Por Fernando Fontana

Todo mundo já conhece a história, após a trágica perda de sua filha Autumn, Zack Snyder se afastou da produção de Liga da Justiça, imediatamente assumida em sua pós produção pelo diretor Joss Whedon, conhecido pelos seus trabalhos na Marvel, como os filmes do Thor, Capitão América, e os dois primeiros Vingadores.

Whedon realizou refilmagens, e segundo rumores, a Warner havia avaliado o primeiro corte de Snyder e detestado, o considerando sombrio em demasia. Os executivos teriam considerado o filme “inassistível”!

Liga da Justiça de Zack Snyder e Joss Whedon chegou aos cinemas em novembro de 2017. com um roteiro que lembrava uma colcha de retalhos, misturando as visões de dois diretores; mal recebido pelo público e pela crítica, com uma bilheteria muito aquém do esperado, não era “inassistível”, mas certamente tornou-se esquecível!

Os fãs, no entanto, estavam decididos a verem a visão de Snyder nas telas, e durante dois anos, em um fenômeno nunca antes visto, público, atores e o próprio diretor clamaram pelo assim chamado SnyderCut. Em maio de 2020, a Warner cedeu aos pedidos e anunciou que em 2021, na HBO Max, Liga da Justiça, como o diretor havia imaginado, seria exibida.

Zack Snyder finalmente conseguiu levar para as telas a sua visão para Liga da Justiça

E aqui estamos, com o Snyder Cut entre nós; a grande questão que evidentemente paira no ar é: Valeu a Pena?

Antes de mais nada é bom ressaltar que Zack Snyder parece causar emoções distintas na maioria dos fãs. Se por um lado, alguns o cultuam como Snydergod (Deus Snyder), outros parecem enxergá-lo mais como um demônio. Discussões costumam ficar acaloradas, com fãs o chamando de gênio incompreendido, e outros o classificando como “psicopata responsável pela morte do universo DC nos cinemas” (não, não estou inventando, eu li isso em uma discussão nas redes sociais).

Fato é que o diretor possui uma maneira própria de enxergar o universo DC e de filmá-lo, traduzido em uma paleta de cores mais sombria, personagens mais taciturnos e violentos, e, é claro, as sempre tão faladas câmeras lentas.

Para o bem ou para o mal, goste-se ou não do diretor, essa já é uma vantagem do novo longa da Liga da Justiça, ele possui um roteiro coeso, com identidade e que sabe onde quer chegar.

Lobo da Estepe possui mais camadas no Snyder Cut

Com 4 horas de duração sobra tempo para Snyder trabalhar seus personagens, o que lhe permite dar mais camadas à eles. É o caso do Lobo da Estepe, que em 2017 era o vilão genérico principal com quem ninguém se importava, e agora, é rebaixado a capanga do temível Darkseid, mas com motivações bem mais claras.

Mais da metade do filme se passa sem a presença física do Superman, sua perda, no entanto, se faz sentir em um clima de desesperança, e no encorajamento das forças de Darkseid, que enxergam sua ausência como um sinal de que a hora da conquista havia chegado. Manter o personagem longe da trama por tanto tempo, mais do que mera escolha, se mostra uma necessidade, já que seu retorno é épico, mas praticamente encerra o jogo. Aliás, Snyder aponta o Superman como uma divindade que pode salvar o mundo ou levá-lo à ruína.

O caso do Ciborgue é ainda mais emblemático. O ator Ray Fisher, que o interpreta, acusou Joss Whedon de ter um comportamento discriminatório e abusivo no set de filmagem. Ele chegou a publicar no twitter que o tratamento dado pelo diretor à equipe e elenco era “nojento, abusivo, pouco profissional e completamente inaceitável”.

No longa de 2017, cenas importantes de seu personagem foram cortadas da versão final. Agora, no Snyder Cut, o Ciborgue torna-se figura central, com novas cenas que alteram completamente não apenas a dimensão do seu poder, mas sua personalidade.

Havia o receio de que o Snyder Cut seria apenas um filme ruim com algumas cenas a mais, material requentado, mas isso está longe de ser verdade, embora com a mesma trama, salvar o mundo de uma invasão devastadora, o desenvolvimento é muito diferente, resultando em outra obra cinematográfica.

Ray Fischer, interprete do Ciborgue, com cenas novas e um personagem diferente em Snyder Cut

Isso quer dizer que o filme é perfeito? Não, longe disso, a duração de 4 horas, por exemplo, é desnecessária. Seria possível desenvolver melhor os personagens e dar conta da trama com menos tempo, trata-se de um exagero, e não é o único.

Acontece que as características próprias desse projeto parecem lhe permitir tais exageros. Foi uma verdadeira epopeia para o Snyder Cut tornar-se uma realidade, desde a tragédia familiar do diretor, passando pelos pedidos dos fãs com o #releasesnydercut, até a aprovação da Warner e a liberação dos milhões de dólares necessários para as novas cenas.

É como se uma criança ficasse um longo período proibida de brincar e de repente lhe entregassem a chave da fábrica de brinquedos.

Não, não havia necessidade de 4 horas de duração, de um epílogo tão longo, das intermináveis câmeras lentas, mas não se trata de necessidade e sim de querer e poder. Snyder podia e os fãs queriam tudo isso! Queriam e brigaram para poder assistir, agora, vão se lambuzar! E vamos combinar, se você não gosta de câmera lenta, assistir um filme do Snyder é o mesmo que não gostar de sangue ou longos diálogos e assistir um filme do Tarantino.

Analisado como obra cinematográfica, Snyder Cut tem seus problemas, mas é muito superior ao longa de 2017. Fica, no entanto, a dica, se você não gosta do estilo de Snyder, passe longe, vai ser uma tortura, agora, se você é fã do diretor e dos personagens, sente, pegue a pipoca e se prepare para 4 horas de diversão ininterrupta.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

1 Comment

  1. Andy Kaufman disse:

    Uma crítica extremamente amadora, totalmente contaminada pelo fanatismo do autor. Fica maravilhado com o fan-service, e é incapaz de enxergar a precariedade técnica da obra.
    É o mesmo filme de 2017, mas cheio de slowmotions para duplicar o tempo de duração.
    Nunca terá a credibilidade de críticas como essa: https://canalmetalinguagem.com.br/por-que-eu-nao-gostei-de-novo-da-liga-da-justica/

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