Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 13: A Jedi

Por Fernando Fontana

A força e os spoilers são fortes no texto a seguir

Um Mandaloriano e uma Jedi? Eles nem verão acontecer!

Não era segredo para ninguém que Ahsoka Tano iria aparecer neste episódio, Bo-Katan ( Katee Sackhoff) já havia informado Mando (Pedro Pascal) que ela era a Jedi que ele deveria encontrar no planeta Corvus; ainda assim, ver a personagem que já conhecíamos das séries animadas de Star Wars, ganhar vida na tela através de Rosária Dawson é de arrepiar.

Dawson parece ter nascido para interpretar a antiga padawan de Anakin Skywalker, e Dave Filoni, responsável pelo roteiro e pela direção deste episódio, nos mostra desde o começo o quão ameaçadora uma Jedi pode ser, principalmente se tiver a escuridão como aliada.

Pessoas como Favreau e Filoni são a razão pela qual Mandaloriano alcança tamanho sucesso; o diretor é um fã de carteirinha de Star Wars e atuou na direção de Clone Wars e Star Wars Rebels, conhecendo muito bem o universo da saga e, em especial, a protagonista deste episódio.

A cidade em que o Mandaloriano procura informações sobre a Jedi, está sendo ameaçada justamente por Ahsoka, ou melhor, não a cidade em si, mas a tirana que assumiu seu controle, Morgan Elsbeth, interpretada por Diana Lee Inosanto. Elsbeth vive em um castelo luxuoso, cercado pela miséria do povo, proibido até mesmo de conversar com estranhos.

Morgan Elsbeth, a tirana que governa com mão de ferro, interpretada por Diana Lee Inosanto

Se o cenário de outros episódios evocava o Velho-Oeste, agora temos elementos que nos fazem recordar do Japão Feudal e dos antigos samurais, uma das inspirações de George Lucas para criar os Jedi, uma vez que o diretor é fortemente influenciado pela obra de Akira Kurosawa.

Ao contrário de “Sete Samurais” (1954), filme de Kurosawa cujo roteiro seria adaptado posteriormente em “Sete Homens e um Destino” (1960), “Mercenários das Galáxias” (1980) e até “Vida de Inseto” (1998), os camponeses não sofrem uma ameaça externa, mas sim de quem comanda o vilarejo.

Sem saber que o Mandaloriano está procurando pela Jedi, Elsbeth “contrata” o Caçador de Recompensas para mata-la, oferecendo como pagamento uma lança feita de Beskar, o ferro mandaloriano. Notem que, na cena em que a proposta é feita, Mando jamais diz que aceita o trabalho, a conversa é encerrada com a pergunta “onde eu encontro a Jedi?”, fazendo com que ele não quebre o código mandaloriano.

Em teoria, ao encontrar Ahsoka, Mando entregaria o Baby Yoda (e esta será a última vez que vamos chamá-lo assim) para a Jedi e seguiria o seu caminho, mas, nós sabemos que a Disney não rasga dinheiro, e que a dupla não seria desfeita.

Ahsoka Tano (Rosária Dawson) e seus dois sabres de luz

Se os fãs achavam que a aparição da Jedi seria o único atrativo do episódio, se enganaram, Ahsoka consegue compreender os pensamentos do pequeno companheiro de Mando, descobre seu nome, Grogu (sim, acostume-se), e nos revela sua origem; ele foi criado e treinado no templo Jedi em Coruscant, e de lá retirado e escondido após sua destruição e vitória do Império (como vimos em Star Wars Episódio III).

A queda de seu antigo mestre, Anakin, sua passagem para o lado sombrio e transformação em Darth Vader é o que motiva Ahsoka a recusar treinar Grogu. O jovem demonstra ser fortemente apegado a Mando, e ela, mais do que ninguém, sabe quanta dor e destruição pode ser causada quando um Jedi tão poderoso sucumbe ao medo e a raiva.

O medo é o caminho para o lado sombrio. O medo leva à raiva. A raiva leva ao ódio. O ódio leva ao sofrimento.

Mestre Yoda

Apesar disso, Ahsoka aceita a ajuda de Mando para remover Elsbeth da cidade, e em troca, embora não treine Grogu, se compromete a auxiliar a achar alguém que talvez o faça. Mais uma vez, é incrível como a Jedi torna-se assustadora, caçando os inimigos durante a noite, entre as casas do vilarejo, em uma espécie de mini slasher movie, onde ela é o assassino e os soldados são as vítimas.

O rosto de Ahsoka Tano iluminado pelos seus sabres de luz é a última coisa que muitos inimigos verão.

Ahsoka Tano cresceu e se tornou uma Jedi muito mais perigosa

A linda fotografia e os sons da batalha final entre Tano com seus sabres de luz e Elsbeth com sua lança Beskar fazem referência aos já mencionados filmes de samurai, com uma coreografia bem trabalhada e que convence. Não pude deixar de me lembrar do confronto entre a noiva (Uma Thurman) e O-Ren Ishii (Lucy Liu) em Kill Bill de Quentin Tarantino.

Não bastasse tudo o que já foi visto neste fantástico episódio de Mandaloriano, no final ainda temos a revelação de que a informação que Ahsoka Tano desejava arrancar de Elsbeth era a localização do Grande Almirante Thrawn, conhecido por ser o principal vilão da chamada Trilogia Thrawn, composta pelos romances “O Herdeiro do Império”, “A Ascenção da Força Sombria” e “O Último Comando”, todos escritos por Timothy Zahn.

Thrawn e a obra de Zahn são muito populares, especialmente entre os fãs mais ardorosos, e caso o personagem seja levado para as telas muito provavelmente estaremos diante de outro acerto de Mandaloriano, que vem acumulando créditos junto ao público.

Não é por acaso que a série se tornou o grande carro chefe da Disney Plus, e se o serviço de Streaming compreender os motivos deste sucesso, e nos trouxer mais shows com essa qualidade, sua assinatura vai se tornar mais procurada do que Beskar.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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