Death Note: Kira não é herói ou anti-herói, é o vilão!

Por Fernando Fontana

O texto contém Spoilers dos primeiros episódios de Death Note

Caso você tenha vivido em uma espécie de bolha nos últimos anos e desconheça o mangá e anime Death Note (o filme você pode continuar a desconhecer), aqui vai um resumo da obra, um Shinigami (deus da morte) chamado Ryuk, está entediado em seu mundo e decide tornar as coisas um pouco mais interessantes, lançando no mundo dos mortais o seu “Death Note” (Caderno da Morte), onde ao se escrever o nome de uma pessoa da qual você conhece o rosto, ela morre.

O lance do rosto é muito importante para evitar que, por exemplo, você escreva João Silva no caderno e dali 40 segundos morram 30.000 pessoas com o mesmo nome. O caderno permite, inclusive, que você descreva as circunstâncias da morte, como, quando e onde ela irá ocorrer (caso seja possível, não adianta escrever que fulano vai morrer na Lua, que ele não vai aparecer lá magicamente, só vai cair duro no chão na hora marcada).

O Death Note acaba nas mãos de Light Yagami, um estudante prodígio da cidade de Tóquio, que ao descobrir que o caderno realmente funciona, decide se transformar no “deus do novo mundo”, matando centenas de criminosos, e, assim fazendo com que as pessoas soubessem que uma força misteriosa de fato estava “punindo as pessoas más”. De acordo com Light, dali por diante conhecido como Kira, a partir do medo da morte, surgiria um novo mundo, onde o mal teria medo de agir.

Obviamente, quando centenas de criminosos começam a morrer de ataque cardíaco, suas ações chamam a atenção do mundo inteiro e das agências de investigação, fazendo com que a polícia japonesa, o FBI e, principalmente, o detetive “L”, começassem uma busca para encontrar o culpado pelos assassinatos. “L” e Kira passam então a travar um duelo intelectual, onde o menor vacilo significará a derrota do adversário.

Light Yagami, ou Kira, de Death Note

É compreensível que tantas pessoas se posicionem ao lado de Kira e acreditem que ele está fazendo o certo, protegendo a sociedade, eliminando assaltantes, assassinos, estupradores, pedófilos e todo tipo que já praticou ou pratique o mal, classificando Yagami como espécie de anti-herói, tal qual o Justiceiro da Marvel, que mata por um “bem maior”, no entanto, não há como essa visão perdurar.

Mesmo o já mencionado Justiceiro, que mata friamente os seus alvos, com uma lista interminável de criminosos assassinados, possui um código de honra que o impede de ferir ou matar inocentes. Se um policial encurrala o Justiceiro, ele fará todo o possível para escapar, mas não atacará o agente da lei.

Kira, por outro lado, já nos primeiros episódios, usa seu poder para tentar matar “L”, um detetive que o está investigando, mas não cometeu crime algum; agentes do FBI enviados ao Japão para investiga-lo não tem a mesma sorte e são mortos simplesmente por representarem uma ameaça.

No episódio 5, “Tactics”, descobrimos também que Kira usa seu poder para matar pessoas acusadas de determinados crimes, mas libertadas por ausência de provas, ou seja, legalmente inocentes. Light Yagami se dá ao direito de matar suspeitos, apenas porque acredita que eles sejam culpados, ainda que sem um julgamento apropriado.

Naomi Misora, Ex agente do FBI, uma das vítimas de Kira

Até mesmo a noiva de um dos agentes mortos, que começa uma investigação por conta própria torna-se uma das vítimas de Yagami, que em seu egocentrismo e psicopatia, entende que qualquer um que se coloque em seu caminho, seja ele criminoso ou não, deve ser eliminado.

Para Kira, os fins justificam os meios, seu fim é uma utopia, seus meios incluem a morte de inúmeros inocentes, sem qualquer remorso.

É perfeitamente natural achar Kira um personagem interessante, possivelmente o mais interessante da série, e até mesmo torcer para que “L” não consiga prende-lo, como já vimos acontecer com outros como Tony Soprano de “Sopranos” ou Walter White de “Breaking Bad”, contanto que se mantenha em mente que eles, assim como Kira, são os vilões e não os mocinhos da história.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

1 Comment

  1. Roj Ventura disse:

    Kira melhor que Superman.

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