O Vale Nerd – Mestres do Yin-Yang: O sonho de todo Otaku

Por Everton Nucci

Olá todo mundo, bem vindes ao vale! Eu sou Everton Nucci e hoje venho falar de uma produção chinesa que estreou em 2021 exclusivamente na Netflix, já causou muita polêmica, me deixou com dúvidas na cabeça e que certamente vai encher os olhos de qualquer Otaku que se preze. Hoje vou falar de “Mestres do Yin-Yang: O Sonho da Eternidade”

Começando pela história, o filme é baseado na série de livros de fantasia “Onmyōji”, originalmente publicado em 1986, extremamente popular no oriente e que já foi adaptado para quadrinhos, filmes, séries de TV, apresentações de Kabuki e até jogo para celular. Com uma mitologia muito rica, tem tudo o que os fãs de fantasia adoram: magia, criaturas grotescas, anjos,  demônios, e batalhas épicas.

Em termos de estrutura, eu diria que o filme segue uma fórmula bem óbvia. Começa com um aprendiz de mago pouco dedicado levando uma bronca de seu mestre por querer usar a magia errada para substituir aquela que ele não consegue realizar. Fica claro desde o início que essa lição será importante mais a frente. O templo em que ele treina é atacado por um demônio em forma de uma serpente gigantesca e ele descobre o porquê de não poder burlar as regras da magia. Após essa introdução temos um salto no tempo, o aprendiz agora é um mago completo (Mestre do Yin-Yang como chamam no filme) e está na capital para uma missão especial e adivinhem quem estará lá também? Isso mesmo, o Demônio Serpente!

Como disse, a estrutura é bastante óbvia, e até mesmo previsível. O próximo clichê a ser introduzido na história é uma personagem que seja o completo oposto do protagonista para criar uma tensão inicial que será resolvida aos quarenta e cinco do segundo tempo quando eles deverão se unir para derrotar o grande vilão. Para mim é aí que mora a grande dúvida da produção, mas vou falar disso mais tarde.

Disco ibiza loco mia; Moda ibiza loco mia; Loco ibiza loco mia; Sexo ibiza loco mia; Mar ibiza loco mia; Sol ibiza loco mia; Marcha ibiza loco mia; Crazy ibiza loco mia

Primeiramente vamos falar das polêmicas. Por conta das cenas envolvendo efeitos especiais, o diretor  e roteirista Edward Guo (de “Tiny Times”) foi acusado de plagiar a Marvel, mais precisamente o filme “Dr Estranho”. Vale ressaltar que não é a primeira vez que Edward – que também é escritor e ídolo pop adolescente – é acusado de plágio, na verdade ele já foi até condenado por conta de um de seus livros. Cá entre nós, se os portais dimensionais foram a única “inspiração” que notaram no filme, eu diria que Guo saiu no lucro.

Mas falando assim, até parece que eu não gostei do filme, e na verdade eu adorei. Da mesma forma que os filmes da Marvel e DC fizeram com os quadrinhos, essa produção teve a capacidade de pôr na tela do streaming todos os grandes momentos que nós adoramos ver nos animes. Estou falando de ver uma personagem mordendo a ponta do dedo para em seguida pintar um pequeno pedaço de papel repleto de kanjis e assim realizar um ritual de invocação. Ou de um ser angelical que cria uma enorme barreira protetora, também repleta desses papéis com kanjis, para impedir o avanço do inimigo (eu sei que esses papéis devem ter um nome correto mas o máximo que eu consegui no Google foi achar o nome Kibaku Fuda, que são os papéis bomba do “Naruto” e é nessa hora que a gente tenta invocar a Espectro Girl nos comentários para esclarecer nossas mentes).

Mas acima de tudo estou falando da enorme serpente demoníaca e do guerreiro humano saindo de sua pele para atacar os protagonistas (se aquilo não foi “inspirado” no Orochimaru também de “Naruto” eu não sei o que foi).

