The Bad Batch – Temporada 01, Ep. 01: Depois do Fim

Por Fernando Fontana

No último dia 04 de maio, fãs e nerds em geral comemoraram o Star Wars Day, e a Disney decidiu marcar a data com a estreia de mais uma série animada do universo criado por George Lucas, “The Bad Batch”, cuja trama será focada nos membros do esquadrão conhecido como “Força Clone 99”, que já haviam aparecido na série “Clone Wars”.

A primeira parte deste episódio nos leva para um dos momentos mais sombrios da saga, com a execução da ordem 66 e o extermínio dos Jedis que levou ao fim da República e a ascensão do temível Império Galáctico. Pouco antes destes eventos podemos ver o quanto os “defeituosos” Hunter, Tech, Wrecker, Crosshair e Echo são superiores em combate ao que eles chamam de “norms”, diminutivo de “normais”, quando salvam um batalhão de Clones comandado pela general Jedi Depa Billaba (Archie Panjabi) e seu aprendiz Caleb (Freddie Prinze Jr.) da destruição certa nas mãos de um contingente droide separatista.

O que torna os cinco clones (todos eles dublados unicamente por Dee Bradley Baker em um excelente trabalho) superiores e ao mesmo tempo “defeituosos” são alterações genéticas que lhes concedem dons acima dos normais, como a força bruta de Wrecker, ou a super inteligência de Tech. Essas alterações genéticas também são responsáveis por torná-los imunes à Ordem 66 implantada em todos os clones. Echo é o único dos cinco membros que não foi modificado geneticamente, é um “norm” com implantes cibernéticos, que também o tornam resistente à Ordem 66.

Tech, Hunter, Wrecker e Crosshair, membros da Força Clone 99

Esse período, entre o fim das Guerras Clônicas e o início do Episódio IV, “Uma Nova Esperança”, permite que sejam explorados temas como o que aconteceu com os clones, criados exclusivamente para a guerra, quando a guerra chegou ao fim? E como a Galáxia reagiu após ver a República pela qual tantos morreram, ser abandonada em prol de um Império ditatorial? Por ser uma fantasia espacial, com armas lasers e sabres de luz, muitas vezes esquecemos da palavra “guerra” que está presente no título da saga.

Temos a presença de personagens conhecidos, como o Padawan Caleb que virá a se tornar Kanan Jarrus da série Rebels, mas o destaque fica mesmo para o temível Grand Moff Tarkin (Stephen Stanton), futuro comandante da Estrela da Morte, que com o final da Guerra surge no planeta Kamino, com o objetivo de avaliar a necessidade de continuar a produção de Clones.

E já que mencionamos Tarkin, ele será provavelmente o responsável por um dos maiores erros do Império, que foi a substituição dos clones por soldados treinados. Segundo ele, estes soldados saem pela metade do preço dos clones. É, meu amigo, o barato sai caro, como podemos ver pela péssima mira dos Troopers Imperiais, uma piada recorrente nas histórias de Star Wars.

Grand Moff Tarkin, para reduzir custos abandonou os clones e colocou em seu lugar os soldados com a pior mira da Galáxia

Fica claro, de fato, que Tarkin não é um entusiasta dos clones, considerando-os até mesmo dispensáveis. Ele também não confia na lealdade da Força Clone 99, o que o leva a testá-los em uma missão onde devem atacar e matar ex soldados da República e civis desarmados.

O único do esquadrão que insiste em seguir ordens cegamente é Crosshair que acaba levando a um inevitável confronto com o líder Hunter e o restante da Força. Para Crosshair não importa se a serviço do Império ou da República, e qual a missão dada, o papel do bom soldado é obedecer ordens. Este pensamento é o que levou homens comuns a perpetrarem alguns dos episódios mais cruéis da humanidade, com a desculpa de que “estavam apenas seguindo ordens”.

Temos também a introdução de Omega, a jovem que se mostra fã dos clones “defeituosos” e se junta ao grupo, pronta para se deslumbrar com o espaço e tudo que há fora de Kamino, de onde jamais saiu. Ela deve ser o contraponto aos homens que foram treinados para o combate e agora se tornaram fugitivos.

O primeiro episódio de “The Bad Batch” tem quase a duração de um filme, visual muito semelhante ao da série Clone Wars e roteiros de Dave Filoni e Jennifer Corbett. Corbett que usa sua experiência como veterana do exército norte-americano para dar maior veracidade à interação entre os membros de um esquadrão cujos membros só podem contar um com o outro para sobreviver.

Se as trilogias Prequel e Sequel estiveram distantes de serem unanimidade, as animações de Star Wars e mais recentemente a série Mandaloriano com suas duas temporadas fizeram os fãs vibrarem. Embora sem tanto alarde, o começo de Bad Batch parece promissor e com uma premissa interessante para garantir uma boa trama nos próximos capítulos.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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