Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 14: A Tragédia

Por Fernando Fontana

O Código Mandaloriano me obriga a informá-los de que há spoilers no texto a seguir.

Inegavelmente, um dos muitos motivos para o sucesso de Mandaloriano está em sua dupla de protagonistas, cujo vínculo fica mais forte a cada episódio, e que nos faz torcer por eles. Diálogos como o presente no começo deste episódio reforçam esse sentimento; vemos Mando (Pedro Pascal) dizendo para Grogu (ou Baby Yoda, você decide como quer chamar o pequenino), os motivos que o levarão a deixá-lo com os Jedi, ao invés de continuar como sua figura paterna, e o que percebemos é que, de certa forma, ele está tentando se convencer de que é a coisa certa a se fazer, de que, não possuindo condições de treina-lo nos caminhos da misteriosa força, deve entrega-lo.

Seguindo as orientações de Ahsoka Tano (Rosário Dawson), Mando leva Grogu para o planeta Tython e até a “pedra mágica” onde ele deve tentar contato com algum Jedi. É engraçado como ele fica perdido, já que não tem a menor ideia de como funcionará o “ritual” de contato. Ritual esse, que ao funcionar envolve o garoto em uma energia azulada que impede Mando de se aproximar, justamente quando uma nave surge no céu, transformando-se em ameaça.

É nesse ponto que a cabeça dos fãs começa a explodir; os mais antigos certamente reconhecerão a Slave I, nave que pertenceu ao mercenário Boba Fett, que surgiu pela primeira vez na trilogia original, e ganhou a imaginação do público, após prender Han Solo e levá-lo para Jabba, o Hut, criminoso do planeta Tatooine, em “Império Contra Ataca”.

Apesar de toda a sua popularidade, o mercenário pouco fez na trilogia, tendo uma morte bem pouco digna (para não dizer ridícula), quando foi devorado pelo Sarlacc em “O Retorno de Jedi”.

Boba Fett, o mercenário ganhou a imaginação dos fãs mas teve uma morte ridícula em “O Retorno de Jedi”

Sendo Favreau quem é, e sabendo do quão cativante era o personagem, ele não o deixaria de fora em Mandaloriano, cuja popularidade pode ser rastreada até Boba Fett. O mercenário sobreviveu ao Sarlacc, matou a fera, entretanto perdeu sua armadura, que foi encontrada por Jawas, e posteriormente vendida para Cobb Vanth (Timothy Olyphant), que a utilizou para manter a lei e a ordem em Mos Pelgo, como visto no episódio 09 “O Xerife”.

Aliás, difícil não fazer um paralelo entre a cena em que Mando é devorado pelo Dragão Krayt, e mesmo assim, consegue escapar, explodindo o bicho, e a ideia de que Fett também fez algo semelhante com o Sarlacc.

Foi também no final do episódio 09 que nos deparamos com uma misteriosa figura observando Mando cruzando as areias em seu Speeder bike; interpretado pelo ator neozelandês Temuera Morrison, e que agora, no episódio 14, descobrimos ser ninguém menos que o próprio Boba Fett. E para dobrar a nostalgia, Morrison foi quem interpretou Jango Fett em “Episódio II – O Ataque dos Clones”. Foi o DNA de Jango que foi utilizado para criar o exército de clones da República, assim como de seu filho, Boba Fett, também um clone, mas que não teve seu crescimento acelerado.

Fett traz consigo na nave, a assassina Fennec Shand (Ming-Na Wen), que foi deixada para morrer nas areias de Tatooine no episódio 05 da primeira temporada (A Pistoleira), após confronto com Mando e um mercenário novato. Fennec foi resgatada por Fett e agora encontra-se a seu serviço.

Fennec Shand e Boba Fett, uma dupla letal

Sob a direção de Robert Rodriguez (El Mariachi, Sin City), “Tragédia” finalmente nos mostra na tela do que Boba Fett é capaz, e ele é brutal! Utilizando um bastão Gaderffii, principal arma branca do Povo da Areia (Tusken Raiders no original), ele literalmente racha os capacetes de diversos Stormtroopers.

Se a ambientação dos episódios anteriores nos levou para o velho oeste, pirataria ou Japão Feudal, tive a impressão que chegou a vez de batalhas modernas como o Vietnã, com tropas do Império utilizando seu armamento pesado, contra oponentes em menor número e táticas de guerrilha.

Mais uma vez, sempre bom ressaltar, o emprego com menor expectativa de vida na Galáxia deve ser ingressar no Império como Stormtrooper. Eles são dizimados como moscas por Fett, Shand e Mando, e correm feito desesperados para salvar suas vidas.

Impossível não nos empolgar vendo Boba Fett finalmente trajando sua antiga armadura, e sendo igualmente letal, embora mais sutil do que com o bastão.

E morreu…

Restava saber a razão do nome do episódio, e ela vem quando assistimos a chegada de Moff Gideon (Giancarlo Esposito) em seu cruzador imperial, que abre fogo e explode a Razor Crest quando ela ainda está no chão. A Razor já tinha se tornado parte da história de Mando, assim como a Millenium Falcon fazia parte da história de Han Solo, e vê-la destruída foi um choque.

Além disso, vemos os Dark Troopers pela primeira vez em ação, ou melhor, descobrimos qual sua aparência; são eles que capturam Grogu e o levam até o Cruzador. O corpo destes Troopers é composto, quase que inteiramente por partes robóticas, sendo que talvez o cérebro seja a única parte orgânica restante. São assustadores, mas ainda não sabemos o que podem fazer em combate.

Em seu pior momento desde que começou a série, Mando está sem sua nave e perdeu Grogu, que jurou proteger e entregar aos Jedi. Felizmente, Boba Fett prometeu que, em troca da armadura que foi sua um dia, garantiria a segurança do Mandaloriano e do pequeno. Sendo assim, ele se oferece para ajudar.

Não será fácil resgatar Grogu, o grupo terá que invadir ou o Cruzador de Moff Gideon ou uma base imperial fortemente protegida por batalhões de Stormtroopers, que, ok, morrem aos montes, mas ainda assim, se estiverem na proporção de 100 pra 1 podem dar trabalho.

Boba Fett engordou uns quilinhos desde a última vez que vestiu a armadura.

Talvez uma esperança esteja no fato de que Grogu conseguiu contato com algum Jedi, e este pode muito bem vir em socorro da criança no próximo episódio. Resta saber qual Jedi atenderá o pedido.

E aí, você arrisca um palpite?

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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