Modern Love: Me aceita como eu sou, quem quer que eu seja

Os dramas da bipolaridade retratados em belo episódio de séria da Amazon Prime

Por Fernando Fontana

O texto a seguir tem spoilers do terceiro episódio da primeira temporada de Modern Love

Muitas vezes nós chegamos ao final de um dia, e não estamos dispostos a lidar com as notícias ruins do telejornal, nem tão pouco com uma série ou filme com trama repleta de reviravoltas, personagens cruéis dispostos a tudo por dinheiro ou poder, e com final de doer na alma, até porque, isso não é tão distante assim do que iriamos ver no telejornal.

Nessa hora, você pode querer uma história com personagens que estão se esforçando para fazer o melhor, bem escrita, mas com final previsivelmente feliz, dessas que deixam o seu coração quentinho quando termina de assistir um episódio. Se for esse o caso, Modern Love, série da Amazon Prime, é a indicação perfeita.

Essa antologia romântica baseia-se na coluna homônima publicada no “The New York Times”, e conta atualmente com duas temporadas, cada uma delas com oito episódios de aproximadamente 30 minutos, abordando as mais variadas formas de amor, como o paternal, o platônico, o romântico, a amizade, entre tantos outros existentes.

Anne Hathaway e Gary Carr no terceiro episódio da primeira temporada de Modern Love

Amar nem sempre é fácil, e torna-se ainda mais complicado quando uma das pessoas sofre com uma doença psiquiátrica, e o terceiro episódio da primeira temporada de Modern Love fala justamente de um cenário como esse.

Ao vermos Lexi, personagem de Anne Hathaway, indo ao supermercado apenas porque ficou com uma imensa vontade de comer pêssegos, sorriso largo, trajando uma roupa brilhante, apaixonando-se de imediato por Jeff (Gary Carr), enquanto clientes dançam ao seu redor, no que parece ser um episódio musical, nós nos perguntamos: Por que ela é tão feliz assim?

A resposta provavelmente não é a esperada: Transtorno Bipolar!

Segundo o site “Tua Saúde”, Transtorno Bipolar é: “uma alteração mental grave em que a pessoa apresenta oscilações de humor que podem variar desde depressão, em que há profunda tristeza, até mania, em que há euforia extrema, ou hipomania, que é uma versão mais leve da mania”.

Lexi, alterando entre profunda tristeza e euforia extrema

É como se existissem duas Lexis completamente diferentes, e o roteiro retrata com delicadeza e competência essas duas personalidades, nos revelando o mundo como a personagem o enxerga tanto na profunda tristeza quanto na euforia extrema. Some ao roteiro e à fotografia, a ótima interpretação de Hathaway e temos uma pequena pérola da Amazon Prime.

Se ela enxerga o mundo de maneira completamente diferente dependendo das brutais oscilações de humor, as pessoas, sem saber da bipolaridade, ficam confusas, interpretam erroneamente suas emoções e não sabem como lidar com Lexi.

Interessante notar o medo que Lexi tem de ser rejeitada caso as pessoas saibam de seu transtorno, fruto do preconceito ainda existente em nossa sociedade com a doença psiquiátrica. Ela modela toda sua vida de maneira a esconder que é bipolar, o que leva a rompimentos de relacionamentos, perda de amigos e demissões, ainda que ela seja muito produtiva e eficiente quando está na fase eufórica.

Evidente que em apenas 30 minutos de história, não é possível se abordar todo o drama de ser bipolar, mas “Me aceita como eu sou, quem quer que eu seja”, faz o que a arte faz de melhor, nos ajuda a compreender o mundo, a nós mesmos e os outros.

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Fernando Fontana é escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”, criador deste site e colaborador do “Canal Metalinguagem“, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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