Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 11: A herdeira

Por Fernando Fontana

Você terá que navegar por um mar de spoilers no texto abaixo

Começamos o décimo primeiro episódio de Mandaloriano (3º da Segunda Temporada) com Mando (Pedro Pascal) tentando sobreviver à reentrada e pousar sua nave no planeta Mon Calamari, e se a Millennium Falcon de Han Solo era chamada de sucata, é porque ainda não havíamos visto o estado lamentável em que se encontra a Razor Crest.

Após cumprir sua missão e levar a Mulher Sapo para seu ansioso marido, Mando consegue em uma taverna (onde mais seria) a informação de que um Quarren (conhecidos como cabeças de lula, raça que divide o planeta com os Mon Calamari) poderia leva-lo até outros Mandalorianos.

Curiosamente, a suposta viagem até os Mandalorianos ocorre em um navio, algo bastante incomum no universo Star Wars repleto de naves; pelo menos que eu me lembre, é a primeira vez que vejo um. O clima de Velho Oeste tão presente em episódios anteriores, agora dá lugar à pirataria.

Mando precisa urgentemente aprender que não pode confiar em ninguém, já que, além de estar carregando o pequeno Baby Yoda, um alvo para todos que querem receber a recompensa do Império, o Beskar, também conhecido como ferro mandaloriano, da qual é feita sua armadura, é extremamente valioso, e só nessa segunda temporada, já o colocou em situação de vida ou morte em duas ocasiões.

Mando tentando entrar na atmosfera de Mon Calamari sem que a Razor Crest caia aos pedaços

Mando e Baby Yoda são salvos da morte justamente pelos Mandalorianos que eles procuravam, três membros de uma facção de elite mandaloriana conhecida como Corujas, e que já foram vistos em Clone Wars; Bo-Katan Kryze, a líder deles, é, inclusive, interpretada por Katee Sackhoff, que a dubla na série animada (um fan service para ninguém colocar defeito, e como diria Érico Borgo do “Omelete”, eu sou Fan, quero service).

Um momento de tensão revela algo interessante sobre os Mandalorianos e que nem mesmo o próprio Mando sabia; Kryze, Axe Woves (Simon Kassianides) e Kosha Reeves (Sasha Banks), removem seus capacetes, revelando seus rostos, o que o leva a imediatamente acreditar que não são Mandalorianos legítimos, por quebrarem o código sagrado.

Kryze diz para Mando que ele é na realidade membro de uma facção conhecida como “Filhos do Olho” (Children of The Watch no original), um culto religioso extremista cujo propósito é reestabelecer o caminho ancestral.

Mando, que, inicialmente recusa uma aliança com o grupo, só o faz porque é salvo mais uma vez por eles, que demonstram serem extremamente eficientes e com uma mira letal. Se quer um serviço bem feito, contrate Mandalorianos.

As Corujas, facção de elite Mandaloriana que não compartilha de alguns dogmas como sempre esconder o rosto

Em troca da localização dos Jedi, para quem o Baby Yoda deve ser entregue, Kryze pede que Mando a ajude a roubar um carregamento de armas de um cargueiro imperial quando este estiver abandonando o planeta. São apenas 4 Mandalorianos contra um esquadrão inteiro de Stormtroopers, mas como Woves faz questão de recordar, “eles nem conseguem acertar o lado de um Bantha).

Não é a primeira vez que a série brinca com a péssima mira dos Stormtroopers, em “Redenção”, último capítulo da primeira temporada, vemos dois deles, tentando acertar uma peça que está no chão, mas depois de errarem diversos disparos, simplesmente desistem do passatempo.

Se quer um serviço de proteção decente para seu cargueiro, não contrate Stormtroopers.

O roteiro da série tem lembrado demais o de um jogo de vídeo game, onde você precisa cumprir uma missão para seguir adiante. Se você levar a Mulher Sapo até Mon Calamari ela lhe dirá onde pode encontrar Mandalorianos, se você ajudar os Mandalorianos em sua missão, eles lhe dirão onde encontrar os Jedi, e assim por diante.

Para obter a localização dos Jedi, Mando precisa auxiliar os Mandalorianos em sua missão

E se já falamos sobre Fan Service, no final do episódio, quando Kryze revela que a Jedi que ele deve encontrar é Ahsoka Tano, a cabeça dos fãs deve ter explodido.

Jon Favreau certamente estudou o universo de Star Wars e sabe o que os fãs querem, utiliza o humor para brincar com o que já havia se tornado piada antes da série (a mira ruim dos Troopers), traz personagens conhecidos do público e os insere em uma trama sem grandes arroubos mas que tem funcionado perfeitamente.

A nova trilogia de filmes (VII, VIII e IX) trouxe batalhas grandiosos para as telas do cinema, mas em seu conjunto não conseguiu o que Mandaloriano tem conseguido, divertir e empolgar assim como a trilogia original empolgou quem a assistiu no fim da década de 70 e início de 80.

A força é poderosa em Favreau e eu não canso de elogiar essa série.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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