Sweet Home da Netflix faz debate com monstros e nosso senso de humanidade.

Por Will Nygma

Eis aqui mais uma série que explora a quarentena, e aqui em meio a um apocalipse nada ortodoxo, além de mais um grandioso exemplo de que existe um grande mercado cinematográfico de grandes produções de ação, terror, muito drama, suspense e efeitos especiais de primeira além de Hollywood. Essa é mais uma produção coreana, que não só explora e muito bem esse surrealismo, com personagens realistas dentro de um universo fantástico, com muito terror, mas que se assemelha mais a um grande filme de ação e aventura e muito, mas muito sangue mesmo. Muitos podem até querer comparar com Resident Evil e outros filmes do gênero, mas a loucura e originalidade aqui vai além.

Para os de estômago fraco a série não é recomendada. As situações são tão absurdas mas tão bem envoltas de personagens e um roteiro com diálogos tão verossímeis que logo o absurdo vai dar lugar a empatia. Onde o “E Se…” passa a ter um enorme valor aqui.

Todos os personagens ganham destaque em algum momento para seu desenvolvimento, mesmo tendo os mais evidenciados desde o início, mas muitas reviravoltas e mortes durante quase todos os episódios mudam o rumo das coisas.

O desenvolvimento de caráter dos personagens é de excelente, onde todos acabam tendo de testar os seus limites, superar seus medos, traumas e conviver juntos em um confinamento quase que obrigatório para sobreviver, onde a diversidade e desvio de caráter e muita hipocrisia, egoísmo e falta de humanidade é colocada a prova e diversas mensagens e críticas sociais são jogadas diante de nós, com situações que nos deixam extremamente desconfortáveis, que nos deixam mais apavorados que os verdadeiros monstros do lado de fora, quando dentro de seus confinamentos percebemos que poucos conseguem manter sua humanidade.

Mas esta deve ser a principal mensagem dessa história que pode parecer absurda, mas que retrata o verdadeiro instinto de sobrevivência do ser humano, ainda mais quando falamos de uma cultura e costumes diferentes dos nossos, mesmo assim somos facilmente reconhecidos ou reconhecemos várias pessoas de nosso ciclo social e familiar em diversos momentos de como o ser humano pode ser ignorante, egoísta e ao mesmo tempo esperto, amoroso e inteligente quando pensa no bem coletivo do que em seu próprio umbigo e que pra sobrevivemos, todos precisamos um do outro e mesmo em meio aos piores desentendimentos, podem surgir grandes amizades, além de aprendermos a perdoar ao próximo, sempre.

Pois temos de aprender a conviver com as limitações e diferenças de cada um. Todos temos traumas e sentimentos variados q oscilam a medida q vamos vivendo novas experiências e entendendo o lado do outro sem julgamentos.

Com essa série vamos descobrir na prática q qualquer um está suscetível as agruras da vida e não estamos livres de nada, onde vemos de forma literal, quando morre um ser humano e nasce um monstro, mas q em cada um de nós pode habitar tanto um monstro, quanto um ser verdadeiramente humano, mas isso depende de cada um.

Somos todos dia e noite, bom e mau, anjo e demônio e um ñ existe sem o outro.

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Will Nygma é Ator, cantor, performer, roteirista e diretor de teatro e cinema. Formado em Produção Audiovisual e Teatro, estudou letras, música e crítica de cinema. Nerd convicto, cosplay vencedor por 6 anos consecutivos na CCXP, também é um ávido colecionador de filmes e action figures e criador dos filmes dos Maníacos De Arkham, além de especialista no universo do Batman e em fazer imitações de cantores, personagens de desenhos animados e dos professores na época de escola.

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