WandaVision – Temporada 01, Ep. 09: O Grande Final

Por Fernando Fontana

Esse texto tem a nova moda para Feiticeiras Escarlates e spoilers.

Após nove episódios e inúmeras teorias sobre universos paralelos, vilões misteriosos nos bastidores e transformações radicais no universo Marvel, WandaVision chega à sua conclusão, e seu maior inimigo, quem diria, acabou sendo a expectativa gerada sobre seu potencial.

Existem aqueles que não compreenderam a proposta inicial da série, e aqueles, que, é claro, compreenderam e não gostaram, mas WandaVision entregou algo diferente do que até então havia sido mostrado em séries de super-heróis, com sua realidade que emulava séries antigas, onde tudo sempre terminava bem, temperada com pequenos momentos que revelavam haver algo de muito errado em tudo que estava acontecendo.

Isso fez da série ser comentada, transformou-a em sucesso, trouxe inúmeros fãs, e, com eles, as teorias, aquilo que acreditávamos, com certeza iria acontecer, afinal, as pistas estavam lá o tempo todo, para quem quisesse vê-las. Mephisto foi mencionado nesta e naquela frase, o Doutor Estranho irá aparecer no último episódio, Wanda irá abrir um portal e trazer os mutantes para o UCM, ela criará o Quarteto Fantástico.

Este site não foi diferente, eu formulei várias teorias, Lorena Soeiro em sua coluna “Nerd Paraense” transformou-se em nossa vidente, Everton Nucci não conseguiu resistir e levou WandaVision para sua coluna “O Vale Nerd”, onde também deu seus palpites; veio o final, e nós, como tantos outros, erramos miseravelmente.

Vê se enfia em sua cabeça, não tem Mephisto!

Tecer teorias, criar expectativas não é o problema, e não dá para negar que o show alimentou isso no público em diversos momentos, como quando colocou Evan Peters para interpretar Pietro Maximoff, o irmão de Wanda, gerando uma óbvia conexão com o universo dos mutantes da Fox.

O problema é que muita gente passou a julgar a obra não pelo que ela é, mas por aquilo que deveria ter sido, quase como se ao não seguir pelo caminho traçado em nossa mente, o roteirista cometesse pecado capital.

Dito, isso, em seu último episódio, WandaVision apresenta um ritmo muito mais intenso do que os demais, com duas grandes batalhas ocorrendo ao mesmo tempo, entre os dois Visões, o criado por Wanda e o branco, enviado pelo diretor Hayward (Josh Stamberg), e entre Wanda e Agatha Harkness (Kathryn Hahn).

A batalha entre os dois Visões é muito bem encenada, com o uso de todos os seus poderes, mas é na sua conclusão que encontra seu maior mérito, com os dois sintozóides se envolvendo em uma discussão filosófica sobre o Navio de Teseu, utilizada como ponte para determinar qual dos dois é o verdadeiro, o branco, o de Westview, ambos ou nenhum dos dois?

Explica de novo essa parte das tábuas do navio que tá meio confuso ainda…

É estranho, no entanto, que ao ter suas memórias recuperadas, o Visão Branco, ao invés de ajudar Wanda, tenha simplesmente partido. Talvez tal conduta possa ser creditada à uma confusão momentânea ou encontrada no próprio Navio de Teseu, o Visão Branco, apesar de ter suas memórias restauradas, não é o mesmo que se apaixonou no passado, se recorda do que aconteceu, mas não dos sentimentos.

Agatha por sua vez, acabou se transformando no grande vilã a ser derrotada, embora não a responsável por manipular Wanda. Seu interesse se resume a retirar os poderes da Feiticeira Escarlate e utilizá-los em proveito próprio. Nossa colunista, Lorena Soeiro, disse que gostaria de ver Mephisto ou outro vilão como responsável pelo que aconteceu, para que Wanda não se transformasse em outra mulher poderosa a surtar, perder o controle e se tornar uma ameaça, como visto com a Fênix Negra, por exemplo, ponto de vista válido que você pode conferir aqui: Precisamos falar sobre WandaVision e o papel das mulheres nas hqs!!!

Por outro lado, há quem defenda, eu entre eles, que isso levaria a série para outro caminho comum, o do herói que parece ter perdido o controle, mas que, na realidade, durante todo o tempo foi vítima das ações de um grande vilão, como Mephisto. A série tem a coragem de lançar a culpa sob os ombros de Wanda, mas, ao mesmo tempo, no final, opta por um encerramento mais tradicional, com Agatha como a inimiga a ser derrotada.

A cena em que Agatha liberta a mente das pessoas sob o controle de Wanda e que culmina com uma delas pedindo para morrer, caso não seja libertada serve de estopim, junto com os apelos anteriores do Visão, para que ela chegue ao último estágio do luto, a aceitação.

É, eu sei, o cosplay ficou mais mais caro agora.

Desde o começo da série, Wanda passa por todos os estágios anteriores do luto, negação, ira, barganha, depressão, indo e voltando entre eles, mas sem jamais aceitar a perda do Visão e do irmão. No último episódio, finalmente sabendo a dor que estava causando, ela encerra o ciclo, permitindo que seus filhos e o Visão se desfaça (nos quadrinhos os gêmeos voltam, mas envolve Mephisto e não vamos por aí novamente, certo?).

Se nada de gigantesco ocorreu, ou pelo menos, não aparentemente, Wanda se transformou definitivamente na Feiticeira Escarlate, que, segundo Agatha, é mais poderosa até do que o próprio Doutor Estranho, o Mago Supremo, e na cena pós crédito, vemos que ela está aprendendo a utilizar seus poderes através do Darkhold, o livro dos condenados.

Temos uma Wanda Maximoff ainda mais poderosa e que fará parte do filme do Doutor Estranho, um Visão com as memórias recuperadas, Mônica Rambeau com novos poderes e que na cena pós crédito (sim, foram duas) é chamada para conversar com quem, todos acreditamos ser Nick Fury.

A série não agradou a todos, e teve, sim, um ou outro tropeço, mas, no geral, apresentou algo novo, com roteiro bem elaborado, boas atuações, reflexões sobre perda e luto, e afetou (embora não tanto quanto alguns achavam que afetaria) os eventos futuros do UCM.

Se WandaVision é o parâmetro de qualidade que podemos esperar das próximas séries da Marvel, então, temos mais a comemorar do que lamentar.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

2 Comments

  1. Roj Ventura disse:

    Não que seja ruim. É bom, mas não é tão bom, é meio ruim também.
    Infelizmente, do meio pra frente, a série serviu apenas para preparar personagens e situações para os novos filmes do MCU.
    Deixaram a série incoerente (Sério mesmo que o “mago supremo” não ficou sabendo dessa anomalia mágica?) e bobinha (Cata uma vilã do nada para parecer mais uma historinha de herói contra vilão) para favorecer os futuros filmes da Marvel.

    Fatos: Doutor Estranho 2 estrearia alguns meses depois do final de WandaVision, mas a data foi atrasada em um ano. Insiders confirmaram as gravações de cenas do Doutor Estranho dentro de WandaVision, mas essas cenas não foram incluídas.
    Especulação: As coisas não terminariam bem em WandaVision, dando origem ao Multiverso da Loucura, porém, com a diferença entre o fim da série e o novo lançamento do filme, fizeram um finalzinho remendo para a série e vão fazer a Wanda surtar de novo no início de Doutor Estranho 2.

  2. Lorena Ferreira Soeiro disse:

    Não creio que estava errada. Ainda creio que Mephisto estava pro trás. Visão segue vivo. Os meninos estão vivos em outra realidade. Só errei no Fietro, kkkk

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