Zack Snyder VS Joss Whedon: A polêmica versão de Liga da Justiça de 2017

Por Will Nygma

Em 2017, estreava nos cinemas o filme da Liga da Justiça, sonho de todo fã de super-heróis, dos mais jovens que cresceram assistindo ao desenho animado de Bruce Timm no inicio dos anos 2000, aos mais velhos que chegaram a acompanhar o desenho animado dos Super Amigos dos anos 1970, reprisados até meados dos anos de 1990, mas principalmente os fãs dos quadrinhos, que sempre sonharam em ver os principais super-heróis da DC Comics, juntos na telona. Felizmente isso aconteceu em uma super produção, mas, infelizmente o resultado ficou abaixo da expectativa.

Se os executivos da Warner tivessem deixado Zack Snyder fazer seu trabalho direito desde o começo, sem intromissões e o rumo que estava nos seus planos fosse seguido à risca, teríamos até uma continuação da Liga Da Justiça, mas não do que foi para os cinemas, com todos os cortes e edição corrida de Joss Whedon que entrou depois para substituir Snyder, e sim a versão oficial que finalmente sairá. Tudo foi mudado pra ganhar tempo, atrapalhando a trama que era muito mais complexa do que imaginamos e que tinha todo potencial pra ser um filme épico, mas que ficou apenas no papel.

Depois do fracasso dessa versão picotada, Ben Affleck foi o primeiro a entregar o jogo e seu filme solo do Batman que ele mesmo iria dirigir, foi para o ralo. O filme dos Lanternas Verdes nem saiu do papel e tudo que viria a introduzir um novo universo nos cinemas caiu por terra com as péssimas decisões e mudanças causadas pela Warner, que tem em suas mãos os maiores e mais cultuados heróis do planeta e não sabe deixar os profissionais trabalharem em paz sem botar pressão e dar palpite.

Ben Affleck foi o primeiro a jogar a toalha


Com a saída de Zack Snyder no final das filmagens, decorrente da morte de sua filha, o que já não ia bem pela perda do controle criativo e falta de estrutura psicológica para tocar o terror e fazer o seu filme em paz, foi substituído por Joss Whedon, que a Warner desesperadamente trouxe graças ao sucesso dos filmes da Marvel para mudar o tom do longa e ainda passar por refilmagens, o que obviamente não foi a melhor ideia.

A desnecessária cena inicial gravado do celular feita por Joss Whedon, chamando Henry às pressas com ele envolvido em outro filme onde não podia tirar o bigode, o tirando digitalmente, foi um exemplo dos equívocos de diferenças criativas e de narrativa que existiram, cena parecida com as do Homem Aranha nos Vingadores. Além da identidade criativa de Snyder e a de Joss serem totalmente diferentes na mesa de edição, onde o filme realmente acontece, então as ideias e conceitos vão por água abaixo fazendo a essência da obra desaparecer.

Pôster de liga da Justiça, filme aguardado, mas que decepcionou

O desenvolvimento das concepções dos personagens foi afetado, sem aproveitá-los bem em cena, como o Batman, maior estrategista e detetive do mundo sendo reduzido a um homem perdido durante o caos, soltando piadas desnecessárias, em um esforço para seguir os moldes da Marvel que funcionam muito bem dentro do universo deles, mas não aqui.

Com uma trama simplória, priorizando a ação, com ritmo equivocado e distorção de identidades entrando em conflito na tela, fora a polêmica envolvendo Ray Fisher, que teve suas cenas todas cortadas, atores que gravaram e nem apareceram, além dos processos que rolaram após a conturbada relação abusiva de Joss Whedon, mudanças no visual e do Lobo da Estepe, deixando o longa bagunçado, repleto de cortes, sem conceito próprio, algo muito presente em obras como “Watchmen” e “300”, também dirigidos por Snyder, tudo nos levando a crer que foram esses grandes problemas que culminaram com o público não vivenciando uma experiência única e mais interessante da obra.

Um desperdício total!

Finalmente, no entanto, poderemos ver a sua visão no #SnyderCut com 4 horas de duração, com estreia marcada para o dia 18 de março de 2021 no HBO Max, depois de muita luta dos fãs que se juntaram para pressionar o estúdio a deixar Zack Snyder finalizar sua versão, que por incrível que pareça, deve sair melhor ainda que o imaginado, se tivessem lançado na época, pois agora ele teve de fato o controle criativo de sua obra.

Gostou da matéria? Comente ai suas impressões e como esta a sua expectativa para o #SnyderCutJusticeLeague.

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Will Nygma é Ator, cantor, performer, roteirista e diretor de teatro e cinema. Formado em Produção Audiovisual e Teatro, estudou letras, música e crítica de cinema. Nerd convicto, cosplay vencedor por 6 anos consecutivos na CCXP, também é um ávido colecionador de filmes e action figures e criador dos filmes dos Maníacos De Arkham, além de especialista no universo do Batman e em fazer imitações de cantores, personagens de desenhos animados e dos professores na época de escola.

2 Comments

  1. André Navarro disse:

    Muito bom, Nygma!

    Sem falar que o Whedon é daqueles que gosta de mesclar agendas sócio-políticas com obras de puro escapismo e entretenimento. Totalmente desnecessária a cena dos “terroristas reacionários” que a WW enfrenta no assalto ao banco, o Batman citando o Alfred na frente do bandido na cena de abertura, o Batman já saber de tudo sobre os parademônios nessa mesma cena , sem maiores explicações, o corte total da cena entre o Aquaman e a Mera – e que gerou uma distorção no filme do Aquaman, onde supostamente eles nem se conheciam, o bigode do Super, os visuais atenuados, a fórmula marvel de piadinhas, aquele Flash patético que corre todo desengonçado…uma desgraça. Eu não espero que todos esses vacilos sejam corrigidos, mas se pelo menos 60 porcento deles sumirem, já fico feliz.

  2. André Navarro disse:

    E que , pelo amor de Deus…tirem o “Everybody Knows” como tema de abertura e coloquem algo épico e orquestrado!

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