Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 12: O Cerco

Por Fernando Fontana

O índice de Midi-chlorians e spoilers neste texto é alto.

Começamos o episódio 12 de Mandaloriano (4º da segunda temporada) com Mando (Pedro Pascal) tentando ensinar Baby Yoda a conectar o fio certo para fazer a Razor Crest (ou o que sobrou dela) funcionar corretamente. Não apenas a força é poderosa nesta criaturinha, mas também a capacidade de nos fazer se apaixonar por ela; ter uma dupla de protagonistas como essa é meio caminho andado para o sucesso.

Sem conseguir que a Razor fique em um estado minimamente razoável, Mando decide fazer uma parada para reparos em Nevarro, agora um planeta respeitável, graças às ações de dois antigos aliados, o agora administrador Greef Karga (Carl Weathers) e a xerife Cara Dune (Gina Carano), que limpou boa parte da escória e tem mantido a lei.

Vale ressaltar que Weathers, que aparece pela primeira vez na segunda temporada, não apenas atua no episódio, como também é o responsável pela sua direção. Esta também é a primeira vez que vemos Gina Carano na temporada; a atriz e ex lutadora de MMA, se envolveu em uma grande polêmica nas redes sociais, com fãs pedindo sua demissão após ter feito posts no Twitter questionando o uso de máscaras de proteção contra o Covid 19, além do resultado das últimas eleições norte-americanas, onde Joe Biden venceu o atual presidente Donald Trump.

Questionado por Dune sobre o estado de sua nave, Mando revela que teve um encontro com X-Wings da Nova República. Greef diz que os republicanos deveriam deixar a Orla Exterior em paz, indicando que Nevarro não tem qualquer intenção de permanecer sob ordens da República ou do que restou do Império, e que nenhum dos dois de fato se estabeleceu como força dominante.

Cara Dune (Gina Carano) e Greef Karga (Carl Weathers), responsáveis por manter a lei e a ordem em Nevarro, e pouco dispostos a colaborar com a República ou com o Império

Karga e Dune providenciarão os reparos necessários na Razor Crest, e, em troca, adivinhem só, o Mandaloriano deve ajudá-los com uma base imperial que ainda permanece em Nevarro; trata-se da velha rotina de cumprir uma missão para destravar outra, típica dos videogames, e sobre a qual já mencionamos na análise do episódio 11.

Os três e Mythrol (Horatio Sanz), o alienígena azul que Mando prendeu em carbonita e entregou para Greef Karga no primeiro episódio da primeira temporada, tentarão se infiltrar na antiga base imperial, destruindo-a e transformando Nevarro em uma posto comercial livre.

Mythrol e sua já conhecida covardia assumem o posto de alívio cômico em seus diálogos com Karga, além de ser uma espécie de “R2-D2” biológico e menos simpático, destravando portas, e invadindo computadores para grupo.

Sendo uma base imperial, a segurança é evidentemente péssima, e os quatro conseguem entrar, chegar até o reator principal e sobrecarregá-lo sem dificuldade, ficando com apenas dez minutos para abandonar o local antes que ele vá pelos ares.

Mythrol, Horatio Sanz, covarde, mas eficiente em invadir computadores imperiais

Durante a fuga, eles descobrem que a base é na realidade um laboratório, e após Mythrol invadir o seu sistema, visualizam um holograma do Dr. Pershing (Omid Abtahi) – cientista que já vimos na primeira temporada – informando Moff Gideon (Giancarlo Esposito) do fracasso dos experimentos envolvendo transfusão de sangue com alta taxa de “Midi”, e da necessidade de novo acesso ao doador.

Essa única mensagem traz diversas informações importantes, sendo a primeira delas que o Império precisa urgentemente rever não apenas a mira dos seus Troopers, mas também o sistema de segurança que utiliza em seus computadores. É impressionante a velocidade com que Mythrol não apenas entrou no sistema, como localizou a mensagem, estamos falando de poucos segundos.

Segundo, e essa é possivelmente a mais impressionante, Jon Favreau ressuscita um dos conceitos mais odiados em Star Wars, os famigerados Midi-chlorians, que nos foram apresentados em “Episódio I – A Ameaça Fantasma” (1999) pelo mestre Qui-Gon Jinn (Liam Neeson).

Midi-chlorians seriam formas de vida microscópicas que vivem dentro dos corpos, sendo responsáveis pela conexão entre eles e a força. Essencialmente tratou-se de uma tentativa fracassada de George Lucas de dar uma explicação “racional” para o poder dos Jedi.

Yoda utiliza a força para retirar o X-Wing de Luke do Pântano, sem jamais mencionar os Midi-chlorians em seus ensinamentos

Parte da magia da trilogia original e que encantou o público residia justamente na união entre a ficção científica e o conceito filosófico/espiritual envolvendo a força e os Jedi, e tentar resumi-la a uma taxa de seres microscópicos no sangue se mostrou um erro execrado pelos fãs e logo esquecido.

Aliada minha é a força, e poderosa aliada ela é; a vida a cria, crescer ela faz, é energia que cerca nós, que liga nós, luminosos seres somos nós, não essa rude matéria

Mestre yoda – o império contra ataca

Surpreendentemente, em “O Cerco”, Favreau recupera o conceito e faz dele, ao que tudo indica, parte importante da trama desta temporada, que deixa de ser apenas uma sequência de missões rumo ao encontro com a Jedi Ahsoka Tano, e agora ganha contornos maiores, com Moff Gideon disposto a criar um exército de usuários da força.

E já que mencionamos Gideon, Giancarlo Esposito é perfeito para interpretar vilões de respeito, aquele sujeito que coloca medo e faz você pensar duas vezes antes de desafia-lo. Ao vê-lo com seu traje negro, cercado pelo que parecem ser Dark Troopers, pela primeira vez sentimos que encontramos um substituto a altura de Darth Vader.

Tira essa armadura negra, Kylo Ren, que você não é caveira, é moleque!

O grupo acreditava que Moff Gideon estava morto, após seu TIE Fighter ter sido derrubado por Mando no último episódio da primeira temporada; agora sabem que está vivo e com um plano secreto para aumentar a força do Império, utilizando o sangue do pequeno Yoda, razão pela qual tenta desesperadamente recapturá-lo.

A segunda metade do episódio é ocupada pela sequência de fuga da base com Dune, Karga e Mythrol tentando escapar de Speeder Bikes e TIE Fighters em um blindado, contando no final com a ajuda de Mando, que voou para o porto e retornou com a Razor Crest novinha em folha e um Baby Yoda amando cada parte do combate aéreo.

O episódio “O Cerco” mostra o novo plano de Moff Gideon, revela as razões para o Império precisar do Baby Yoda e traz uma dimensão maior para a trama da segunda temporada, porém, faz isso recuperando o há muito tempo enterrado conceito dos Midi-Chlorians.

Se existe alguém que pode fazer isso funcionar é Jon Favreau, que a força esteja com ele!

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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