Invencível – Temporada 01, Ep. 2: Ou vai ou racha

Por Fernando Fontana

Temos homenzinhos verdes do espaço e spoilers no texto a seguir.

Quem assistiu o primeiro episódio de Invencível na Amazon Prime sem ter lido os quadrinhos de Robert Kirkman e sem saber absolutamente nada da trama, certamente deve ter pensado, “ah, ok, trata-se de mais uma versão da Liga da Justiça, só que iremos ver tudo a partir do ponto de vista do filho do Super-homem, ou Omini-Man, como ele é chamado”.

Não deixa de ser verdade, de fato acompanhamos Mark Grayson, o filho do maior super-herói da Terra, mas no final do episódio descobrimos que Omini-Man está longe de ser o grande herói que todos pensavam, e, de quebra, que “Invencível” não tem medo de mostrar sangue e tripas em grande quantidade, no melhor estilo “The Boys”. Aliás, prepara-se, é muito provável que esta animação seja constantemente comparada à série baseada nos quadrinhos de Garth Ennis, que também pertence à Amazon Prime.

Começamos o segundo episódio com o governo tentando compreender que tipo de vilão é capaz de massacrar todos os Guardiões Globais e deixar Omini-Man em estado crítico. O medo é compreensível, já que, seja quem for, se atacar novamente, os Estados Unidos já não podem contar com seus principais heróis.

Nesse cenário inimaginável, com Omini-Man em uma cama de hospital, e sem saber o que realmente aconteceu, ao surgir uma invasão alienígena, Mark decide enfrentar a ameaça, o que acaba se mostrando um fiasco, graças à sua total inexperiência. Quem acaba lutando de verdade contra os invasores é a equipe chamada Tropa Jovem, composta por Rex Splode (dublado por Jason Mantzoukas), Dupli-Kate (Melise), Robot (Zachary Quinto) e Eve Atômica (Gillian Jacobs).

Invencível e Tropa Jovem reunidos

Além da inexperiência de Mark, algumas coisas chamam a atenção no confronto, a Tropa Jovem interveio pelo mesmo motivo que Invencível, a ausência dos Guardiões Globais, e não estão a altura das ameaças que eles enfrentavam. Se não fosse o envelhecimento acelerado dos alienígenas, teriam sido derrotados, já são bem menos poderosos e lutam de forma menos coordenada.

Se nos quadrinhos, invasões alienígenas são corriqueiras, mas com quase nenhum sangue, aqui, temos uma ideia do que armas super avançadas podem fazer com pessoas comuns. O choque de Mark ao se ver coberto com o sangue das vítimas, e sua preocupação em proteger e depois levar uma idosa para ser socorrida pelos médicos revela muito sobre o personagem.

O envelhecimento precoce foi uma saída interessante, na dimensão dos alienígenas, o tempo passa mais depressa, e uma vez em nosso planeta, seus organismos se deterioram rapidamente. Por outro lado, dias em nosso mundo são décadas por lá, o que lhes permite criar novas tecnologias, e rapidamente tentar uma nova invasão.

Enquanto isso, temos um novo personagem, Damien Darkblood, detetive demônio (Clancy Brown), que, é claro, é baseado em HellBoy, criação de Mike Mignola. Damien começa sua própria investigação para determinar quem foi o responsável pela morte dos Guardiões Globais, o que acaba sendo aceito, mesmo que a contragosto por Cecil Steadman (Walton Goggins). Isso porque tanto Steadman quanto Darkblood suspeitam que há algo de muito errado com a versão contada por Omini-Man.

Damien Darkblood, detetive demônio

E já que este episódio retratou invasões alienígenas, muito divertido o confronto entre Mark e Allen, o Alien (Seth Rogen), que trabalha para a Coalisão de Planetas e ataca a Terra por engano. O problema é resolvido com, vejam só vocês, uma boa conversa.

Omini-Man volta do coma e não apenas a forma como ele derrota de forma brutal os alienígenas de outra dimensão, mas seus pequenos gestos, a forma como fala com as pessoas, e o quase soco que desfere no próprio filho durante o treino, revelam um indivíduo autoritário e impiedoso. A frase dita enquanto ele devasta o mundo dos invasores: “Vocês parecem não entender. A Terra não é sua para conquistar”, seria um indicativo de que ela pertence a ele?

O segundo episódio de “Invencível”, mostra que sem os Guardiões Globais, há um vácuo de poder, sem equipes capazes de suprir sua falta. Nesse cenário, Omini-Man se torna ainda mais necessário e o governo mais dependente de sua atuação. Mark está aprendendo a lidar com seus poderes, junto com a Tropa Jovem e seu caráter se mostra o oposto do seu pai, embora, ele ainda não saiba disso.

Animação divertida e com potencial, se seguir por esse caminho, muito difícil não termos uma segunda temporada.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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