Por Everton Nucci

Olá todo mundo, bem vindes ao vale! Eu sou Everton Nucci e já tinha uma pauta em mente para essa semana mas, depois de assistir ao episódio 8 de “WandaVision” tive que mudar desesperadamente. E como nosso querido chefinho Fernando Fontana já faz a análise episódio a episódio e nossa nerd importada Lorena Soeiro já escreveu uma matéria sobre teorias para o final da série, eu precisei de uma outra desculpa para poder falar dessa maravilha. Para minha sorte, um dos filhos de Wanda apresentados na série é do Vale, já foi notícia no Brasil e acaba de se casar nos quadrinhos. Então é hora de pôr para fora tudo o que explodiu dentro de mim após esse penúltimo episódio e teorizar o que virá no derradeiro final da temporada.

Antes de mais nada é preciso registrar no diário de bordo, nessa data estelar -301831.9634703196 que irei descumprir a primeira diretriz da federação (quem pegou a referência pegou) e contarei TODOS OS SPOILERS possíveis e imagináveis da primeira temporada da série. Prossigam por sua conta e risco.

Primeiramente, é preciso falar da própria Wanda. Conhecendo a heroína dos quadrinhos, eu sempre me perguntei como seus poderes seriam adaptados para o cinema, já que representar algo como “capacidade de manipulação de probabilidade” não é tarefa fácil – a saga literária “O Guia do Mochileiro das Galáxias” gasta algumas páginas do livro só para explicar esse conceito. Traduzir isso em filmes de duas horas focados em ação torna tudo ainda mais complicado.

O resultado inicial foi aquém do desejado. Em sua primeira aparição em “Vingadores – A era de Ultron”, tudo o que vimos foi manipulação mental, telecinese, e criação de ondas de energia, e assim se seguiu por outros filmes.

Ele disse que eu fiquei aquém do desejado?

Acontece que só tivemos um vislumbre de seu verdadeiro poder em “Vingadores – Guerra Infinita” quando ela demonstrou ter capacidade e poder suficiente para destruir uma joia do infinito – um elemento criado juntamente com o próprio universo -. Se você assistir hoje ao filme “Vingadores Ultimato” verá que existem duas pessoas que, sozinhas, seriam capazes de derrotar o vilão Thanos. Uma delas é Carol Danvers – a Capitã Marvel – e a outra é Wanda Maximoff, a quem finalmente podemos chamar de Feiticeira Escarlate.

Após assistir aos oito episódios da série, fica muito claro que o desaparecimento da personagem no estalar de dedos do “Titan Louco” não foi simples escolha aleatória, mas sim uma absoluta necessidade de desenvolvimento de roteiro. Afinal, se o luto pela morte do amado foi suficiente para desencadear uma reação tão forte em Westview, imaginem o que poderia ocorrer se ela permanecesse entre nós, tendo que encarar um mundo em que, não só Visão está morto, mas praticamente todos os seus amigos, juntamente com metade do universo!

A forma como a série “WandaVision” foi desenvolvida é tão genial quanto é arriscada, ao optar pelo formato de sitcom sem maiores explicações, a produção se permite não só respirar, dar um tempo na ação desenfreada (o que poderia afastar o público), como brincar com as personagens e com o espectador, enchendo os episódios de easter eggs para deixar os nerds malucos.

Não são apenas referências às comédias parodiadas ou aos quadrinhos, é a forma como sutilmente é demonstrado que os poderes da protagonista estão maiores do que nunca. Quando Wanda “rebobina a fita”, transforma um peru em ovos, ou promove um “Take Two” de um diálogo insatisfatório com Visão, notamos que agora ela é capaz de manipular o tempo. Algo que apenas o mago supremo Doutor Estranho havia feito antes e ele precisou de uma joia do infinito para isso. Quando ela faz surgir uma corda durante o “truque de mágica” do Visão ela revela ter a capacidade de materialização espontânea de objetos, algo que ninguém do MCU havia feito antes. Mas é quando ela engravida que podemos notar o quão poderosa ela está, afinal criar vida não é um simples super poder é um poder atribuído apenas a divindades.

Como uma Deusa, você me mantém, e as coisas que você me diz…

Com as revelações do episódio oito vemos que nem a centenária Agatha Harkness é capaz de compreender a extensão dos poderes de Wanda que, com um simples pensamento, pode conjurar magias que demandam anos de estudos de bruxas experientes. Afinal, a bomba realmente falhou ou foi Wanda quem manipulou as probabilidades de explosão? Agora sabemos que ela não é simples resultado de uma experiência científica da Hidra, ela “bateu um papinho cósmico” com uma joia do infinito. Enquanto o diretor da SWORD acha que pode derrotá-la com um drone, Agatha revela que Wanda é portadora da magia do caos, que ela é um ser mitológico conhecido pelas bruxas como a Feiticeira Escarlate. Descobrir que ela recriou o Visão do nada, não como uma espécie de fantoche, mas com consciência, livre arbítrio, pensamentos próprios, assim como seus filhos – em quem seus poderes não surtem efeito – foi o momento mais “mind-blowing” da série até agora.

