Nemo – A insustentável invisibilidade da Ficção Científica: Os Três Mosqueteiros

Livro clássico de aventura de Alexandre Dumas tornou-se fonte para centenas de filmes, desenhos e quadrinhos; e, inclusive, ficção científica

Por Sidemar de Castro

Os Três Mosqueteiros são um dos mais conhecidos romances de aventura de todos os tempos. Romance histórico escrito pelo francês Alexandre Dumas, filho de um nobre com uma escrava negra, foi inicialmente publicado como folhetim (uma espécie de novela ou revista pulp da época), com enorme sucesso, no jornal parisiense Le Siècle, de março a julho de 1844, antes de ser lançado como livro, completando este ano (2020) 176 anos. 

Inspirado em “Os Três Mosqueteiros”, Legião do Espaço inspirou os Jedis de George Lucas

Poucos romances tiveram uma influência tão grande nas diversas expressões das artes.

Sua história foi adaptada inúmeras vezes para cinema, quadrinhos, desenhos animados, séries de TV e o que mais se possa imaginar, copiado, plagiado além de servir de base para todo um gênero literário, o capa-e-espada. E, inclusive, para um space opera do começo do século XX, Legião do Espaço, de Jack Williamson (1934). Que, por sua vez, ecoou nos Jedis de Star Wars, anos mais tarde. Os mosqueteiros viraram cavaleiros do espaço, com os floretes trocados por sabres de luz. Porém, em essência, é a mesma coisa.

O LIVRO

Os Três Mosqueteiros é o volume inicial de uma trilogia (seguido por Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelonne) romanceando fatos históricos durante os reinados de Luís XIII e Luís XIV e da Regência que se instaurou na França entre os dois governos.

Sempre chamou atenção que os três mosqueteiros eram, na verdade, quatro: Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, que no primeiro romance ainda não havia entrado no corpo de soldados do rei da França.

Eles tinham esse nome devido ao uso dos mosquetes, um tipo de espingarda do século 17, mas eram mesmo conhecidos como exímios espadachins e duelavam com seus floretes.

Outro detalhe que fez a fama do livro foi o bordão ‘todos por um, um por todos’ – que no cinema acabou sendo invertido.

Usado como grito de guerra pelos mosqueteiros, a frase na verdade era uma espécie de slogan monarquista e absolutista – o ‘um’ era o rei, e o ‘todos’, o povo.

Com o tempo, o lado panfletário do romance de Dumas se perdeu, ficando a narrativa aventurosa e romântica inigualável e sempre imitada.

Filme “Os Três Mosqueteiros” (1993)

OUTRAS MÍDIAS

Desde o cinema mudo dezenas de filmes foram produzidos, sendo um dos mais famosos o de 1948, com o dançarino acrobata Gene Kelly no papel de D’Artagnan.

Os Três Mosqueteiros – Turma da Mônica Jovem

Até Charlie Sheen foi mosqueteiro, numa versão da Disney, em 1993.

A mais recente foi em 2011, com Milla Jovovich no papel da vilã, aos serviços do cardeal, com uma série de elementos fantasiosos inseridos, como dirigíveis e ação em ritmo de game, o que tornou esta uma espécie de Três Mosqueteiros Steampunk.

Foram inúmeras as versões em quadrinhos em todo o mundo, inclusive no Brasil, com a versão da Turma da Mônica Jovem; na Europa, principalmente, em álbuns coloridos franceses e belgas e até em mangás, no Japão.

Um D’Artagnan em versão canina infantil também foi publicado no Brasil, a partir do sucesso de uma animação da TV.

Nos desenhos animados, além de alguns longas inexpressivos e uma série de Hanna-Barbera para TV, exibido junto com os Bananas Splits, teve também versões com Mickey e Pateta, Tom e Jerry e mosqueteiros caninos, entre outras.

A BBC inglesa resgatou recentemente Os Três Mosqueteiros com uma estética realística em uma minissérie em três temporadas de muita ação.

E a Netflix está planejando para o próximo ano sua própria versão do clássico de Alexandre Dumas. Nada mal para esta romântica obra defensora dos privilégios monárquicos, escrito por um jovem negro…

Trailer “Os Três Mosqueteiros” 1993

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Sidemar de Castro é escritor de literatura fantástica (principalmente ficção científica), roteirista e desenhista de quadrinhos nas revistas Calafrio e Mestres do Terror; atualmente trabalha, além de escritor, roteirista e ilustrador, na editoração e diagramação de livros, revistas e jornais; publicou contos e noveletas em mais de uma dezena de antologias impressas por editoras de Rio, São Paulo e Curitiba, além de uma revista francesa e tem na Amazon uma coletânea de contos: Memórias Pós-humanas de Quincas Borba e Outras Histórias Alternativas Muito Além do País do Futuro

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