Mandaloriano – Segunda Temporada, Ep. 16: O Resgate

Por Fernando Fontana

O lado sombrio dos spoilers é forte neste texto!

Depois de uma primeira temporada que ganhou o público com seus protagonistas e o roteiro ágil de Jon Favreau, que demonstrou compreender mais do que ninguém o que os fãs da saga desejavam, criou-se uma grande expectativa com relação a série que se tornou o carro chefe da Disney Plus. Favreau seria capaz de manter o nível do show? Para quem assistiu o último episódio desta temporada, após recuperar o fôlego, a resposta provavelmente será um retumbante sim, mais até do que isso, ele conseguiu o improvável, superando as expectativas criadas.

Mantendo o roteiro ágil, em uma sequência de missões que levavam o Mandaloriano sempre um passo adiante na busca de um Jedi que aceitasse ser o guardião e mestre do pequeno Grogu, trazendo personagens da primeira temporada e adicionando personagens icônicos tanto das séries animadas quanto da trilogia original, a série se mantém como uma das melhores coisas já feitas para Star Wars e nos faz imaginar o que está por vir na Disney Plus, depois do anúncio de que o serviço de streaming irá lançar nada menos do que 10 séries derivadas da saga.

O episódio 16, já revela em seu nome o que já esperávamos, Mando (Pedro Pascal) monta um plano e uma equipe de respeito para resgatar Grogu das mãos de Moff Gideon (Giancarlo Esposito), contando com Boba Fett (Temuera Morrison), Cara Dune (Gina Carano), Fennec Shand (Ming-Na Wen), e as recém recrutadas Bo-Katan Kryze (Katee Sackhoff) e Kosha Reeves (Sasha Banks), com as quais Mando trabalhou no episódio 11, “A Herdeira”.

O plano para invadir o Cruzador Imperial é bastante engenhoso, conta com a surpresa e a falta de tempo para que Gideon consiga refletir sobre o que está acontecendo; quando ele percebe, os Mandalorianos já estão matando Stormtroopers como moscas.

Mando e um grupo que colocar medo em qualquer pelotão de Stormtroopers

Felizmente para Gideon, ele conta com um pelotão inteiro de Dark Troopers, que até o momento não havíamos visto em combate. Estes Troopers, conforme explicado pelo Dr. Pershing (Omid Abtahi), são de terceira geração, portanto, androides cuja fraqueza humana foi removida.

Aliás, antes de seguir com esse texto, preciso voltar um pouco, para a cena em que Pershing é capturado. Um piloto do Império o mantém como refém, sob a mira de seu blaster e conversa com Cara Dune. Esse diálogo é uma pérola por si só; o imperial reconhece através da lágrima tatuada no rosto de Dune, que ela é nativa do planeta Alderaan, destruído pela primeira Estrela da Morte, e vai além, diz que estava dentro da Estrela quando o raio da morte atingiu o planeta.

Seu fanatismo fica claro quando ele se mostra revoltado pela destruição das duas Estrelas da Morte e consequente perda de milhões de soldados que estavam nas bases, seguida pela comemoração da Galáxia, acrescentando que a destruição de Alderaan foi uma pequena perda no combate ao terrorismo.

Para inúmeros imperiais e simpatizantes ao redor da Galáxia, a culpa pela destruição de Alderaan e de bilhões de inocentes pertence aos terroristas, ou se seja, a Rebelião, que se recusou a aceitar o domínio ditatorial do Imperador Palpatine e sua ordem imposta. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, alfinetada nada sutil de Favreau naqueles que assistem Star Wars e defendem Impérios.

Para muitos imperiais, a destruição de Alderaan foi um preço pequeno na luta contra o terrorismo

No caminho para resgatar Grogu, o Mandaloriano se vê obrigado a enfrentar um Dark Trooper; essa luta tem por finalidade demonstrar o quanto estes androides são letais e terrivelmente difíceis de se vencer, aumentando a tensão do episódio e a carga dramática da cena final. Se contra apenas um deles, Mando enfrenta dificuldades, ganhando apenas por conta de seu Beskar, sem o qual teria a cabeça arrancada, fica fácil imaginar que contra todo um pelotão seria morte certa.

O aguardado confronto entre Mando e sua lança de Beskar e Moff Gideon e seu sabre sombrio, finalmente ocorre, e ao derrotar o comandante imperial, ele acrescenta mais um dilema na trama do episódio. Bo-katan precisa do sabre para reivindicar o almejado trono dos Mandalorianos, o que não seria um problema, já que o único objetivo de Mando era resgatar Grogu, e ele decide entregar o sabre sem qualquer questionamento.

A questão é que segundo a tradição, o portador do sabre precisa conquista-lo em combate e não recebe-lo de presente, se katan o aceitar dessa forma, o sabre perde seu poder como símbolo.

Durante breves instantes, achamos que pode ocorrer uma inesperada e desnecessária luta entre ela e Mando, mas a tensão é interrompida pela chegada de inúmeros Dark Troopers que lentamente começam a colocar abaixo a porta blindada da sala de comando, no soco, é bom que se diga.

Dark Troopers, finalmente soldados imperiais conseguem colocar medo

Tudo neste episódio foi montado para culminar nesta cena, o grupo preso na torre de comando do cruzador imperial com Dark Troopers prestes a invadir, e sem qualquer esperança de vitória. O palco estava pronto para a chegada de uma lenda que não teve o devido reconhecimento na nova trilogia de Star Wars.

Com a chegada de uma X-Wing no Cruzador, a figura encapuzada que dela sai, o sabre de luz verde cortando o ar e destruindo Dark Troopers sem o menor esforço, Favreau manipula a emoção dos fãs como ninguém, e se restava alguma dúvida sobre a identidade do Jedi que respondeu ao chamado de Grogu, ela se desfaz quando ele esmaga um Trooper como se ele fosse feito de plástico, unicamente com o poder da força.

Nós já sabíamos quem era, mesmo antes de Luke Skywalker remover o capuz. Com sua personalidade em parte ignorada, em parte distorcida e participação decepcionante na nova Trilogia, faltava um novo momento grandioso para este que foi o protagonista da Trilogia Original e buscou a redenção de seu pai, Darth Vader.

Se na cena final de Rogue One (2016), Darth Vader massacrou rebeldes e mostrou porque era temido na Galáxia, aqui, no último episódio da segunda temporada de Mandaloriano, testemunhamos todo o poder de Skywalker, ao som de uma trilha sonora épica. E não satisfeitos, ainda nos dão de brinde a presença de R2-D2.

Luke finalmente mostra todo o seu poder

A despedida de Grogu e Mando é emocionante, reforçada pela retirada do elmo do Mandaloriano, para que ambos pudessem se olhar, e acho seguro afirmar que muita gente chorou nessa hora.

Com exceção do sétimo e penúltimo episódio, cujo roteiro apresenta falhas demais e destoa do restante, a série encerra de forma espetacular, com um saldo imensamente positivo, e agora, com Luke Skywalker tornando-se mestre do pequeno, nos resta imaginar o que está por vir na próxima temporada.

Uma coisa podemos garantir, a força segue poderosa com Jon Favreau e a Disney Plus sabe disso.

E não saia da cadeira quando o episódio terminar, temos uma cena pós créditos e o anúncio de uma nova série de Star Wars para dezembro de 2021.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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