WandaVision – Temporada 01, Ep. 04: Interrompemos este programa

Por Fernando Fontana

Temos spoilers e Two Broke Girls no texto a seguir.

O quarto episódio de WandaVision quebra a sequência de homenagens à séries do passado, nos remove da realidade criada por Wanda e nos leva para o mundo exterior, para nos mostrar como as agências governamentais estão enxergando o que está acontecendo, quais as medidas por elas tomadas e quais foram os resultados.

Descobrimos que Mônica Rambeau (Teyonah Parris) é, de fato, uma agente da S.W.O.R.D. e estava entre a metade da população mundial que desapareceu com o estalar de dedos de Thanos, nos eventos mostrados em “Vingadores – Guerra Infinita” (2018), retornando após os heróis reverterem o ocorrido em “Vingadores – Ultimato” (2019).

Interessante como, em apenas uma sequência no hospital, o roteiro consegue nos mostrar que, se o desaparecimento de metade da população mundial gerou o caos, o retorno dos mesmos indivíduos, cinco anos depois, provavelmente gerou um caos ainda maior, já que, de uma hora para outra, o número de pessoas no planeta dobrou, gerando uma quase certa escassez de recursos, com a qual as autoridades tiveram que lidar.

No caso de Rambeau, a S,W.O.R.D que ele encontra está muito diferente da que deixou, e vale lembrar que para os desaparecidos, tudo ocorreu em um piscar de olhos, uma hora você estava lá, no instante seguinte, se passaram cinco anos.

Mônica Rambeau e o Agente James Woo, do FBI

Após retornar, Rambeau é enviada para auxiliar o agente do FBI James Woo (Randall Park), com o caso de uma testemunha que desapareceu em Westview. A testemunha não apenas sumiu, mas foi apagada da memória das pessoas, e pior, a própria Westview está envolta em uma cúpula de energia misteriosa.

A partir deste momento, o roteiro passa a sistematicamente nos mostrar tudo o que foi feito do lado de fora da cúpula, e o efeito que causou na realidade de Wanda. Descobrimos como Rambeau foi parar dentro de Westview, o que era o helicóptero de brinquedo vermelho, de quem era a voz no rádio e quem era o apicultor que surgiu do esgoto no episódio 2.

Além do Agente Woo, temos o surgimento de uma nova e interessante personagem, A Dra. Darcy Lewis (Kat Dennings), que já havíamos visto antes em Thor (2011) e Thor – O Mundo Sombrio (2013). A presença da debochada doutora, cria um contraste divertido com os agentes e militares presentes na base de resposta da S.W.O.R.D para lidar com o chamado incidente Westview, e forma um ótimo par com o também deslocado agente Woo.

Dra. Lewis e agente Woo assistindo WandaVision

É a doutora que consegue sintonizar uma antiga TV, revelando que os habitantes de Westview agora fazem parte de uma sitcom antiga. Em um exercício de pura metalinguagem, os agentes que estão do lado de fora, assistem WandaVision, os mesmos três episódios que nós assistimos, com algumas sutis diferenças. Além disso, ao assistirem o “show”, eles são capazes de determinar quem interpreta cada personagem, descobrindo “o elenco”, ou seja, as pessoas que foram incorporadas por Wanda em sua realidade.

Ao mencionar Ultron e ser expulsa de Westview por Wanda, Rambeau conclui aquilo que nós já sabíamos, a responsável pelo que está acontecendo é a própria Feiticeira Escarlate, e suas motivações não poderiam ficar mais claras, ao termos um macabro vislumbre do Visão como ele estava, antes de ser levado para o mundo perfeito criado por sua agora esposa: morto!

O Visão como ele estava antes de ser revivido por Wanda e incorporado a Westview

Uma dúvida que fica é: se ela moldou a realidade e trouxe o Visão de volta a vida, porque não fez o mesmo com seu irmão, Pietro, morto no confronto com Ultron?

A obsessão de Wanda em manter esta realidade a todo custo envolve manter o seu amado vivo, e não devolver para o “nada”, os dois bebês, seus “filhos”, que acabam de nascer. O mundo lá fora nada tem de atrativo para ela, e a S.W.O.R.D terá sérios problemas para convence-la a desfazer o incidente Westview.

A mudança de tom proporcionada por este episódio deve agradar aqueles que estavam acusando a série de estar lenta demais, e para aqueles que já estavam gostando, “Interrompemos este Programa” trouxe elementos que a tornam ainda melhor.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

1 Comment

  1. Lorena Soeiro disse:

    A única parte que realmente gostei foi o início. Me lembrou The leftovers. Que trabalhou muito bem essa questão de perder/reencontrar pessoas que desapareceram instantâneamente.
    Do resto, foi bem óbvio e acaba com muita da graça do show, que é o mistério de sabermos exatamente o que está acontecendo ali, como começou, etc…

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