Nerd Paraense: 5 motivos para assistir Bridgerton: o novo delicioso drama de período da Netflix, criado por Shonda Rhimes

Por Lorena Soeiro

Para fugir da Realidade

Bem, nestes tempos bizarros e caóticos, fugas de nossa realidade se tornam “necessárias”. Uma dose de escapismo bobo, fofo ou sentimental permite que você desligue seu cérebro e esqueça o inferno que está congelando lá fora. Se isso é bom ou ruim é motivo de debate, mas a calma psicológica resultante é incontestável.

Bridgerton é um daqueles programas saborosos com muitas dessas doses. Este pródigo drama de época se inspira em chás e diálogos de sintaxe complexa para falar de casos sensuais, feminismo, misoginia num cenário repleto de trajes coloridos e palácios absurdamente opulentos que envolvem e confortam você. Para não mencionar os personagens, que têm suas próprias idiossincrasias viciantes.

É daqueles shows deliciosos de assistir sem culpa. Aliás, mais de Sessenta e três milhões de lares em todo o mundo assistiram a ele desde seu lançamento em 25 de dezembro, tornando-se um presente perfeito para o Natal de várias pessoas. Eu assisti depois de muita insistência de algumas amigas- e confesso que gostei muito de me misturar a esse mundo fantástico – preocupando-me completamente com quem ofende quem, quem gosta de quem e (mais importante) com quem dorme com quem…

Resumindo, ela gosta do nosso show porque tem sexo e fofoca, é isso?

A história parece ser familiar, mas com umas reviravoltas bem inusitadas

Basicamente, Bridgerton é como a fan-fiction de Jane Austen escrita por americanos. Realizada pela produtora e escritora Shonda Rhimes de Scandal e Grey’s Anatomy. Rhimes estava cansado das demandas da TV aberta e fez uma mudança de nove dígitos para a Netflix; Bridgerton sendo o primeiro drama de Shondaland a se beneficiar. O escritor / criador Chris Van Dusen, outro americano, comanda o show, baseado nos romances mais vendidos da autora americana Julia Quinn.

A história se passa em Regency London, a história segue famílias que pretendem casar suas filhas com bons maridos – riqueza e status priorizados em relação ao amor. A filha mais velha dos Bridgerton, Daphne (Phoebe Dynevor), atingiu a maioridade e deve encontrar um pretendente. Ela conhece todos os modos rígidos e protocolos educados, demonstrados na frente da irascível Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel). Mas ela é jogada ao chão, ao estilo do Sr. Darcy, pelo intoleravelmente arrogante Duque Simon Basset (Regé-Jean Page). Eles começam se odiando e eu imagino que você possa imaginar o final…

Ainda que tenha uma premissa batida, a mesma que milhares de outros dramas de época, você poderá ver as ideias americanas desta sociedade britânica surgindo, especialmente com o desempenho de Dynevor, que se assemelha muito a uma Keira Knightley no início de carreira (o beicinho é especialmente estranho). É quase uma imitação.

Mas os elementos estereotipados da série são salvos pelo escândalo agitado pela anônima Lady Whistledown (dublado por Julie Andrews – só isso já valeria o show para mim). A misteriosa escritora escreve um diário revelando todos os relacionamentos tumultuosos na ‘sociedade’, expondo a roupa suja de todos. E voa sujeira para todo o lado.

Eu te odeio mais do que tudo na vida, certeza que vamos ficar juntos no final.

O sexo não é tabu

Um grande problema de se adaptar constantemente, ou prestar homenagem óbvia aos clássicos do século 19, é que a experiência é terrivelmente previsível. A estrutura já está estabelecida na consciência cultural.

Alguns ainda estão presos nessa época antes do sexo pré casamento. Mas algumas produções recentes mostram como humanos sempre foram seres altamente sexuais, independente do século. Você pode ver isso em Retrato de uma Jovem em chamas”, mas, neste show, é trabalhado de uma maneira bem mais fluida.

Em Bridgerton é mais intrigante. Suas cenas de sexo muitas vezes são ridículas – despertam tanto humor quanto tesão – mas elas não são gratuitas. Embora o primeiro episódio comece com Anthony (Jonathan Baile), o irmão Bridgerton mais velho e homem da casa, agarrando uma cantora de ópera contra uma árvore, leva alguns episódios para chegar às partes quentes que valerão a pena.

Há mais preocupação em mostrar corpos masculinos do que femininos e, mesmo quando há nudez mais forte, ela é breve e não fetichizada; tudo enquanto permanece brilhantemente erótico. Em algumas cenas, há uma sensação profunda e sensual de romance. Isso torna as dificuldades padrão dessas jovens ainda mais emocionantes, apesar de poucas delas saberem o básico sobre sexo.

Sério mesmo que você acha esse seu topete é sexy?

O elenco não é monocromático como a imensa maioria das produções similares

Extensa discussão tem havido, em ambos os lados do espectro político, sobre a inclusão de atores negros nos dramas do período britânico. Alguns acham que é historicamente incorreto, outros acreditam que ignora deliberadamente os pecados de um passado racista. Mas o que é louvável, no mínimo, que pessoas de cor são escaladas para papéis que, em anos anteriores, não teriam sido considerados.

Bridgerton segue uma tendência recente de elenco que não prioriza cor em dramas de época. Como tal, a raça raramente aparece na série e os personagens negros são elevados a posições de poder. Nesta sociedade, não há nada de incomum nisso.

Há uma cena que fornece uma espécie de explicação da história alternativa. A rainha Charlotte é escrita como uma mulher negra, com base na teoria de que ela era, na realidade, mestiça. O contexto parte da ideia de que, uma vez que a raça não incomodava a realeza, não deveria incomodar o resto da sociedade. No entanto, ainda é revigorante ver essa diversidade em um gênero historicamente branco. Não é ótimo apenas para oportunidades de atuação, mas para o público, que raramente se vê refletido em dramas de época. Vamos torcer para que a tendência continue.

Vou dar uma olhada no roteiro, se é uma série da Shonda certeza que vai morrer gente pra caramba.

Um fenômeno Cultural

Em cartaz desde o dia 25 de dezembro de 2020, na Netflix, a série Bridgerton, já é um fenômeno e vem sendo aclamada tanto pela crítica quanto pelo público. A primeira temporada é composta de apenas oito episódios e é uma delícia de assistir. A produção é baseada na série literária de oito livros escrita por Julia Quinn, que lançou o primeiro volume no ano 2000. Provavelmente cada próxima temporada será inspirada nos outros 7 livros da autora. Mesmo tendo menos de 2 meses de lançamento, já é a $ serie mais assistida da plataforma.

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Lorena Ferreira Soeiro é Professora tradutora de inglês, Nerd e DCnauta. Ocasionalmente viaja para participar de eventos Nerds e colabora com alguns sites de cultura pop.

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