Por Fernando Fontana

O texto a seguir possui trapaças e spoilers de Loki

O segundo episódio de Loki começa com mais uma equipe de “Homens Minuto” sendo massacrada pela Variante Loki, o que desde o primeiro episódio me causa certo incômodo.

Para uma organização que usa Gemas do Infinito como peso de papel e as guarda em uma gaveta dentro do almoxarifado, era de se esperar agentes no nível do Agente Smith do filme Matrix, e não meia dúzia de pangarés utilizando trajes de tropa de choque do século XX e cassetetes maneiros que reduzem a velocidade do tempo quando acertam alguém, mas são menos eficazes do que armas de disparo.

Não me admira que os agentes da TVA sejam mortos como moscas, eles lidam com a linha temporal, mas não se atualizam.

Destaque para a música “I Need a Hero”, que já havíamos ouvido no trailer de He-Man da Netflix e agora embala a luta entre os agentes e a Variante Loki. Aparentemente a música de Bonnie Tyler é a bola da vez quando se trata de anos 80.

Homens Minuto da TVA, morrendo que nem moscas e precisando se atualizar

Hunter B-15 (Wunmi Mosaku), Ravonna (Gugu Mbatha-Raw) e praticamente toda a TVA, com exceção de Mobius (Owen Wilson) desconfiam de Loki e acham uma ideia ruim utilizá-lo para capturar o outro Loki, a Variante que está causando problemas, e vamos combinar, eles estão certos;

Veja, é difícil confiar em alguém que é chamado de “Deus da Mentira e da Trapaça”.

Isso leva até mesmo Mobius a manter uma atitude cautelosa com relação ao seu “protegido”, pensando duas vezes antes de acreditar em seus argumentos, o que acaba gerando uma dinâmica divertida.

O que Loki fala faz sentido, mas isso era de se esperar, e provavelmente ele está tentando me enganar e me apunhalar pelas costas, e se eu sobreviver, ainda por cima serei demitido ou rebaixado de cargo, vou perder meus bônus, minha licença prêmio, enfim, é bem ruim.

Difícil confiar em seu parceiro quando ele é o Deus da Trapaça e da Mentira

O complicado é que Loki vive tentando dar o golpe, mas é inteligente e acaba descobrindo onde na linha do tempo está se escondendo o outro Loki, e a sacada é muito boa.

Bom, antes de tudo, sempre bom lembrar que filmes e séries com viagem no tempo são os campeões mundiais de furos de roteiro, mas quando são bons o suficiente, você mergulha de cabeça e os ignora como em “Exterminador do Futuro” (o primeiro e o segundo) e De Volta para o Futuro (todos os três).

Para justificar o fato de não retornarem para vinte segundos antes do ataque da Variante Loki, assim capturando-a, a desculpa dada é que eventos Nexus desestabilizam o fluxo temporal, impedindo a manobra. Fez sentido para vocês? Sei lá, para mim não, mas o jeito foi comprar a ideia e deixar rolar.

Sendo assim, a Variante Loki pode estar escondida literalmente em qualquer lugar dentro do fluxo temporal, e o mistério é porque suas ações não geram variações temporais, já que, se você se lembra das lições do saudoso Dr. Emmett Brown, um espirro de um viajante no tempo pode causar uma catástrofe (e beijar a própria mãe é mil vezes pior).

É aí que vem a ideia genial, se você se esconde em um lugar onde em breve ocorrerá um apocalipse matando todos os seres vivos, você pode fazer o que quiser, que não irá modificar a linha temporal. Tipo, você dá um soco no verdureiro, ou diz os números da loteria federal para o barman, mas dali duas horas um meteoro explode o país inteiro, e tudo fica sossegado.

lady Loki?

A partir dessa informação, de um doce e de muita papelada, Mobius, Loki, Hunter B-15 e companhia limitada conseguem definir onde Loki está e partem para capturá-lo, que no caso é uma espécie de Wal-Mart do futuro que será varrido do mapa por um furacão.

E surpresa, a variante Loki não era Loki, mas Lady Loki, que por alguma razão, não gosta de ser chamada de Loki, e não aceita fazer acordos com o Loki da TVA.

E para terminar, Loki previsivelmente estava tramando algo e segue Lady Loki por um portal, logo após ela ter acionado uma centena de capsulas que reiniciam o tempo (roubadas previamente dos agentes mal equipados da TVA).

Confuso? Viagens no tempo são assim mesmo, uma bagunça infernal, e a tendência é piorar porque o multiverso está chegando.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor do livro “Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, é também colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre quadrinhos e filmes antigos.

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