Por Lorena Soeiro

Em um ano totalmente atípico, um épico de super-heróis é mais bem-vindo do que nunca. “Mulher Maravilha 1984” traz uma história extremamente necessária de heroísmo, mas esta sequência – primeira real sequência de geração atual de filmes da DC – é certamente uma mistura que pode ser desagradável para quem está acostumado a formula comum da grande maioria dos filmes do gênero.

Atualmente este é o filme mais assistido dos streamings. E você realmente deveria assistir também.

Dirigido por Patty Jenkins, o próximo capítulo das aventuras da Mulher Maravilha foi lançado nos cinemas e na HBO Max no dia 25 de dezembro. Um blockbuster ainda mais aguardado que o original.

Desta vez, a frente ocidental da Primeira Guerra Mundial é trocada pelo deslumbre dos anos 80, quando a Mulher Maravilha lida com uma nova era, novos vilões e uma trama sinistra capaz de colapsar a ordem mundial inteira.

Preciso correr, hoje é dia de Nerd Paraense

A heroína se encontra no ano de 1984, totalmente integrada ao “mundo dos homens” e trabalhando no Smithsonian Institute em Washington, DC. Durante seu trabalho, ela descobre uma pedra com o poder de realizar desejos que, após cair nas mãos erradas de um ambicioso magnata do petróleo e uma cientista depressiva, transforma-se em um desastre que só a grande princesa amazona poderá impedir.

O filme é fortemente liderado por Gal Gadot, interpretando uma iteração mais emocionalmente crua e introspectiva do que a conhecida super-heroína.

O retorno de seu amor dos tempos de guerra, Steve Trevor – interpretado pelo extremamente charmoso Chris Pine – por meio de um desejo mágico, é uma visão bem-vinda, e sua narrativa de peixe fora d’água por ser um veterano da Primeira Guerra Mundial que caiu nos excessos dos anos 80 rende muitas risadas e comentários perspicazes. Como o trouxeram de volta foi bem melhor do que eu esperava…

Os dois vilões do filme – o empresário (estilo Trump) Max Lord (Pedro Pascal) e a cientista cabisbaixa que se tornou a predadora Cheetah (Kristen Wiig) – formam uma dupla única e simpática de adversários. Por meio desses antagonistas e da virada dos acontecimentos, o filme explora habilmente temas de desejo, sacrifício e a antiga ideia de que todo desejo tem um custo. (Em inglês tem um termo: Be careful what you wish for- Tenha cuidado com o que deseja).

A vida é boa, mas pode ser melhor se vocês ouvirem a Lorena e pararem de falar mal do meu filme

A ação é emocionante e irá manter seus olhos colados na tela. A cena de abertura já vale uma ida ao cinema. (Sei que nem todos poderão mas temos streamings). A Mulher Maravilha tem um novo conjunto de acrobacias legais, truques e maneiras estilosas de derrotar os bandidos; o laço da verdade pode ser uma das ferramentas mais legais do arsenal de super-heróis, e as maneiras inteligentes em que é usado são a cereja do bolo do que poderia ser uma classe-mestre em ação estelar de super-heróis.

A narrativa desta sequência, no entanto, é confusa. O ritmo é bastante inconstante. Isso pode remover alguns da imersão do filme e de tudo o que está acontecendo. Essa inconstância no ritmo faz com que a história não pareça mais animada que da última vez.

Em uma nota extremamente positiva, a trama é revigorante, única em uma época em que o gênero do super-herói está começando a se mostrar cansado. O filme está repleto de momentos tocantes que foram tão comoventes que me vi lagrimando no cinema. O clímax é um espetáculo emocionante, cheio de lágrimas, ação de tirar o fôlego e uma mensagem inesperadamente comovente.

O ambiente vibrante da década de 1980 é totalmente realizado e usado com grande efeito; as calças de paraquedas e as cores neon certamente despertarão nostalgia. Esse é outro grande ponto positivo do filme. Eu me senti totalmente imersa na década de 80.

Eu sinceramente acho que roupas como essa deviam voltar a ser moda

O roteiro tem momentos de brilho, mas é mais frequentemente preenchida com diálogos maçantes e esquecíveis. As cenas emocionais realmente acertam, não tem muitas piadas, o que pode irritar os fãs acostumados com filmes de super-herói que mais parecem comedias.

Temos homenagens a Christopher Reeve e a belíssima Lynda Carter. Além da melhor cena pós créditos que vejo em anos…

Apesar de o filme ser uma montanha-russa de potencial realizado e não realizado (o CGI deixou muito a desejar), “WW84” é uma sequência com muito coração. Embora claramente imperfeito em sua execução, o filme expande a vida heroica da Mulher Maravilha com um novo capítulo que tem um enredo único repleto da nostalgia da América oitentista que ditou o estilo de vida, moda, alimentação e empoderamento feminino ao restante do mundo. Assistir a uma brava guerreira enfrentar um desafio e vencê-lo contra todas as probabilidades é um final adequado para um ano que desafiou a todos nós profundamente – e tornou cada um de nós um pouco mais heroico, como ela.

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Lorena Ferreira Soeiro é Professora tradutora de inglês, Nerd e DCnauta. Ocasionalmente viaja para participar de eventos Nerds e colabora com alguns sites de cultura pop.

1 Comment

  1. Will Nygma disse:

    Ótima análise. E de fato, um filme necessário, feito com emoção e muito coração. Pena q nem com essa pandemia as pessoas de um modo geral conseguem ver isso, pois ainda falta muita empatia no mundo. As pessoas estão querendo só ver iorealismo fantastico e correria ao invés de desenvolvimento de sentimentos e receber lições de vida. O q é uma pena.

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