Blankman – Um Super-herói muito atrapalhado

Por Fernando Fontana

Enquanto em outras colunas deste site os autores estão escrevendo sobre filmes interessantes, com orçamento, diretores, atores e trama decentes, por alguma razão eu mergulho no submundo das produções cinematográficas e me vejo analisando Blankman, filme de 1994, estrelado por Damon Wayans, mais conhecido no Brasil por interpretar Michael Kyle na série “Eu, a Patroa e as Crianças”, que teve cinco temporadas e foi exibida nas tardes do SBT.

Com baixo orçamento e uma proposta de parodiar os super-heróis, o que se poderia esperar de Blankman é que fosse minimamente engraçado, com piadas e atuações divertidas, o que raramente acontece durante seus 90 minutos.

O começo é até promissor, com Darryl Walker e seu irmão Kevin, ainda crianças, assistindo a série do Batman dos anos 60, aquele estrelada por Adam West e Burt Ward, e com o Coringa de bigode, e você chega a imaginar que roteiro e direção possam se inspirar nela, o que seria ótimo, mas não é o que acontece, e o máximo que vemos são algumas onomatopeias em um determinado momento do longa.

Damon Wayans como Blankman, seu superpoder é não ter graça!

Na trama (ou algo que lembra vagamente uma), a avó de Darryl (Damon Wayans) e Kevin (David Alan Grier), interpretada por Lynne Thigpen, é assassinada a mando do chefão do crime Michael Minelli (Jon Polito) enquanto trabalhava na campanha eleitoral do candidato à prefeito Marvin Harris (Christopher Lawford), que se recusou a se vender.

O fato, aliado à criminalidade explodindo em seu bairro e na cidade, leva Darryl a se vestir como super-herói utilizando uma roupa à prova de balas, graças à um líquido que ele criou por acidente.

Há uma ou outra piada engraçadinha, mas o timing simplesmente não funciona na maioria das vezes; um excelente exemplo está no assassinato da vovó Walker. Bandidos entram e roubam todo o dinheiro doado para a campanha, e logo depois, um homem de confiança de Minelli entra e atira com uma submetralhadora assassinando todos no local. Não é engraçado, é chocante, ainda que não vejamos as pessoas sendo atingidas, sabemos o que ocorreu, algo que é reforçado pela cena seguinte, com pessoas em volta de um caixão, Darryl e Kevin no enterro de sua avó, enquanto Wayans faz caras e bocas, lágrimas escorrem de seus olhos e secreções do seu nariz. De novo, não é engraçado.

Vamos fugir desse filme antes que nossas carreiras afundem de vez…

Wayans se esforça, mas sua atuação é fraca e o roteiro escrito por ele mesmo não ajuda. Curiosamente, em 1994, ano de lançamento de Blankman, as comédias de Jim Carrey explodiam nos cinemas, com “Ace Ventura”, “O Máskara” e “Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros”, e em alguns momentos é possível ver o que parece ser uma tentativa de Wayans de emular Carrey sem sucesso. Os outros atores não fazem melhor, mas, mais uma vez, eles não tem com que trabalhar, então fica difícil julgar.

Se você assistiu e gostou de Wayans em “Eu, a Patroa e as Crianças”, então fique com Michael Kyle em sua memória e não desperdice 90 minutos de sua vida. A palavra inglesa “Blank” pode ser traduzida como “em branco”, e quando se trata de graça, traduz com perfeição este filme.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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