qual ele já pertence. É importante deixar claro que pessoas Trans nem sempre sentem necessidade de passar por cirurgias de resignação, muitas mulheres trans continuam felizes com seus pênis e muitos homens trans vivem felizes com seus seios e suas vaginas.

Isso é o mais importante da questão, quando eu disser que o filme trata de uma mulher trans você deve entender que a pessoa em si é uma mulher, independente do sexo biológico e quando eu digo que o filme trata de um homem trans você deve entender que a personagem é um homem, independente do sexo biológico. Isto posto, vamos aos filmes:

GAROTA DINAMARQUESA

O primeiro filme é baseado em uma história real, “The Danish Girl” ou “A Garota Dinamarquesa”, uma produção de 2016 dirigida por Tom Hooper e escrita por David Ebershoff indicada a vários Oscars, incluindo melhor ator, e melhor atriz coadjuvante.

A história trata da vida da primeira mulher Trans a se submeter à uma cirurgia de resignação sexual (ou resignação de gênero). Eddie Redmayne, que você deve conhecer como o Newt Scamander de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” vive Einar Wegener, a personagem que descobre ser, na verdade Lili Elbe e Alicia Vikander de “The Man from U.N.C.L.E.” vive sua esposa Gerda Wegener.

Ambos formam um casal de pintores com um relacionamento muito bonito, mas algo incomoda Einar, fica claro que ele não se sente homem e que está apenas cumprindo o papel social que lhe foi designado ao nascer. Ao contrário do que se pode imaginar, sua mulher não ignora o fato e até certo ponto o incentiva a ser uma mulher, na verdade ela sempre o utiliza como modelo nas pinturas, ou melhor, utiliza Lili pedindo para que ele use  vestidos e sapatos de salto para posar para seus quadros.

A situação pode causar certa estranheza em quem assiste, mas o fato é que a transsexualidade não era assunto corriqueiro na época, portanto, nenhum deles sabia o que estava acontecendo, o casal precisa percorrer um longo caminho até entender que Lili nunca foi homem, mas sim, uma mulher Trans.

O filme dá um enfoque muito maior na esposa Gerda do que em Lili e isso me causou um certo incômodo, principalmente porque Lili chega a parecer egoísta em certos momentos. Também já ouvi resenhas de pessoas Trans dizendo que o filme não consegue evitar os clichês do gênero como cenas diante do espelho, cenas em que ela admira vestidos ou a cena de “aquendação da neca”. Também há a crítica sobre o filme ter mudado demais a história real, mas nesse caso eu acho que não se pode levar em consideração, já que não se trata de um documentário. De qualquer maneira é uma excelente produção que merece ser assistida.

MENINOS NÃO CHORAM

O segundo filme também é baseado em fatos:  “Boys Don’t Cry” ou “Meninos Não Choram”, uma produção de 2000 dirigida por Kimberly Peirce e escrita por Kimberly Peirce e Andy Bienen. Vencedora de vários prêmios, incluindo melhor atriz para Hilary Swank de “Menina de Ouro”.

A história trata da vida de Brandon Teena (Hilary Swank) um homem Trans que muda de estado para tentar encontrar-se e poder viver sua própria vida. E da relação com sua namorada Lana Tisdel vivida por Chloë Sevigny de “Zodíaco”.

De início parece que o filme fala de uma mulher Lésbica que se “disfarça de homem” para poder sair com outras mulheres, o fato de ter sido lançado no início do milênio também reforça esse conceito. Só que aquilo não é um disfarce, mas sim a verdadeira identidade do rapaz. Brandon não finge ser homem, ele é um homem Trans. Na época em que assisti, eu realmente fiquei perdido e até estranhei quando sua namorada Lana Tisdel refere-se a ele como “meu namorado”. Afinal eu estava esperando que ela se assumisse Lésbica, mas na verdade aquele era um filme sobre um casal hétero formado por um Homem Trans e uma Mulher Cis.

