Por Fernando Fontana

Desde que George Romero nos apresentou o seu “A Noite dos Mortos Vivos” no distante ano de 1968, o apocalipse zumbi se transformou em gênero próprio, com os devoradores de carne humana povoando as telas do cinema e da TV.

Em 2003, chegava às bancas a HQ “The Walking Dead”, escrita por Robert Kirkman e onde, curiosamente, o termo zumbi jamais é utilizado, já que neste universo, jamais existiu Romero ou o gênero criado por ele, se espalhando por toda a cultura pop. Em “The Walking Dead” na maioria das vezes os personagens se referem aos mortos vivos como errantes ou caminhantes. Mais tarde, o sucesso dos quadrinhos levaria os errantes para a TV, na famosa série homônima da AMC, aumentando a fama e a procura pelos trabalhos do escritor.

Fazia todo sentido, portanto, que em 2005, fosse dada à Kirkman a tarefa de criar uma minissérie em cinco edições onde o apocalipse zumbi chegasse ao universo Marvel, atingindo até mesmo os maiores super-heróis do planeta. Se um zumbi comum é um perigo, imagine um zumbi com super poderes…

Zumbis Marvel, isso sim é apelação!

Uma característica que torna os heróis zumbis nas HQs ainda mais perigosos, é que, além de manterem seus super poderes, diferente do que acontece nas histórias tradicionais do gênero e no próprio “The Walking Dead”, eles também conservam sua capacidade de raciocínio, são capazes de falar e interagir.

O Zumbiverso geraria continuações em Marvel Zumbis 2 (2007 -2008) escrita novamente por Kirkman; Marvel Zumbis 3 (2008), Marvel Zumbis 4 (2008), e Marvel Zumbis 5 (2010), as três escritas por Fred Van Lente, e agora transforma-se em animação no episódio 5 da série “O que aconteceria se…” da Disney Plus, cujo propósito é justamente mostrar universos onde os eventos aconteceram de forma diferente das que conhecemos.

O episódio começa com o Dr. Banner chegando na Terra, após ser derrotado como Hulk por Thanos na nave dos Asgardianos, evento que vimos no início de “Vingadores: Guerra Infinita” (2018), mas ao invés de encontrar seus aliados para alertá-los e unir forças como no filme, ele se depara com um Homem de Ferro e um Dr. Estranho Zumbis tacando o terror.

Capitão América Zumbi em What If

Embora literalmente qualquer desculpa sirva para justificar um apocalipse zumbi, desde o mítico Inferno está lotado até um mundano sanduíche estragado, aqui o roteiro opta por estabelecer que o responsável é um vírus oriundo do Reino Quântico, trazido para o nosso planeta pelo Dr. Hank Pym, que tentava resgatar sua esposa, Janet Van Dyne, a Vespa original e primeira zumbi.

A partir de Hank e Janet, a praga se espalha pelos Estados Unidos e pelo mundo, atingindo os Vingadores e transformando-os em propagadores extremamente poderosos do vírus. Diferente da HQ, os super zumbis não falam, se assemelhando mais aos seus pares nos filmes de Romero e derivados.

O humor está presente durante todo o episódio, lembrando Zumbilândia, “Terrir” de 2009, estrelado por Jesse Eisenberg, Woody Harrelson e Emma Stone. Há um momento em que Peter Parker apresenta um vídeo de orientação que é impossível não se recordar das hilárias dicas de sobrevivência de Columbus, personagem de Eisenberg em Zumbilândia.

Homem Aranha prestes a virar jantar em O que aconteceria se…Zumbis!?

E em se tratando de humor aqui não parece haver muita preocupação com limites, há um personagem que chega a ser cartunesco, quase como se tivesse sido extraído de um episódio de Futurama.

Por outro lado temos também bastante ação, cenas emocionantes e e uma vilã de respeito no final, além de uma cena que deixa em aberto a possibilidade de uma continuação, tudo isso em apenas 30 minutos, o que nos leva a recordar: não espere profundidade demais em um episódio de “What If”.

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Fernando Fontana é criador deste site, escritor e adulto amador, autor de “Deus, o diabo e os super-heróis no País da Corrupção” e da Graphic Novel “O Triste Destino da Namorada do Ultra Homem”.

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