The Boys – Segunda Temporada, Ep. 08: O que eu sei

Por Fernando Fontana

O Texto a seguir possui muitos spoilers e vilões, chame o super-herói mais próximo e afaste-se dele!

Finalmente chegamos ao oitavo e último episódio da segunda temporada de “The Boys”, e que episódio, senhoras e senhores!!! Estou fazendo um enorme esforço aqui para não repetir pela enésima vez a piada com “explosão de cabeças”.

Começamos com medo, medo de terroristas, medo de vilões, medo de que um deles invada a escola de seu filho, sentimento catalizador utilizado pela Vought para garantir o apoio do público, e, em consequência, do legislativo, ao aumento de supers e seu uso militar.

O vídeo em que um xerife e o Capitão Pátria (Anthony Star) orientam como alunos podem sobreviver a um ataque de super vilão, reflete o medo que os norte-americanos possuem de que seus filhos sejam vítimas em um dos inúmeros tiroteios que ocorrem anualmente em suas escolas.

Nele, uma professora retira de sua gaveta uma pistola automática e se posiciona para atirar no vilão, caso ele invada a classe. Trata-se claramente de uma referência a sugestão do presidente Donald Trump de armar professores para conter os massacres em escolas.

Confie em mim, eles vão acreditar nesse papo de genocídio branco!

Vou citar aqui o sábio mestre Yoda: “O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio, e o ódio leva ao sofrimento”.

É com o ódio do público que conta Tempesta (Aya Cash), algo que uma nazista como ela já viu funcionando, quando Hitler moveu as massas contra judeus, ciganos e outras minorias em uma Alemanha que deu início à mãe de todas as guerras.

É o ódio que ela utiliza ao lado do Capitão Pátria para incentivar Ryan a utilizar sua visão de calor pela primeira vez (escolhendo como alvo uma action figure do Profundo), além de adotar uma tática muito utilizada por racistas e preconceituosos nos dias de hoje, a inversão de papéis.

Estamos sendo atacados. Os bandidos querem nos ferir por causa de nossa aparência. Querem nos exterminar por causa da cor da nossa pele. Se chama genocídio branco!

Tempesta em “The Boys”

Sim, você leu direito, “Genocídio Branco”, termo provavelmente cunhado pela mesma equipe criativa responsável pela “ditadura gay”. Repare na cara do Capitão Pátria ao ouvir essas palavras, até mesmo ele parece incrédulo.

Também vale destacar outra pérola de Tempesta. Ao ser confrontada por Luz Estrela com o fato de que as pessoas agora sabem a verdade sobre sua ligação com o nazismo, eis o que ela diz: “As pessoas adoram o que eu tenho a dizer. Elas acreditam nisso. Só não gostam da palavra nazismo”.

Certamente você já deve ter se deparado com pessoas que dizem odiar o nazismo mas que defendem ideias que deixariam Hitler orgulhoso.

Felizmente, este episódio não é apenas sobre mentiras e os perigos do ódio desenfreado, mas sobre redenção, em especial de Billy Butcher (Karl Urban) e de Maeve (Dominique McElligott).

Billy Butcher alcança sua redenção

Billy Butcher é outro personagem que teve sua trajetória guiada pelo ódio aos supers, e que desde o primeiro episódio da primeira temporada demonstrou não ter limites, e estar disposto a tudo para encontrar sua esposa e punir aqueles que ele considerava culpados.

Nem mesmo seus companheiros confiam na sua palavra ou julgamento quando supers estão envolvidos, e agora, parecia mais uma vez que ele iria se comportar como um completo babaca, fazendo um pacto com Stan Edgar (Giancarlo Esposito), entregando Ryan (Cameron Crovetti) para que pudesse fugir sozinho com Becca (Shantel VanSanten), sua esposa.

É o amor que sente por sua esposa que o leva a encontrar sua redenção, mudando o plano no último instante, disposto a se sacrificar para garantir a fuga de Becca e Ryan.

Butcher teria morrido se não fosse a intervenção de Maeve, finalmente tornando-se a heroína que o público acreditava que ela fosse.

