Utopia – Temporada 1, Ep. 06: Respect Your Purpose

Por Fernando Fontana

O texto a seguir está infectado por spoilers!

No sexto episódio de Utopia, o grupo, que agora conta com a adição da pequena Alice (Farrah Mackenzie) que teve a mãe morta por Arby (Christopher Denham) em “Order 2472”, finalmente está com todas as páginas da História Utopia, e começa a procurar por respostas.

Segue incomodando as escolhas do roteiro e da direção no que diz respeito à atuação e forma como os personagens tem digerido tudo que acontece ao seu redor. No último episódio, Wilson (Desmin Borges) e Ian (Dan Byrd) ficaram sabendo que seus familiares ou foram mortos ou estão gravemente feridos, ainda assim, Wilson sorri e abraça Ian, demonstrando otimismo e confiança de que conseguirão desvendar os mistérios escondidos na História em Quadrinhos.

Com exceção de Jéssica Hyde (mentalmente perturbada e programada para lutar e matar), estamos falando de pessoas comuns e não de agentes da CIA ou da KGB, que foram treinados para executar a missão não importa o que aconteça.

Ainda, assim, enquanto Ian e Becky (Ashleigh LaThrop) consumam sua paixão no quarto, Wilson chega à conclusão de que o bom Dr. Michael Stearns (Rainn Wilson) que está em todas as manchetes falando sobre a gripe que veio do Peru e da vacina que criou para combate-la é o Dr. Coelho, porém, é corrigido por Becky; Stearns não é o vilão, mas sim um agente controlado por ele.

O Dr.. Michael Stearns entra na mira do grupo de Jéssica Hyde em Utopia

Falando no Dr. Stearns, ele decide permanecer na cidade e acompanhar a recuperação de Charlotte (sem saber, é claro que se trata da irmã dela, Lily). É na casa de Charlotte e de seu pai, o Dr. Dale (Tim Hopper), que Stearns percebe um comportamento estranho por parte de ambos; o fato da suposta casa onde vivem há tempos, possuir gavetas, armários e geladeira completamente vazios, como se tivessem sido instalados há pouco tempo, contradiz o relato de Dale.

Charlotte/Lily (Hadley Robinson) e seu pai são personagens interessantes justamente por irem na contramão dos demais; Dale, que foi treinado para cumprir um propósito, apresenta um dos comportamentos mais humanos da série, demonstrando não apenas ter sentido muito a perda de uma de suas filhas adotivas, mas estar perturbado com a aproximação do Dr. Stearns e a possibilidade do plano ser descoberto.

Já Lily, assim como sua irmã Charlotte, foi treinada durante toda a vida para se sacrificar pelo objetivo maior da Colheita (que até o momento não sabemos o que é), entretanto, viu sua irmã cumprir o seu propósito, enquanto ela deveria apenas aparecer saudável diante das câmeras e depois recolher-se, falando o mínimo possível.

Agora, sentindo que ficou sem um propósito e pela primeira vez tornando-se o centro das atenções, com a mídia buscando incessantemente informações sobre a primeira e única sobrevivente da epidemia, Lily não resiste e começa a falar demais com a imprensa. A jovem que acalmou o pai quando este começou a fraquejar diante da morte da irmã, agora torna-se uma ameaça e um potencial alvo para a Colheita e o Dr. Christie (John Cusack).

Charlote/Lily, uma jovem que perdeu o propósito e decide criar um novo

Arby, revela para o Dr. Christie, que decidiu não levar adiante o seu propósito e libertou Jéssica Hyde (Sasha Lane), perdendo assim Utopia, que se encontra nas mãos dela. O comportamento do Dr. Christie com relação a ele a partir deste momento é um mistério; pessoas já foram eliminadas por muito menos, e por mais habilidoso que Arby seja, tornou-se instável demais, arriscado demais para o plano, sendo muito mais seguro utilizar os recursos e assassinos que a Colheita possui em grande número.

A dimensão e extensão destes recursos pode ser medida pela forma como os membros da Colheita rapidamente forjam uma série de eventos e criam, praticamente do nada, a existência de um ser-humano através de registros falsos, sem falar do Cliffhanger no final deste episódio, que já se tornou marca registrada da série, e que mostra que qualquer um pode ser um agente disfarçado.

Quando se confere recursos ilimitados para uma organização fica cada vez mais difícil justificar uma possível derrota dela, somado ao incômodo causado pela reação e comportamento de alguns personagens (em especial os ligados ao grupo de Jéssica Hyde) e Utopia caminha por uma trilha perigosa, onde terá sérias dificuldades para amarrar suas pontas soltas em seus dois últimos episódios e apresentar um final que convença.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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