Loki – Temporada 01, Ep. 01: Glorioso Propósito

Por Fernando Fontana

Que a Marvel possui uma fórmula de sucesso que já lhe rendeu bilhões nas bilheterias e da qual ela não desapega por razões óbvias todo mundo já sabe, mas é inegável que em 2021, em suas séries, ela apresentou propostas diferentes daquelas com as quais estamos acostumados.

Começando com Wanda Vision e seu mundo perfeito composto por séries que cruzaram as décadas, passando por Falcão e o Soldado Invernal, e sua discussão sobre o que significa ser o Capitão América e o que ou quem ele representa, finalmente desembarcamos em Loki, a série do irmão de Thor, o “vilão” mais amado pelo público graças ao carisma de seu interprete, Tom Hiddleston.

O Fan Service está lá, logo de cara, afinal é Marvel, e quem se importa com isso, como diria Erico Borgo, eu sou fã, eu quero Service, mas o que transforma Loki em algo totalmente diferente é a AVT (Autoridade de Variação Temporal), ou em inglês, TVA (Time Variance Authority), agência responsável por monitorar e fiscalizar as linhas temporais das diversas dimensões que compõe o multiverso Marvel.

A organização protege a chamada “Linha do Tempo Sagrada” de eventos que possam coloca-la em risco, como Loki utilizando o Tesseract para fugir em Vingadores Ultimato.

Presta atenção, Loki, os fãs querem service e é isso que nós da TVA vamos dar

Preso por colocar a linha temporal em risco, O Deus da Trapaça é recrutado pelo agente Mobius (Owen Wilson) para encontrar algo ou alguém que está assassinando agentes da TVA.

O nome do episódio entrega um questionamento que será feito em sua trama, Loki acredita possuir um glorioso propósito para sua existência, governar! Ele é arrogante, se considera esperto demais, superior aos mortais e aos agentes da TVA, mas governar quem, o que e para que? A Terra, então a Galáxia e por fim o Universo? E depois?

Sua arrogância se desfaz por completo ao descobrir que as joias do infinito, um dos maiores poderes do universo, pelo qual ele lutou com todas as forças, são utilizadas como peso de papel na agência.

E cronologicamente isso ocorre pouco tempo depois dele ter levado uma surra dos Vingadores, em particular de um certo gigante esmeralda que o chamou de “deus fraco”!

Vocês tem carros voadores e ainda usam impressoras matriciais?

De alguém que pretendia governar para agente da TVA? Talvez, e talvez não seja tão ruim.

Owen Wilson está ok como agente Mobius, nada excepcional, mas o roteiro também não ofereceu nenhuma cena que exigisse muito, e é difícil não ficar apagado diante de Hiddleston e seu Loki.

Já a atriz Wunmi Mosaku, que interpretou Ruby na excelente Lovecraft Country, retorna como agente “Hunter B-15”, e passa a impressão de que poderia dar uma surra em um Asgardiano a qualquer hora do dia com uma mão amarrada nas costas.

O visual da TVA adota modernidade misturada com vintage, carros voadores, portais dimensionais, e armas futuristas em conjunto com monitores antigos, papelada e burocracia, que aliás, proporciona momentos divertidos como Loki tento que assinar um dossiê gigantesco com tudo aquilo que ele disse na vida.

Hunter B-15, interpretada por Wunmi Mosaku, ela come asgardianos espertinhos no café da manhã

Divertida e com uma proposta diferente, Loki mostra que a Marvel encontrou nas séries da Disney Plus terreno fértil para experimentar ao mesmo tempo que une as produções ao seu universo cinematográfico.

Os fãs só tem a ganhar.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é criador deste site e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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