Falcão e Soldado Invernal – Temporada 01, Ep. 01: Nova Ordem Mundial

Por Fernando Fontana

Há spoilers e pássaros voando no texto a seguir!

Quando o primeiro episódio de WandaVision estreou na DisneyPlus, o show estava cercado de expectativas, e tinha como desafio principal manter o interesse do público, que teria contato com uma proposta completamente diferente do que estamos acostumados a ver em séries de super-heróis.

Falcão e Soldado Invernal não carrega esse peso e em seus primeiros minutos já demonstra que ação não será um problema, com uma perseguição aérea digna de grandes produções do cinema. O ar é o elemento natural de Sam Wilson (Anthony Mackie), e obviamente podemos esperar mais cenas com o herói fazendo suas acrobacias, mas o estilo de luta em espaço fechado, utilizando as asas como escudo quando necessário, também chama a atenção.

A outra metade da dupla, que ainda não veremos formada neste episódio, é Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan), antigo parceiro do Capitão América, que precisa lidar com problemas de adaptação semelhantes aos enfrentados por Steve Rogers quando foi removido de sua hibernação no gelo, já que tem mais de 100 anos de idade, não possui amigos e tem um passado sombrio, resultado do período em que atuou como assassino durante a Guerra Fria.

Bucky Barnes, o Soldado Invernal

Além da ação no melhor estilo “Missão Impossível”, a produção indica que irá nos mostrar o lado humano dos dois personagens, como os fantasmas que Bucky carrega e os problemas familiares de Sam Wilson, que desapareceu durante cinco anos após o estalar de dedos de Thanos, retornando após os eventos mostrados em “Vingadores – Ultimato” (2019).

Esse maior tempo dedicado ao desenvolvimento dos personagens é uma das vantagens de se trabalhar em uma série e não em um filme com tempo bem mais restrito, embora, em entrevista concedida ao portal G1, a diretora responsável pelos seis episódios do show, Kari Skogland, informe que desde o começo, tratem a produção como um filme de seis horas. Essa mentalidade pode ser colocada em prática, uma vez que ela tem a sua disposição a equipe que trabalhou nos longas da Marvel.

Embora ainda não tenhamos visto Sam e Bucky em ação juntos, pelos trailers já é possível antecipar, e Skogland confirma, que teremos uma dinâmica semelhante às duplas policiais que vimos em filmes antigos, como Máquina Mortífera, Tango & Cash e 48 Horas. A diferença é que neste caso, acrescentamos como ingredientes no caldo, heróis, vilões e tudo mais que vem junto com o Universo Unificado da Marvel.

Falando em vilões, em “Uma Nova Ordem Mundial”, ficamos sabendo da existência de uma organização terrorista conhecida como “Apátridas”, que enxergava o mundo como um lugar melhor após o sumiço de metade da população, e que luta para eliminar as fronteiras entre os países.

Erin Kellyman como Karli Morgenthau, adaptação do vilão Apátrida dos Quadrinhos

Nas histórias em quadrinhos do Capitão América, Apátrida é o nome de um vilão clássico, que surgiu pela primeira vez na revista Capitão América 312, em 1985. Seu nome verdadeiro era Karl Morgenthau e seu objetivo principal era acabar com as fronteiras entre os países, o nacionalismo e a ideia de nação.

Também já vazou a informação de que a atriz Erin Kellyman interpretará a personagem Karli Morgenthau, transformando o vilão em vilã.

Por fim, na última cena do episódio, como um perfeito Cliffhanger, o governo norte-americano anuncia o surgimento de um novo Capitão América para substituir Steve Rogers, desaparecido após Vingadores Ultimato. Trata-se de John Walker, o Agente Americano, anteriormente conhecido como Super Patriota.

Criado na década de 80, o Super Patriota, assim como o Capitão América, possui força e agilidade ampliadas, mas, ao contrário de Rogers, que ao lado dos Vingadores, sempre lutou pela humanidade como um todo, Walker era um veterano do exército norte-americano, nacionalista ferrenho e extremista, o que o colocaria em rota de colisão com os Apátridas.

O Agente Americano na série e nos quadrinhos

Nos quadrinhos há, inclusive, um arco onde Steve Rogers, por se recusar a obedecer as ordens do governo norte-americano, abdica do manto e entrega seu escudo. Walker então assume como novo Capitão América, algo que estamos presenciando na série.

Saímos, portanto, de WandaVision, homenagens à antigas sitcons e estágios do luto, e entramos em uma série completamente diferente, uma mistura de super-heróis, Missão Impossível e duplas policiais da década de 80, com muita ação e ao mesmo tempo desenvolvimento de personagens.

Não é inovador, mas é o que a Marvel sabe fazer de melhor e começa com o pé direito!

PS: Até o momento não há qualquer indicação de que o vilão Mephisto estará presente na série.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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