Falcão e Soldado Invernal – Temporada 01, Ep. 03: Mercador do Poder

Por Fernando Fontana

Há personagens odiados e spoilers no texto abaixo.

O começo deste terceiro episódio tem o novo Capitão América, John Walker (Wyatt Russel) e seu parceiro, Lemar Hoskins, o Estrela Negra (Clé Bennett) invadindo um possível esconderijo de Karli Morgenthau e dos Apátridas. Mais uma vez, a postura arrogante de Walker contrasta absurdamente com o comportamento de Steve Rogers, seu antecessor.

Os métodos de Walker não se traduzem em resultados ou respeito, e ao ser confrontado, como no momento em que recebe uma cusparada de um prisioneiro, perde o controle. Enquanto Rogers representava a luta pela liberdade e justiça como conceitos mais amplos, ele representa os Estados Unidos da América como potência militar e intervencionista.

Já Morgenthau (Erin Kellyman), a terrorista que ele persegue, possui a lealdade e recebe proteção de diversos civis. A razão disso é apontada por Lemar: “Ela está dando refúgio e medicamentos para pessoas deslocadas, isso gera lealdade, cara”.

Nesse ponto, é bom fazermos uma pausa para falarmos sobre o ódio contra o ator que interpreta o novo Capitão América. Alguns “fãs” estão confundindo ator e personagem e odiando o próprio Russel, a ponto de até mesmo lhe enviar ameaças de morte por ter substituído Chris Evans no papel. Aqui no Brasil isso também não é novidade, atores e atrizes que interpretaram vilões em novelas globais chegaram a apanhar na rua ou no supermercado por conta de seus personagens, demonstrando que a estupidez não tem limites.

O ator Wyatt Russel chegou a receber ameaças de morte por interpretar o novo Capitão América

Já em entrevistas, Russel diz estar amando a reação da maioria dos fãs, já que o ódio pelo seu personagem e seu comportamento era esperado.

Dito isso, “Mercador do Poder” parece ser mais fraco do que os dois episódios anteriores, a começar pela premissa que leva Bucky Barnes a soltar da prisão e Sam Wilson a aceitar a presença do Barão Zemo (Daniel Brühl) em uma missão para descobrir quem está recriando o soro do super soldado.

É bom lembrar que Zemo é considerado um dos criminosos mais perigosos do mundo, e não há qualquer tipo de negociação; o vilão diz possuir as informações necessárias e Bucky o liberta, já Sam, que anteriormente se recusou a roubar o escudo do Capitão para não se tornar novamente um fugitivo, aceita ir para a ilha de Madripoor com ele.

Madripoor é um principado fictício que já apareceu diversas vezes nos quadrinhos, principalmente nas histórias do Wolverine, onde ele se apresenta como “o Caolho”. Aliás, cheguei até mesmo a sonhar por breves instantes com a aparição do personagem. Não me julguem!

A resolução para algumas situações é abrupta, simples demais e decepciona, como a facilidade com que Zemo consegue fugir da prisão e que o trio escapa da Cidade Baixa em Madripoor, ainda que contando com o auxílio de uma aliada.

Zemo utilizando o seu famoso capuz roxo

Ação não falta no episódio, temos tiroteios e explosões, com cenas bem coreografadas, mas ainda assim, não empolgam tanto; Duas personagens já conhecidas pelos fãs fazem sua entrada no show, sendo que uma apenas no final, como o velho e bom Cliffhanger.

Também é difícil de engolir que Sam e Bucky continuem a parceria com Zemo após uma atitude drástica tomada pelo vilão em determinado momento.

Ainda não vimos o Mercador do Poder, peça chave na trama, ainda mais depois dos eventos apresentados aqui, já que a morte do cientista que recriou o soro do super soldado faz de Morgenthau e seus Apátridas, a única chance de reproduzi-lo. Com isso, temos o Mercador, o novo Capitão América, o Falcão e o Soldado Invernal, todos atrás do grupo.

No geral, como já dito anteriormente, não chega a ser um episódio ruim, mas está abaixo dos anteriores.

Enquanto isso, o showrunner Malcolm Spellman, aponta o episódio cinco da série como seu favorito e diz que haverá um personagem surpresa nele. Essa declaração poderia empolgar e gerar todo tipo de teoria, se não estivéssemos escolados pelo final de Wanda Vision.

Sem grandes expectativas, no momento, uma trama razoável, cenas de ação e atuações decentes já estão de bom tamanho, e o começo do show provou que eles sabem fazer isso.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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