É importante ressaltar que o filme é resultado de um extenso projeto, o diretor trabalhou no roteiro durante cinco anos, consultou documentos reais, documentários e até extraiu diálogos reais para inserir no filme, o que garante muita fidelidade aos eventos.

Infelizmente o filme traz um retrato pesado do ódio que a sociedade pode ter por quem é diferente e a direção não poupa a mão na hora de mostrar a violência com a qual ele é tratado por essa pessoas cheias de preconceito e revolta.

Vale ressaltar que também não é um filme para ser assistido com a família pois contém cenas de nudez, estupro e agressões físicas que podem deixar muita gente desconfortável.

UMA CRIANÇA COMO JAKE

O terceiro e último filme é o drama “A Kid Like Jake” ou “Uma criança como Jake”. É um filme de 2018, o mais recente dessa lista, dirigido por Silas Howard e escrito por Daniel Pearle. É estrelado por Claire Danes de “As Horas”, Jim Parsons que você sempre conhecerá como o Sheldon de “The Big Bang Theory” e Octavia Spencer do excelente “Estrelas além do tempo”.

Diferente dos filmes anteriores, essa história fala de identidade de gênero na infância e foca mais na família do que na própria pessoa Trans. Na verdade fica até difícil determinar se o Jake do título (Leo James Davis) é ou não uma Menina Trans, ela é uma criança de quatro anos e ainda está formando sua personalidade e conceitos como masculino e feminino mal se fixaram em sua mente.

O fato é que, independente de ser menina ou menino, Jake adora princesas, vestidos e sapatos de salto. É uma criança criativa, inteligente e adorável mas por conta de ideias como “papel de gênero” começa a encontrar dificuldades na convivência social.

Seus pais Alex Wheeler e Greg Wheeler (Danes e Parsons) estão passando pelas dificuldades de todos os pais, equilibrar vida profissional e pessoal, manter o casamento, escolher a escola certa para o filho agora que ele está saindo do jardim de infância. Para isso contam com a ajuda da professora dele, Judy (Octavia Spencer) que já notou que Jake não é como os outros garotos e até tenta alertar os pais disso.

O filme foca bastante no drama dos pais, que em nenhum momento tentam coibir as escolhas do filho, mas ao mesmo tempo vivem em estado de negação achando que isso não passa de uma fase, e além disso tentam se dedicar fortemente a proteger a criança do preconceito e da transfobia.

Na verdade essa é uma abordagem bastante interessante, pois sabemos que nossa sociedade evita tanto esse tipo de discussão que acaba formando pais totalmente despreparados para lidar com uma situação como essa.

Nesse filme o drama não é sobre a criança que quer apenas ser ela mesma, Jake quer se vestir de Rapunzel no Halloween, brincar de ser a pequena sereia na escola e isso não deveria ser uma questão. Jake quer apenas ser feliz com as coisas que gosta, coisa de menino ou coisa de menina é um conceito que os adultos estabelecem. O drama é sobre os pais de Jake, que não sabem como lidar com isso, mas deverão aprender se quiserem ter um filho feliz e saudável.

E se você quiser conversar comigo, falar o que achou de cada um desses filmes, se já assistiu algum deles ou se interessou em assistir. Mande seu e-mail para:

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Ou deixe seu comentário logo abaixo.

E como no último dicas de filme, hoje eu irei pedir para que você deixe a sua própria indicação de cinema, qual filme de temática LGBTQIA+ você gosta muito e acha que devo assistir? Se possível enviem filmes de temática L para a próxima matéria. Por hoje é só, obrigado por lerem essa coluna, continuem acessando o site e fiquem em paz!

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e por alguma razão quando indica filmes, precisam ser três de uma vez.

2 Comments

  1. Julie Any Garbin Frizarin disse:

    Gostei das indicações, Uma criança como Jake, parece interessante, tem na sky, vou assistir depois te conto 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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