Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 15: O que Acredita

Por Fernando Fontana

Há spoilers e diálogos Tarantinescos no texto a seguir.

Estamos nos aproximando do final da segunda temporada de Mandaloriano, e a série tem conseguido o improvável, superar as expectativas dos fãs, que já estava alta após a primeira temporada.

Mando (Pedro Pascal) agora está na mais importante de suas missões, resgatar Grogu das mãos de Moff Gideon (Giancarlo Esposito), e para isso, além da ajuda do lendário Boba Fett (Temuera Morrison), Fennec Shand (Ming-Na Wen) e a agora delegada da Nova República Cara Dune (Gina Carano), um trio casca grossa que devora Stormtroopers no café da manhã, ele precisa de Mayfeld (Bill Burr), ex franco-atirador do Império (o que não quer dizer muita coisa) e que traiu o Mandaloriano na missão de resgate no episódio 06 da primeira temporada, “O Prisioneiro”.

Mayfeld, que se encontra em um campo de prisioneiros da Nova República, é essencial, pois sabe todos os códigos e protocolos do Império, permitindo que ele acesse o sistema e descubra o paradeiro do Cruzador de Moff Gideon. Felizmente, ele pode ser removido do campo sem problemas pela delegada Dune, ainda que de forma ilegal.

Para acessar um terminar imperial interno, Mayfeld aponta o planeta Morak, onde existe uma refinaria secreta de rhydonium, um mineral tão volátil e explosivo que pode ir pelos ares se você o sacudir demais.

Mando, Mayfeld e Cara Dune no episódio 15 de Mandaloriano

Para entrar dentro da refinaria, Mando e Mayfeld assumem o controle de um Juggernaut, um veículo blindado que carrega o rhydonium. Aqui neste momento, o Mandaloriano, precisa se livrar de sua armadura e vestir a de um dos Troppers, deixando para trás a segurança de seu tão precioso Beskar.

Cara Dune entra sem dificuldade no veículo e dá uma surra nos dois pilotos, e quando eu digo sem dificuldade, quero dizer que a escotilha estava aberta! Caramba, será possível que os Stormtroopers são recrutados entre os seres mais estúpidos e com a pior mira da galáxia? Logo depois, Mando e Mayfeld assumem o controle.

Cara Dune, Boba Fett e Fennec não podem entrar na base, pois ela é comandada por ex integrantes do ISB (Imperial Security Bureau), uma espécie de gestapo imperial, e com seus respectivos DNAs cadastrados na base de dados dele, seria muito arriscado.

No meio do trajeto entre o local onde tomaram o veículo e a refinaria, são vistos inúmeros Juggernauts destruídos, indicando que o caminho não é seguro, o que é reforçado pelo ataque “surpresa” de inúmeros piratas. Agora, primeiro, por que diabos piratas estão explodindo veículos de transporte junto com a carga ao invés de rouba-la? Segundo, se o Império sabe o que está acontecendo porque não reforça a segurança, ao invés de permitir que seus transportes e seu rhydonium virem fumaça?

Enquanto Mayfeld dirige o Juggernaut, Mando dá uma surra em vários piratas permitindo que o veículo se aproxime da refinaria, onde inúmeros Stormtroopers e uma dupla de TIE Fighters eliminam os inimigos restantes. E, pasmem, amigos, dessa vez os Troppers acertam os alvos, um raro momento na história de Star Wars.

Stormtroopers acertando o alvo, algo que não se vê todos os dias

Dentro da refinaria, Mando, utilizando o bastão de dados de Mayfeld, tem acesso a um terminal interno, porém, não basta utilizar o bastão, o terminal precisa escanear o rosto de quem o está utilizando. Isso abre uma brecha para que, finalmente, vejamos pela primeira vez o rosto de Pedro Pascal na série, algo que o Mandaloriano evitou ao máximo, mas só aceitou faze-lo para salvar Grogu, demonstrando o tamanho da devoção ao pequeno.

Agora, por mais que esse momento seja impactante, qual é a razão para se escanear um rosto, se qualquer um pode utilizar o terminal, caso esteja com um bastão de dados? Segundo, em um pequeno terminal interno, que mais parece um caixa eletrônico onde os imperiais sacam o salário, um Trooper consegue localizar facilmente as coordenadas do cruzador de um dos principais líderes do Império? Eu já falei aqui antes, mas o Império precisa urgentemente reforçar a segurança de seu sistema, porque qualquer um faz o que quer. Não duvido nada que era só digitar meia dúzia de comandos para aparecer o curriculum com foto do Gideon.

Deixando essas falhas para lá, logo após revelar seu rosto e conseguir os dados que precisa, Mando e Mayfeld são convidados, devido a sua bravura no transporte do rhydonium e combate aos piratas, para um drinque com o comandante Valin Hess, naquela que é provavelmente a minha cena preferida deste episódio.

Mayfeld já serviu sob o comando de Hess, razão pela qual ele teme ser reconhecido, ao mesmo tempo que sente um ódio profundo de se ex comandante, uma vez que sob suas ordens, entre cinco e dez mil Stormtroopers perderam a vida para conquistar uma cidade na batalha de Burnin Konn.

Mayfeld, Valin Hess e Mando sem seu capacete no episódio 15 de Mandaloriano

O diálogo que se segue, com os três sentados em uma mesa, como se estivessem em um bar, lembra demais a tensão típica dos filmes de Tarantino, quando você sabe que a qualquer momento algo de muito errado pode acontecer, sem saber quem irá agir ou atirar primeiro.

Apesar desta cena, da perseguição estilo Mad Max, e do momento icônico em que Mando revela o seu rosto, o episódio 15, servindo de ponte para o último da temporada, onde provavelmente veremos o esperado confronto de Mando com Gideon e o surgimento do Jedi que foi contatado por Grogu, apresenta roteiro mais fraco que seus dois antecessores, com situações que parecem inverossímeis demais e que destoam do padrão que a série vem apresentando, incluindo uma, sem dúvida, imponente, porém, inútil mensagem onde Mando ameaça e avisa Gideon que está chegando (nós vibramos com ela, mas avisar o vilão que você está indo atrás dele é sempre uma péssima ideia).

Favreau, no entanto, tem crédito sobrando e nele confiamos, e com o episódio 16 no horizonte, resta esperar que o criador da série nos entregue um final épico e digno da temporada que até agora tem sido um presente para os fãs.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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