Ao se juntar com Luz Estrela (Erin Moriarty) e Kimiko (Karen Fukuhara) para dar uma surra em Tempesta, em um dos momentos mais catárticos da temporada, e ameaçar o Capitão Pátria de entregar para as autoridades o vídeo onde ele abandona inocentes para morrer em um avião condenado, ela definitivamente muda de lado e alcança outro status na trama.

A decisão tanto dela quanto de Luz Estrela de se manterem nos “Sete”, ao lado de um Capitão Pátria e de um Stan Edgar que sabem de que lado estão, parece tremendamente arriscada. Resta ver como será a dinâmica das duas na terceira temporada, não apenas com Pátria e Stan, mas com Black Noir, que entrou em coma após sua absurda luta contra Maeve, onde foi facilmente dominado e obrigado a ingerir um chocolate com nozes.

Maeve, um mulherão!

Ambas irão se juntar à Trem Bala (Jessie Usher), que sem a concorrência do velocista Onde de Choque (Mishka Thébaud), cuja cabeça foi explodida no último episódio, conseguiu de volta a vaga nos Sete.

Já Profundo (Chace Crawford) segue falhando miseravelmente em tudo o que faz, não conseguindo voltar para a equipe e sendo expulso por Alastair Adana da Igreja do Coletivo.

Estaríamos diante de uma oportunidade de ver a dupla Profundo e Arqueiro Águia reunida mais uma vez? Lembrem-se que o Arqueiro Águia também foi expulso da igreja.

Não foi Maeve nem Luz Estrela, no entanto, a responsável pela morte de Tempesta. Ironicamente, a nazista consegue finalmente despertar o ódio de Ryan, ao atacar Becca, sua mãe, fazendo com que o garoto utilize a visão de calor.

Infelizmente, sem controlar direito sua visão, Ryan acaba ferindo mortalmente Becca, que estaca próxima demais de Tempesta. Essa cena é uma das mais dramáticas já vistas no show, contando com atuações perfeitas de Karl Urban e Anthony Star.

Com a perda de Becca, resta para Billy Butcher a promessa feita a ela de proteger Ryan.

Os danos causados em Tempesta foram tão devastadores que parecem ser um indicativo claro de que os poderes do garoto são ainda maiores do que seu pai, o Capitão Pátria, transformando-o em um elemento chave tanto para a Vought quanto para aqueles que estão lutando para derrubá-la.

Capitão Pátria, o olhar de quem não tomou seu leitinho

A busca da Vought e do Capitão Pátria por Ryan, agora sob os cuidados de Grace Mallory (Laila Robins) e seus agentes, tem tudo para ser um dos elementos centrais da próxima temporada.

Já o olhar do Capitão durante a entrevista coletiva e sua cena final demonstram que ele está cada vez mais perturbado e que pode perder o controle a qualquer momento.

E finalmente, a revelação do super responsável pelas explosões de cabeças.

Para surpresa de todos, ninguém ligado à Vought, mas sim a senadora Victoria Neuman (Claudia Doumit), uma das mais ferrenhas opositoras da empresa.

Haviam pistas; no ataque ao julgamento, se a Vought fosse a responsável, ela seria uma alvo natural, já que vinha se mostrando sua principal adversária na luta pelo aumento dos supers e uso militar.

Victoria Neuman, os homens perdem a cabeça por ela

Neuman não apenas se mostra como uma terceira força, lucrando com a luta entre as outras duas (Vought e a oposição), como eliminou Alastair Adana, outra peça importante no tabuleiro.

É provável que outra pessoa assuma o comando da Igreja do Coletivo, mas sem a mesma influência que Adana possuía junto ao governo e a Stan Edgar.

Essa personagem, atuando fora do radar dos demais, tem tudo para aprontar altas confusões na terceira temporada. O grande problema é que seu poder é absurdamente forte, e já demonstrou ser capaz de matar a distância, o que vai dar um trabalho danado para os roteiristas justificarem ela não apagar quem se colocar em seu caminho.

A segunda temporada, apesar de um ou outro deslize, encerra conseguindo o improvável, ser ainda melhor do que a primeira, e assumindo o merecido posto de maior sucesso da Amazon Prime, que colhe os frutos de seu sucesso.

A terceira temporada certamente está na minha lista de mais aguardadas do ano de 2021.

E vocês, o que acharam?

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos

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