O Vale Nerd – Castlevania – O fim de uma era

Por Everton Nucci

Olá todo mundo, bem vindes ao vale! Eu sou Everton Nucci e amo games, animes, obras de terror, ação, fantasia, RPG, e quando tudo isso está reunido em uma única obra eu chamo de perfeição. Ou melhor, chamava, pois agora eu chamo de: “Castlevania” a animação da Netflix cujas temporadas anteriores já comentei no Vale Nerd e você pode conferir clicando aqui. A série aparentemente chegou a sua última temporada, eu já devorei tudo no fim de semana de lançamento e é disso que eu vou falar agora.

Antes de analisar a quarta temporada vou comentar um pouco sobre minhas impressões gerais. Primeiramente, a temporada de estréia pareceu ser uma espécie de experimento da Netflix com intuito de averiguar se valia a pena investir em animações para jovens e adultos (a classificação indicativa é de 16 anos). Tenho a impressão de que foi escrita com começo, meio e fim, e só depois foi dividida em duas partes gerando assim as temporadas 1 e 2. São quatro episódios na primeira e oito na segunda (as temporadas seguintes tem dez episódios cada uma).

Mas por que eu estou falando do início da série se o foco da matéria é justamente o final? Porque essa decisão afeta e muito a continuidade da animação! Veja bem, a impressão que fica é de que foi concebida apenas uma temporada e, sem muita confiança no sucesso, a Netflix decidiu lançar só o início para ver qual seria a repercussão, o sucesso garantiu sinal verde para o lançamento do restante e o sucesso ainda maior fez com que a Netflix decidisse dar continuidade à história. O problema é que o grande vilão já havia sido derrotado e essa continuidade fugiu ao controle dos produtores.

Seus tolos, vocês não podem me destruir, ainda tem mais duas temporadas

Não estou dizendo que as temporadas seguintes são ruins, na verdade eu gosto bastante da terceira temporada – acho muito mais equilibrada do que a segunda, que se arrasta em certos momentos – e gosto de algumas coisas da quarta, mas temos que admitir que nas duas últimas temporadas a história fica muito mais dispersa do que nas primeiras.

Quando comecei a assistir ao quarto ano da série eu tive uma grande dificuldade de me localizar e de lembrar o que estava acontecendo. A trama havia se dividido em pelo menos quatro núcleos na temporada anterior, e nessa sequência ainda temos que acompanhar o surgimento de várias novas personagens. Assistir a um resumo da trama antes de entrar nessa reta final ajuda bastante.

Visualmente falando, essa temporada está ainda melhor do que as anteriores, o traço das personagens está deslumbrante e cheio de detalhes, os cenários estão riquíssimos, a animação está ainda mais fluida e estilosa, e as cenas de ação são de cair o queixo. Essa sem dúvida nenhuma é a temporada mais violenta de todas, é sério, tem muito sangue, mortes, gore e tripas. Entretanto, eles deram uma maneirada no erotismo, sim, nossos heróis e nossos vampiros estão mais puritanos e as cenas de sexo e nudez quase não existem.

O roteiro diz aqui que a gente vai ter que maneirar nas cenas de sexo, mas sangue e tripas tá liberado.

Entretanto, se tem uma coisa que me incomoda bastante, é quando uma personagem apresenta todo um arco de desenvolvimento que logo em seguida é abandonado. O caso mais evidente acontece com Alucard, a traição sofrida na temporada anterior culminou em uma cena tenebrosa em que ele empala duas pessoas na porta de seu castelo. Isso dava a entender que ele se tornaria o novo Drácula ou que, no mínimo, não voltaria a confiar em ninguém tão cedo. Não é o que acontece, o evento que deveria ser traumático e transformador é resumido no início da história e não apresenta maiores consequências, uma pena.

Outro desenvolvimento promissor que acaba não dando em nada é o das vilãs. O clã de vampiras que tinha a ambição de dominar o mundo e que prometia muito na temporada anterior acaba se perdendo numa narrativa desinteressante e subaproveitada. Em vez de focar nelas, os produtores preferem insistir na ameaça da ressurreição do Drácula. Um dos motivos pelo qual eu acredito que a história não foi planejada para chegar até aqui. Drácula morreu há duas temporadas e ainda estão falando dele, sério mesmo? Esquece esse boy amiga! Parte pra outra!

O casal de vampiras está de volta com seu próprio arco, que parece bastante deslocado da história principal. É como se de uma hora pra outra caísse a ficha das duas que resolvem se perguntar “O que estamos fazendo aqui?”. Não, isso não é spoiler, esses questionamentos surgem logo de início, pelo menos a solução encontrada para o destino delas me agrada bastante.

Outra “referência ao vale” é o fato de, no meio da trama central, haver um ser mitológico da alquimia cujo corpo é ao mesmo tempo masculino e feminino. A trama praticamente gira em torno disso e, embora não seja algo exatamente relevante para o universo LGBTQIA+ (não é como se estivéssemos falando de uma personagem interssexual nem nada do tipo), não deixa de ser interessante.

Aqui pra quem achou que eu ia ser o novo vilão de Castlevania!

O trio de protagonistas está mais poderoso do que nunca. Sypha, com suas magias elementais, demonstra ser uma verdadeira arma ambulante. Não há monstro que resista aos seus ataques de gelo, água, fogo e raios, cada golpe desferido pela personagem é um espetáculo visual. Trevor Belmont, por outro lado, tem que fazer jus ao seu posto de protagonista do game e como um legítimo cavaleiro de RPG ele vai aumentando sua coleção de armas ao longo da temporada se garantindo em batalha com base nos ataques físicos. Alucard, por sua vez, traz um misto de ambos os estilos utilizando magia e porrada bruta na mesma proporção, aliás, quando ele desfere ataques em ultra velocidade ao mesmo tempo em que lança sua espada flutuante, é fácil ver que a batalha já terminou (certamente a personagem mais roubada de todas).

Digo isso pois, para mim, essa é a temporada que mais homenageia sua mídia de origem. Em outras palavras, de todas as temporadas, essa é a que mais se parece com um videogame. Cá entre nós, se aquela lindíssima cena do episódio nove não é uma boss fight, eu não sei o que é.

Resumindo, em termos de história, essa pode não ser a temporada mais interessante e instigante de todas. Mas se você quer se divertir com muita ação, violência, um visual lindíssimos e uma animação incrível, certamente “Castlevania” vai ser um prato cheio. Ao final do episódio dez, podemos ver que os arcos das personagens realmente se encerram, assim sendo, o anúncio de que essa seria a última temporada não parece simples clickbait, é um final bastante satisfatório e o fato da produtora estar envolvida no reboot de He-Man aumenta bastante as expectativas para esse novo projeto, resta ver o que o futuro nos reserva.

A Quarta Temporada de Castlevania é a que mais parece com um Video game.

E se você quiser conversar comigo, falar sobre “Castlevania” e outras animações baseadas em videogame. Mande seu e-mail para contato@superninguem.com.br, ou deixe seu comentário logo abaixo.

E a dica do dia é a série da Netflix: “Drácula” é uma obra britânica com três episódios, dos mesmos produtores dos sucessos “Sherlock” e “Doctor Who” e apresenta uma releitura do clássico de Bram Stoker. Por hoje é só, obrigado por lerem essa coluna, continuem acessando o site e fiquem em paz!

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Everton Nucci é tecnólogo por formação, servidor público por opção, ator por paixão, escritor fanfarrão, e ainda não entende o por que de sangue, tripas, mortes e pessoas empaladas chocam menos que nudez

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