É claro que dinheiro não nasce em árvores e é por isso que os efeitos especiais não são dignos de Oscar, mas ainda assim estão longe de desagradar. O importante é poder apreciar as cenas e como elas são construídas, enquadradas, desenvolvidas. O mais legal é poder ver personagens que voam com a força do chi (ou Qi), ataques de espadas flamejantes, magias que são invocadas por pinturas e a brincadeira que é tentar lembrar qual personagem de anime aquele guerreiro do filme te lembra:

Terceiro Olho com visão além do alcance? Hiei de “Yu Yu Hakusho”!

Acúmulo de energia na testa? Tsunade de “Naruto”!

Anjo de Asas negras? Bom, aí realmente tem muitos, mas só para ser diferentão eu vou dizer Dark de “D.N.Angel”!

Ei, eu sou um guerreiro alado com uma espada flamejante, se você não acha isso muito legal então você não teve infância…

Agora voltando à dúvida levantada por mim ao final do quarto parágrafo. Lembram que eu disse que o filme apresentava uma estrutura clássica de pessoas que se conhecem, não se gostam e depois se unem? Esses são Qingming (Mark Chao) e Boya (Allen Deng). Enquanto assistia ao filme, tinha a nítida impressão de que não havia apenas um conflito inicial que se converteria em amizade, mas que havia algo mais. Havia tensão sexual, havia desejo, havia romance. Meu problema com isso, é pensar que posso estar preso apenas à uma visão ocidental e machista da situação, que a amizade entre dois homens possa ser retratada de uma forma simples e bonita no ocidente, mas que por aqui, chegue como uma mensagem distorcida.

Levanto também o fato dessa ser uma produção chinesa e, portanto, sujeita à censura do governo. Qualquer coisa que possa ser encarada como propaganda ou incentivo ao “comportamento anormal” acaba sendo cortada. Por isso, muitas vezes os autores são obrigados a colocar as mensagens de forma muito sutil para que assim passem despercebidas durante as análises. Há inclusive jargões usados em romances, muito conhecidos do público dessas obras, como “Corta manga” que é usado para referir-se ao homem gay e vem da história de um imperador que cortou a manga da própria roupa para não acordar o concubino. Esses romances, conhecidos como Boys Love ou simplesmente B.L. são muito populares e os autores costumam se desdobrar para fugir da censura.

Agora fica a minha dúvida: Seria “Mestres do Yin-Yang: O Sonho da Eternidade” uma história B.L. cujo romance tem que ser muito sutil para escapar da censura, ou estaria eu apenas contaminado com a visão da cultura ocidental extremamente machista e heteronormativa?

Mestres do Yin Yang, qualquer semelhança entre o portal com os utilizados em Dr. Estranho é mera coincidência.

Deixo para vocês a pergunta, e o filme para que possam assistir e tirar suas próprias conclusões. A única coisa de que tenho certeza é de que a produção é uma excelente opção para os fãs de anime e prova concreta de que abominações como “Dragonball: Evolution” não precisam acontecer.

E se você quiser conversar comigo, falar sobre esse e outros filmes orientais com ou sem romance LGBTQIA+. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E a dica do dia é o filme de 2004 “Casshern: Reencarnado do Inferno” que apesar do nome, não é um filme de terror, mas sim uma adaptação do anime setentista “Casshan” esse filme também tem ótimas cenas de ação completamente inspiradas nas animações japonesas. Por hoje é só, obrigado por lerem essa coluna, continuem acessando o site e fiquem em paz!

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, otaku não assumido e enviou energia para Goku fazer sua Genki-Dama e salvar a Terra

4 Comments

  1. Espectro Girl disse:

    Espectro Girl aqui! Por ter meu nome citado em uma área que eu tenho conhecimento, felizmente tenho respostas para as dúvidas. O pedaço de papel encantado com kanjis é chamado de talismã ?️‍♀️?️‍♀️ inclusive irei mais tarde assistir esse filme graças ao guerreiro alado com uma espada flamejante, isso que é personagem apelão de verdade

  2. Flavio disse:

    Eu simplesmente achei incrível a produção, mas também sentir um romance com total atração. É tanto que no final ele consegue protejer o mestre boya com seu atalho. Sinto uma mensagem sendo transmitida.

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