E é em seus filhos que está a chave do surgimento de um dos mais importantes personagens do Vale da Marvel Comics. Como demonstrado na série, os filhos de WandaBilly e Tommy – possuem superpoderes, isso porque nos quadrinhos eles viriam a se tornar os Jovens Vingadores: Wiccano e Célere. E se você está com a memória fresca vai lembrar especificamente dos nomes “Jovens Vingadores” e “Wiccano”, isso pois, em anos recentes, a HQ “A cruzada das Crianças” gerou polêmica em uma “Bienal do Rio de Janeiro” quando um prefeito, aparentemente sem muitas preocupações reais, resolveu que deveria censurar o beijo entre Billy e Teddy Altman – conhecido pelo codinome Hulkling – o que gerou o efeito oposto e, na prática, lançou as personagens ao estrelato.

A origem de Billy e Tommy, na série, tem sido motivo de grandes especulações por conta de sua complicada origem nos quadrinhos. Vamos por partes: nas HQs da Marvel, assim como na série, eles surgiram do desejo de Wanda por filhos, mas a história se complica nos quadrinhos quando é introduzido o elemento do demônio Mephisto (lembram dele do Motoqueiro Fantasma?). Os gêmeos possuíam “seus fragmentos” e, posteriormente, foram absorvidos pelo demônio em busca de poder. Entretanto, suas “almas reencarnaram” no corpo de dois adolescentes, o que faz com que Wanda seja sua “mãe espiritual” embora não seja sua mãe biológica. Toda essa confusão deixou os fãs da série em polvorosa para saber se o vilão infernal surgiria ou não em “WandaVision”.

Wiccano e Hulkling enviaram um cartão de agradecimento ao prefeito do Rio de Janeiro pelo marketing gratuito.

Eu tenho minha própria teoria: sabemos que o MCU tende a simplificar as origens das HQs, por isso creio que não haverá Mephisto, reencarnação nem nada disso (não se esqueçam da música “Foi a Agatha e mais ninguém”). Billy e Tommy são filhos de Wanda e Visão, seus poderes incluem envelhecer espontaneamente e quando os produtores quiserem usá-los no cinema ou na Disney+ poderão torná-los adolescentes facilmente. Nas HQs Billy nunca ficou “dentro do armário”, tendo sido apresentado desde o início como uma personagem gay que, inclusive, sofria bullying na escola por conta de sua sexualidade. Seus poderes também tiveram um desenvolvimento complicado visto que inicialmente tinha apenas poderes elétricos, o que fez com que adotasse o codinome de Asgardiano, quando os poderes mudaram, o codinome também mudou. Na série vimos que seus poderes são parecidos com os de Wanda desde a infância – algo no qual me apoio para reforçar a tendência da MCU à simplificação.

Seu namorado, Hulkling, com quem ele se casou na em 2020 na HQ “Empyre #4”, tem origem extraterrena, sendo filho dos alienígenas Anelle (da raça Skrull) e Mar-Vell (da raça Kree), isso confere a ele os poderes das duas raças, o que inclui super força, agilidade, fator de cura, transmorfismo… Como as duas raças alienígenas já foram apresentados tanto no cinema quanto na TV, é fácil deduzir que o surgimento da personagem é apenas uma questão de tempo e vontade, especula-se inclusive que ele estará no próximo filme da Capitã Marvel.

Como os gêmeos ainda são apenas crianças na série, não há necessidade de se discutir sexualidade no momento. E só nos resta especular sobre o futuro das personagens e da série.

Minha teoria para o último episódio é que Wanda irá perder completamente o controle de seus poderes e que seu “Campo Hex” irá se expandir sem limites ou simplesmente explodir lançando a magia do caos por toda a terra permitindo a Wanda, Visão e aos Gêmeos, finalmente poderem sair de Westview.

Mephisto? Não, quem foi que te disse que tem Mephisto na minha série?

Minha esperança era que isso também criasse o oposto da “Dinastia M” fazendo com que os mutantes surgissem no MCU (dos quadrinhos, esse evento desencadeado por Wanda quase extinguiu a população mutante da Terra). Mas quando Agatha chamou Pietro de “fake”, isso meio que matou minhas esperanças, deixando apenas a segunda opção: a abertura de portais para o multiverso, criando assim o gancho para o filme “Doutor Estranho – Multiverso da Loucura”, não custa lembrar que uma “participação especial” está programada para o último episódio, resta aguardar a “Season finale”.

E se você quiser conversar comigo, falar sobre “WandaVision”. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E a dica do dia é são as HQs “Dinastia M”, “Vingadores: A queda” e “Jovens Vingadores: A cruzada das Crianças” por motivos bastante óbvios. Por hoje é só, obrigado por lerem essa coluna, continuem acessando o site e fiquem em paz!

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e em todas as realidades alternativas ele é fã de Ryan Murphy.

4 Comments

  1. Roberto disse:

    O problema do hex se expandir para o mundo inteiro é que já está parecendo difícil pra wanda manter do jeito que está. Parabéns pelo texto.

    • Everton Nucci disse:

      Olá Roberto, obrigado por ler a matéria. No fim das contas errei os dos chutes mesmo. Mas gostei do final.

  2. Julie Any disse:

    Gostei da possibilidade de um gancho pro filme Dr estranho. Excelente matéria 👏🏼👏🏼👏🏼

    • Everton Nucci disse:

      Olá Julie, obrigado por ler a matéria. No fim das contas ninguém acertou teoria nenhuma mas o final foi bom mesmo assim.

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