Por Fernando Fontana

Sátira de filmes de super-heróis tenta ser engraçada, mas falta molho

Ok, existe uma grande probabilidade de você jamais ter ouvido falar de Pizza Man, filme dirigido pelo desconhecido Joe Eckardt em 2011, e estrelado por Frankie Muniz, o Malcolm da excelente série “Malcolm in The Middle” (2000 – 2006), e isso é absolutamente normal, já que essa sátira de filmes de super-heróis, realizada com o minúsculo orçamento de 3 milhões de dólares (trocado de pinga em Hollywood), até tenta, mas não consegue o básico que é ser engraçada.

Vamos tentar falar rapidamente e de forma indolor sobre o roteiro, dois cientistas desenvolvem um tomate super resistente, com a capacidade de se regenerar após qualquer impacto. A empresa maligna para qual eles trabalham pretende utilizar essa descoberta na área militar, o que faz com que um deles se revolte e tente destruir os dados referentes ao super tomate.

Matt Burns (Frankie Muniz), que trabalha na pizzaria da sua mãe e que estava fazendo uma entrega de pizza na hora errada, acaba comendo o tomate e recebendo do cientista um soro catalizador (Capitão América mandou lembranças) que lhe permite absorver seus poderes.

A partir daí, os vilões tentam a todo custo descobrir onde ele está para obter amostras do seu sangue e as utilizar para compreender o funcionamento do soro. Com o traje de Pizza Man, Matt combate os vilões enquanto tenta emplacar sem sucesso o nome de PowerMan.

Pizza Man, interpretado por Frankie Muniz e Dallas Page como o vilão Big Cheese em Pizza Man, o filme.

Os elementos típicos dos filmes de super-heróis estão lá, Matt é o aluno que se esforça na faculdade e tem vergonha do trabalho (principalmente da fantasia de Pizza Man que a mãe o obriga a usar para divulgação estabelecimento), enquanto esconde a paixão pela jovem Susan (Amber Borycki) que por sua vez namora o popular e completo idiota Todd (Ashley Parker Angel).

Pizza Man não voa, não possui super velocidade ou visão de calor, nada que necessite de efeitos especiais custosos, ele é super forte e super resistente e ponto. O orçamento baixo pode ser desculpa para isso, para as péssimas coreografias de luta, para a maquiagem amadora feita no rosto do vilão Big Cheese (Dallas Page) e para uma série de outros problemas, mas não para a atuação sofrível do elenco e para a falta de graça das piadas, que não funcionam em momento algum.

Apesar disso, Pizza Man é um filme politicamente correto que faz campanha contra o tabagismo, já que a única fraqueza do herói, sua kryptonita, é a fumaça proveniente de cigarros, charutos ou cachimbos. Fumantes são seu terror e o vilão só precisa de seu charuto para derrotá-lo, até que o rapaz descobrir que só precisa segurar o fôlego para evitar os efeitos nocivos.

Para falar a verdade, o maior e surpreendente mérito do filme foi ter convencido os falecidos Adam West (o Batman da série dos anos 60) e ninguém menos que o lendário Stan Lee, criador de inúmeros personagens da Marvel Comics, a fazerem uma ponta como eles mesmos.

Caso você esteja com 85 minutos do seu tempo sobrando e por alguma razão que eu não consigo imaginar, queira assistir ao filme, ele está disponível na Globo Play.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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